Exportação e redução na oferta explicam aumento no preço do leite

Lourival Góes – presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã

Lourival Góes – presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã

O consumidor escolheu um novo “vilão” para reclamar da inflação nas últimas semanas, o preço do leite tem deixado os compradores de cabelo em pé. Estimativas apontam que os preços dos produtos oriundos de lácteos subiu cerca de 18% nos últimos 12 meses, mas a verdade é que na gôndola, o preço está bem maior. Já não é raro encontrar a caixinha do leite longa vida custando acima de R$ 7 e a tendência é ocorrer um aumento ainda nos próximos dias.

No começo da semana, a marca Piracanjuba, que tem uma fábrica no Rio Grande do Sul, informou a suspensão da produção, por falta de matéria-prima, na fábrica daquele estado.

O jornal Paraná Centro conversou com o presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã, Lourival Góes, para tentar entender os fatores que estão levando ao aumento no preço do leite. Góes também é produtor de leite e mantém um plantel entre 20 e 25 vacas em lactação, com uma produção diária de 400 litros.

Ele disse que não é fácil apresentar um único fator para esse aumento, mas acredita que o custo de produção, especialmente da ração que é composta basicamente de farelo de soja e milho, é um dos motivos. “Acredito também que esse aumento está ocorrendo porque muitos produtores saíram da atividade, pois estavam muito desanimados com os preços pagos e saíram da cadeia de produção e houve uma redução na entrega do leite”, avalia.

O presidente do Sindicato Rural comenta que, nesse momento, ele está contente com o valor que está recebendo por parte do laticínio, que representa um aumento na ordem de 30% nos últimos meses, mas adverte que apenas os produtores que conseguem produzir com um custo mais em conta têm conseguido resultados melhores. “O lucro no leite é em centavos e, por isso, o produtor precisa ter pasto sobrando, é necessário seguir as tecnologias recomendadas, fazer o piqueteamento e adubar as pastagens, pois o custo da ração subiu exageradamente.

Ele destaca que, apesar de entender os produtores que deixaram a atividade, sair da cadeia do leite não é o caminho mais adequado. “Acredito que o certo é implantar as tecnologias e as orientações dos técnicos para conseguir um produto mais em conta, pois o leite é um bom negócio na questão da diversificação e proporciona uma renda mensal e ajuda na composição da renda da propriedade”, frisa.

A médica veterinária e chefe do Núcleo Regional da Seab de Ivaiporã, Vitória Montenegro Holzmann, destaca que são vários os fatores que podem explicar essa questão do aumento dos preços. Além da redução na oferta e no aumento do preço da ração, ela aponta mais dois. A guerra da Ucrânia encareceu os fertilizantes para as pastagens e também o sal mineral e, com a desvalorização do real, o leite brasileiro começou a ser exportado, aliado ao aumento da demanda pelo produto no país, houve esse aumento nos preços. “Essa oscilação no inverno é normal e acontece todos os anos, mas esse ano foi mais complicado, no entanto, segundo alguns especialistas, a tendência é que o preço volte aos patamares mais normais e isso deve ocorrer dentro de até 6 meses”, avalia.