Alexandrina e Oscar Pires contam trajetória no município

O casal de pioneiros Alexandrina Rosa Pires e Oscar Francisco Pires chegou ao município de Jardim Alegre em 1958 para trabalhar na agricultura, mas pouco tempo depois, Oscar Pires se dedicou a outras atividades, como olaria e construção civil.

Oscar Pires é nascido na cidade de Palmital (SP) em 29 de agosto de 1923, filho de Pedro Francisco Pires e Rosa Luiza do Carmo; ele morou durante muitos anos na cidade de Califórnia, onde conheceu Alexandrina Rosa Pires, que é nascida na cidade de Tababuã (SP), em 12 de novembro de 1932, filha de Rufino Rodrigues Nascimento e Deolinda Rosa. Ela veio para o Paraná aos 8 anos, com a família, que se estabeleceu na área rural de Califórnia.

Eles estão casados há quase 70 anos e tiveram 8 filhos: Osmar, Denilson, Cleuza, Marli, Marlene, Hélio, Carlos e Nilcéia; 19 netos, 34 bisnetos e 2 trinetos

Alexandrina e Oscar Pires

Alexandrina e Oscar Pires

Paraná Centro - Que atividade sua família fazia em Califórnia e até que ano morou lá?

Alexandrina – A nossa família trabalhava na roça e plantava arroz, feijão, batata e cebola, e veio para Jardim Alegre para continuar trabalhando na roça, em 1958.

Paraná Centro - Como a senhora conheceu seu marido?

Alexandrina – Eu conheci o Oscar em Califórnia; na época, eu tinha um irmão que jogava futebol e fui com ele em um jogo; ele chegou no Oscar e perguntou se ele pagava um guaraná e o Oscar disse que só pagaria, se meu irmão tivesse uma irmã bonita; meu irmão disse que tinha e o Oscar pediu para mandar uma lembrança para mim. Éramos em três irmãs, mas o Oscar achou que eu era a mais bonita. Começamos a namorar e, em quatro meses, nos casamos e, no ano que vem, fazemos Bodas de Cristal, vamos comemorar 70 anos de casados. Eu me casei com 21 anos.

Paraná Centro - No que o senhor trabalhou quando veio para o Paraná?

Oscar Pires – Eu vim para Califórnia trabalhar com olaria, mas também trabalhava como pedreiro e carpinteiro; e fui trabalhar na lavoura, por um período bem curto, assim que me casei.

Paraná Centro – E como o senhor começou a trabalhar em olaria?

Oscar Pires – Isso vem dos meus pais, que já mexiam com isso, mas trabalhei com outras coisas também, até cheguei a fabricar aliança e anel usando moeda como base e várias pessoas casaram com as alianças que eu fiz; eu mesmo casei com uma aliança que fabriquei.

Paraná Centro – O que motivou a mudança de vocês para Jardim Alegre?

Alexandrina – Na época, tínhamos três filhos e esperávamos que aqui fosse melhor. Compramos um sítio na região do Monte Alto, de dois alqueires e meio, onde ficamos por uns quatro anos; depois fomos para a Água dos Patos e compramos um sítio um pouco maior, de cinco alqueires. Enjoamos da roça e viemos para Jardim Alegre, onde estamos até hoje. Mas o Oscar trabalhou pouco tempo no sítio e e depois foi trabalhar com olaria.

Reunião dos filhos com o casal, em imagem de 10 anos atrás

Reunião dos filhos com o casal, em imagem de 10 anos atrás

Registro do casamento de Alexandrina e Oscar Pires, que comemoram em 2022 Bodas de Cristal

Registro do casamento de Alexandrina e Oscar Pires, que comemoram em 2022 Bodas de Cristal

Paraná Centro – E o que vocês lembram da mudança de Califórnia para Jardim Alegre?

Alexandrina – Viemos de caminhão, a estrada era de terra, mas conseguimos chegar até o sítio no Monte Alto com as mudanças; ainda não tinha a ponte sobre o Rio Ivaí e nós passamos de balsa sobre o rio.

Paraná Centro – Como foi a adaptação da família em Jardim Alegre?

Alexandrina – Nós nunca tínhamos saído de perto da família e, no começo, achamos um pouco difícil. Mas quando temos amizade com as outras pessoas, em qualquer lugar vivemos bem. Nunca tive inimizade com ninguém em minha vida.

Paraná Centro – Onde ficava a olaria que o senhor trabalhou em Jardim Alegre?

Oscar Pires – Fica a uns três quilômetros da cidade. Na época, aqui tinha várias olarias, mas nós alugamos a nossa para uma outra pessoa, que pagava renda. A olaria chegou a produzir cerca de 1,5 mil tijolos de barro por dia. Eu tinha uma bicicleta e ia bem longe para trabalhar, cheguei a ir até Cruzmaltina para construir casa e ajudei a construir as casas populares, onde hoje é o Conjunto José Pachulski. Até que sofri um acidente e tive que parar de trabalhar.

Paraná Centro – O que existia em Jardim Alegre, quando vocês chegaram?

Alexandrina – Não havia praticamente nada. Tinha alguns bares, um local que vendia fumo, as pessoas pegavam o ônibus no meio da rua, tinha um restaurante bem na saída da cidade, não tinha asfalto, não tinha energia elétrica e a gente iluminava a casa com lamparina; e para sobreviver, plantava arroz. Uma vez plantamos 23 litros e conseguimos colher 25 sacas de arroz, era uma lavoura linda, e tudo era para consumo da família e o excedente era vendido. Depois, quando fomos para o sítio na Água dos Patos, a mata fechada. Na propriedade tinha muito pinheiro e meu marido derrubou; no começo, ele saía do Monte Alto e ia até a Água dos Patos para derrubar as árvores e tirar as tábuas para construir um “ranchinho” pequeno, para a gente mudar e depois fazer a casa boa. Infelizmente, hoje não existe mais nada nesse local. A casa onde moramos depois era maior, tinha três quartos, sala, cozinha e os cômodos eram grandes. Na época, o Oscar trabalhava como pedreiro e eu trabalhava na roça praticamente sozinha e meus filhos também ajudavam na roça

Paraná Centro – Como foi o episódio da compra do carro?

Alexandrina – Um dia, o Oscar saiu para comprar uma casa em Jardim Alegre, para a gente morar e ele não voltava. Começamos a ficar preocupados, lá pelo meio da noite, vimos um carro se aproximar do sítio com os faróis acesos; e eu e minhas filhas ficamos muito preocupadas, e daí vimos que era o Oscar chegando em um carro. Ele disse que não tinha achado uma casa para comprar e resolveu comprar um carro, mas ele não sabia dirigir. Teve que pedir ajuda para uma pessoa trazer o carro. Depois de um tempo, ele vendeu o carro; ele tinha uma bicicleta, que deu de entrada em uma casa, onde hoje é o Móveis DuMauro. Depois, nesse local, abrimos uma quitanda, onde também funcionava um bar. Na época, o Osmar Pires e o Denilson saíam vender as verduras e legumes na rua. O Osmar chegou a ter um mercado, mas depois fechou. Meus filhos sempre gostaram de fazer negócios, fazer rolo; nunca quiseram muito ir para a roça.

Paraná Centro – O que significa o município de Jardim Alegre para vocês?

Alexandrina – Hoje, o Jardim Alegre está bom demais e cada dia está melhor.