Feijão de segunda safra deve ter boa produção na região

Lavouras de feijão apresentam bom desenvolvimento na região

Lavouras de feijão apresentam bom desenvolvimento na região

Produtores rurais, especialmente dos municípios de Manoel Ribas, Pitanga e Boa Ventura do São Roque, estão iniciando a colheita do feijão de segunda safra, também conhecido como feijão da seca. A cultura ganhou força nesse ano, após muitos produtores terem prejuízos, no ano passado, com o milho safrinha e os agricultores que apostaram nessa cultura estão tendo um bom resultado, pelo menos nesse início de colheita.

Anderson Majewski, da Cerealista Norte e Sul de Manoel Ribas, comenta que a segunda safra de feijão está ganhando força cada vez mais, especialmente nos municípios localizados mais ao sul da região, como Manoel Ribas, Pitanga, indo no sentido de Guarapuava. Ele explica que a janela de plantio do milho safrinha é apertada para quem pretende produzir a cultura, após a safra de soja e, geralmente, o seguro não cobre possíveis prejuízos com a geada, dependendo da época do plantio. Já com o feijão, por ser uma cultura de ciclo mais rápido, o produtor tem uma segurança maior para fugir da geada e das temperaturas mais baixas, com isso, a área de plantio não fica parada e o produtor ainda consegue viabilizar o plantio de trigo. “As primeiras lavouras que estão sendo colhidas estão apresentando boa qualidade, com produtividade variando entre 80 e 120 sacas por alqueire e, nos preços que estão sendo praticados hoje para o feijão preto, na faixa dos R$ 200, tem dado um bom rendimento”, frisa o cerealista.

Preferência pelo feijão preto

Anderson Majewski explica a preferência dos agricultores da região pelo feijão preto para o plantio dessa segunda safra, pois é mais resistente e mais fácil de cultivar nesse período do ano. Por conta do frio e da umidade, o feijão carioca fica mais manchado e perde a qualidade com mais rapidez. Já o feijão preto, mesmo se pegar chuva e precisar ir para um secador, praticamente, não perde a característica visual. “A produtividade é praticamente a mesma e não se exige tanto cuidado em comparação com o feijão carioca”, explica.

Em função disso, mais de 95% das áreas plantadas com feijão de segunda safra na região são de feijão preto.

Anderson Majewski acredita que o consumo de feijão preto deve aumentar nos próximos dias, especialmente pelo preço que o feijão carioca está na gôndola do mercado. Na semana passada, o produto chegou a ser comercializado junto ao produtor na faixa de R$ 420 a saca de 60 quilos. Já no supermercado, o pacote de um quilo passou de R$ 10. “O preço do feijão preto está mais abaixo e, com isso, deve ocorrer uma migração para o feijão preto, em função de ser um produto mais em conta”, salienta.

Redução no plantio

Ele destaca que esse aumento no preço do feijão carioca se deve à escassez de produto no mercado. Anderson Majewski acredita que cada vez mais o plantio do feijão será seletivo, ou seja, poucos são os produtores que continuarão apostando na cultura. Além disso, a primeira safra de feijão, que era tradicional na região, vem sendo reduzida, pois os produtores priorizam o plantio de soja, enquanto o preço da saca estiver acima de R$ 100 e, com isso, as áreas de feijão das águas vão desaparecer.

Deral

O técnico administrativo do Deral (Departamento de Economia Rural), ligado ao Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento de Pitanga, Marcelo Serbai, informou que, nos 9 municípios jurisdicionados ao núcleo, a área estimada de plantio do feijão de segunda safra foi de 5.650 hectares, um aumento de 10% em comparação à safra anterior. A área já supera o plantio de primeira safra que, até a alguns anos, era o mais tradicional e, no ciclo 21/22, foi de apenas 3,8 mil hectares.

Até o momento, o Deral de Pitanga estima que 33% da área foi colhida e que a produtividade média está em torno de 84 sacas por alqueire ou pouco mais de 2 toneladas por hectare. “Em sua maioria, as lavouras do feijão de segunda safra se encontram em fase final de maturação, mas ainda temos cerca de 30% das lavouras em fase de preenchimento de grãos e cerca de 3% de áreas em floração; ainda existe um risco de acúmulo de umidade na fase de colheita, que pode fazer brotar o feijão, e as geadas que podem prejudicar o desenvolvimento dos grãos, no entanto, a cultura do feijão vem apresentando um bom desenvolvimento e produtividade até o momento”, avalia Marcelo Serbai.

Anderson Majewski comenta sobre mercado do feijão

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