Irineu Rodrigues fala do sucesso no comércio de Jardim Alegre

Irineu Rodrigues – proprietário da Casa Rodrigues

Irineu Rodrigues – proprietário da Casa Rodrigues

Paraná Centro – Em que ano vieram para Jardim Alegre?Paraná Centro – Em que ano vieram para Jardim Alegre?

Irineu Rodrigues – Nós chegamos aqui na região em 1958, quando eu tinha 5 anos de idade.

Paraná Centro – Vieram de onde?

Irineu Rodrigues – De Califórnia, onde nasci.

Paraná Centro – O que se recorda dessa viagem e o que seus pais faziam lá em Califórnia?

Irineu Rodrigues – Meus pais sempre foram produtores rurais. Nós chegamos no Monte Alto, onde é do meu irmão Zé Côco, passamos a infância e, em 1969, viemos para a cidade.

Paraná Centro – O que vocês plantavam?

Irineu Rodrigues – Plantávamos milho, café, arroz, feijão. Me recordo de uma passagem de quando a ponte do Rio Ivaí era balsa e ela era alta, me recordo que um caminhão saiu, não aguentou subir e teve que voltar de ré, com aquele poeirão, isso me marcou.

Paraná Centro – Isso aconteceu quando vocês estavam vindo de mudança?

Irineu Rodrigues – Sim. Aqui na época passava um ônibus de linha que vinha de Apucarana de manhã, em frente de casa, ia para Ivaiporã e à tarde voltava. Nosso sítio era na beira da rodovia.

Paraná Centro – O sítio tinha quantos alqueires?

Irineu Rodrigues – O sítio tenha seis alqueires, quando chegamos lá era mato e tivemos que derrubar para plantar café, feijão, arroz, milho, batata e alho.

Paraná Centro – Tinha muita casa em volta?

Irineu Rodrigues – Não, eram todos sítios pequenos, na época tinha muitos habitantes na região, que moravam em algumas casinhas, inclusive, em 1962, meu pai comprou um Jipe para trabalhar como taxista e era ele o responsável por trazer as pessoas do Monte Alto para o médico. Aliás, teve um menino de Lidianópolis que nasceu dentro do Jipe do meu pai, porque a mulher entrou em trabalho de parto antes de chegar na cidade.

Paraná Centro – Vocês vieram para a cidade em 1969 e qual a primeira lembrança que você tem de Jardim Alegre?

Irineu Rodrigues – Na avenida principal da cidade tinha a rodoviária, um restaurante, meia dúzia de casas, ainda era patrimônio dos Machados e em 1967 veio eu, meu irmão Zé Côco e o outro mais velho de carroça, cerca de uns 10 quilômetros para fazer o ginásio em Jardim Alegre, onde hoje é o Colégio Anita Garibaldi. Fui aluno da 1ª turma de ginásio de Jardim Alegre, na época, tinha que fazer prova de admissão para entrar no ginásio. Orlando Pessutti era um dos meus colegas de turma da época.

Imagem da notícia.

Paraná Centro – Quando vocês chegaram ao Monte Alto já tinha escola?

Irineu Rodrigues – Fiz o primário no Monte Alto, minha primeira professora foi Aparecida Azevedo Germano.

Paraná Centro – Qual foi a motivação para vocês deixarem o sítio para virem morar na cidade de Jardim Alegre?

Irineu Rodrigues – Meu irmão trabalhava de empregado na loja de um português, irmão do dono da Casa Primavera, em Ivaiporã, e como nós não gostávamos de morar no sítio, meu pai decidiu vender para comprar a loja do português, aqui em Jardim Alegre.

Paraná Centro – E o que era vendido nessa loja?

Irineu Rodrigues – Ele vendia secos e molhados, entre produtos como macarrão, bacalhau, cebola, batata e farinha ensacada. O meu irmão Osvaldo, que me ajudava na loja, resolveu montar uma cerealista, pois mesmo no sítio, meu pai já negociava e comprava cereais. Nossa renda não era só do sítio de seis alqueires, e eles abriram um armazém de cereais e a loja ficou comigo, eu tinha 19 anos na época; fui liquidando os secos e molhados e transformando em uma loja de materiais de construção.

Paraná Centro - Como você percebeu que migrar para o ramo de materiais de construção seria melhor do que continuar no gênero alimentício?

Irineu Rodrigues – Porque na cidade não tinha loja de material de construção, além da Casa Silva e, na época, tinha muito estabelecimentos tipo mercados maiores que a nossa venda e, para não perder tempo, fui transformando em loja de material de construção.

Paraná Centro – Na época, já tinha muita obra de alvenaria?

Irineu Rodrigues – Tinha, mas eram poucas; a maioria das casas era de madeira e o que mais vendia na loja era a parte de ferragem como pregos, ferramentas, telhas, cimento, cal, que vinha a granel e era ensacado para levar para o cliente.

Paraná Centro – Como a empresa sobreviveu tantos anos no ramo e, principalmente, conseguirem crescer com as diversas crises que tiveram que superar?

Irineu Rodrigues – Sempre tivemos muito conhecimento com o pessoal da região, trabalhamos honestamente e nosso conceito foi crescendo perante a cidade e os clientes. Eu era o chefe, mas a loja estava no nome do meu pai, eu estava com o pé no freio e ele com os dois pés; um dia cheguei e falei para ele me dar uma procuração para que não precisasse assinar tudo para mim, ele não deu, então eu tive que ir devagar. Quando ele se separou da minha mãe, em 1986, ele passou o estoque da loja para o nosso nome e trabalhamos na loja eu e o Jair, meu irmão, além do meu sobrinho, que trabalhava na parte de informática, foi quando deu um salto de qualidade para a loja na questão de informatização dos inúmeros itens que eram comercializados.

Paraná Centro – Qual a importância e quanto o Jair contribuiu para o crescimento da loja?

Irineu Rodrigues – É um conjunto, o mérito não é só meu nem só dele, somos um grupo, uma equipe que deu certo e a tendência é só prosperar. Crescemos muito na parte de construção.

Irineu, Leonice, Conceição (mãe), Nato, Helena e Guela

Irineu, Leonice, Conceição (mãe), Nato, Helena e Guela

Paraná Centro – Além de Jardim Alegre, vocês atendem os municípios da região?

Irineu Rodrigues – Nós vendemos para Ivaiporã, Lunardelli, Lidianópolis, São João do Ivaí, enfim, a região toda.

Paraná Centro – Como empresário, você sempre foi muito conhecido na sociedade. Chegaram a convidá-lo para entrar na política?

Irineu Rodrigues – Fui convidado várias vezes, mas nunca me envolvi porque em Jardim Alegre quem tinha dinheiro e entrou na política saiu quebrado, porque a pessoa deixa o patrimônio na mão de funcionário, além disso, você é respeitado como empresário, mas entra na política e não presta mais.

>Paraná Centro – Você teve envolvimento em entidades como Rotary, Clube da Piscina, Associação Comercial?

Irineu Rodrigues – Fui convidado, mas nunca participei.

Paraná Centro – O que representa Jardim Alegre para você e o que sua família representa para a história do município?

Irineu Rodrigues – Creio que pessoalmente e para minha família, Jardim Alegre foi uma bênção, acredito que contribuímos com geração de empregos, impostos com o município no qual vivemos desde os anos 70 e ajudamos no crescimento da cidade, além da amizade que fizemos com os inúmeros clientes ao longo dos anos. Mesmo na pandemia, conseguimos inaugurar uma loja e, hoje, somos um dos maiores geradores de emprego do comércio de Jardim Alegre, com quase 30 funcionários.