Mães falam sobre experiência de ter filho com autismo

Márcia Dias com o filho Vanderlei

Márcia Dias com o filho Vanderlei

Nesse domingo, dia 8 de maio, é celebrado em todo o Brasil, o Dia das Mães. A data serve para relembrar a importância que essas mulheres têm na vida de seus filhos. Muitos lamentam o fato de não ter mais sua mãe por perto, outros poderão celebrar esse domingo ao lado dela ou alguns vão ligar para tentar matar um pouco a saudade. Em comum, é o amor que todas demonstram por seu filho, afinal amor de mãe não tem Igual.

Mas não tem como negar que algumas mulheres se superam na dedicação aos filhos. São aquelas que são mães de filhos especiais. Entender de onde essas mulheres conseguem tirar forças para superar as dificuldades de cuidar de uma criança que necessita de dedicação quase que exclusiva é algo difícil de compreender, a não ser pelo amor maternal.

Como forma de homenagear todas as mães, nesse 8 de maio, o jornal Paraná Centro conversou com três mulheres que são mães de filhos com autismo. Uma condição de saúde caracterizada por déficit na comunicação social e de comportamento ainda com poucas informações, mas que mostra como ter uma mãe ao lado é fundamental para que essas crianças possam evoluir e conseguir conviver um pouco melhor com essa condição.

Ângela Guimarães é mãe de Kauan de Souza Guimarães Rosa e relata que recebeu o diagnóstico que o filho era portador de autismo aos 3 anos e meio de idade, mas ela diz que, desde os quatro meses, desconfiava que ele era diferente. “Ele chorava muito, vivia irritado, não se socializava, assistia apenas o que gostava na televisão e comecei a perceber que ele era diferente”, cita. Junto com o esposo Vagner Trizzotti Rosa, eles foram a várias consultas e especialistas, mas apenas quando eles foram para Santa Catarina é que tiveram o diagnóstico de autismo do filho. “Claro que a gente não recebe muito bem essa notícia, mas, de certa forma, eu já estava preparada, pois já desconfiava que pudesse ser algo relacionado a isso; mas meu marido sentiu mais e, aos poucos, ele foi entendendo. Eu tive que deixar meu trabalho de 22 anos para me dedicar exclusivamente ao meu filho”, frisa.

Nicolas e Eliane Bonfim

Nicolas e Eliane Bonfim

Ela comenta que a dedicação ao filho precisa ser 100%, pois apesar de agora ele ser um adolescente, para muitas coisas, ainda é inocente e tem algumas atitudes de criança. “Para os estudos, a mente dele é evoluída, é bom de matemática, mas só conseguiu sair das fraldas aos 7 anos e ainda tenho que ajudar em muitas coisas que ele não consegue fazer sozinho”, explica.

Atualmente, Kauan está na Apae e tem apresentado uma excelente evolução, tanto na escola como em casa. “Ter um filho especial não é algo fácil, a gente precisa ser muito dedicada e ter muito controle psicológico, mas o principal é o amor que precisamos dar”, frisa.

Marcineide Dias dos Santos é mãe de dois filhos, e o mais novo, Vanderlei dos Santos Ferreira, de 6 anos, há três anos tem o diagnóstico de autismo.

Ela disse que, com seis meses de idade, as funcionárias do projeto Criança Feliz faziam o acompanhamento dele, nas não conseguiam identificar o que ele tinha. “Eu percebia que ele era diferente, mesmo com seis meses, ele ainda não sentava, não ficava firme e eram bem molinho; me deram o encaminhamento para a Apae, mas eu não fui, porque não acreditava que meu filho tivesse esse problema”, relembra a mãe.

Ela disse que só começou a acreditar que o filho poderia ser autista quando ele entrou na creche e sempre recebia ligações da escola dizendo que ele não queria comer, não usava o banheiro, não brincava, não interagia com outras crianças e ficava muito isolado. Até os três anos, o pequeno Vanderlei não falava e, após consulta com uma fonoaudióloga, ela entendeu que o problema poderia ser um pouco mais sério e fez o encaminhamento para um neurologista, que realizou o diagnóstico de autismo e o encaminhamento para a Apae. “No começo foi assustador, pois como toda mãe, você não espera por isso, mas como Deus deu, ele conhece o meu coração; mas foi muito difícil, pois nunca tinha visto falar em autismo e não sabia o que era”, relata Marcineide Dias.

A mãe conta que antes do filho entrar para a Apae, ele se auto agredia, dava socos na própria cabeça, não dormia direito à noite e chorava o dia todo. “Mas depois que ele começou a ter o acompanhamento pela escola de Educação Especial, melhorou muito; ainda tem dificuldades de interação com outras crianças e continua muito seletivo para comer e, muitas vezes, tem que se esconder para se alimentar, mas percebo uma evolução”, relata a mãe.

Kauan e Ângela Guimarães

Kauan e Ângela Guimarães

No entanto, ela comenta que precisou mudar toda a sua rotina de trabalho, teve que parar de trabalhar, pois o filho vivia doentinho e ainda depende dela para muitas coisas. “Meu amor por ele cresceu ainda mais, apesar dele não aceitar beijo e abraço, ele é muito apegado a mim e demonstra carinho do jeito dele”, frisa.

Eliane Vieira Bonfim e Nilson Bonfim são os pais de Nícolas Bonfim, 17 anos, que é aluno do Colégio Estadual Barbosa Ferraz e que começou a trabalhar como estagiário na 22ª Regional de Saúde de Ivaiporã. Ela conta que começou a perceber que o filho tinha algumas características que indicavam autismo. “Levamos a alguns profissionais, quando ele tinha entre um ano e meio e dois anos para avaliação, mas todos diziam que não era autismo, que era normal para idade dele; quando veio o diagnóstico, já por volta dos cinco anos, estávamos preparados, aceitamos e compreendemos a condição dele como autista”, cita a mãe.

Ela explica que o autismo não é uma doença, mas sim uma condição que afeta o comportamento e a comunicação social, onde o indivíduo apresenta movimentos repetitivos e estereotipados e, muitas vezes, desenvolve habilidades em uma área específica. “Para lidar com esta condição, buscamos forças em Deus e entendemos que o Nícolas foi um presente Dele nas nossas vidas e todos os dias Ele nos ensina como cuidar de uma pessoa tão especial”, salienta a mãe.

Ela relata que o filho tem acumulado várias conquistas. “Temos muita gratidão a Deus em primeiro lugar e a todos os profissionais que passaram por sua trajetória. Cada pedacinho da sua vida teve a participação de alguém especial, começando de casa, onde meu esposo, nossos filhos e eu como mãe tivemos um papel muito importante neste processo, pois dispensamos a cada dia atenção, paciência e amor a ele. Mesmo com suas limitações, demonstra muito esforço e determinação, sonhando e planejando seu futuro”, finaliza a mãe.