Um legado e exemplo de superação

O pioneiro Claudionor de Souza Rego nasceu em Macaúbas (BA) no dia 4 de maio de 1926. Foi casado com Vandir Teixeira de Souza, que faleceu em 2015. O casal teve nove filhos: Matilde, Fátima, Maria, Valmir, Geni, Valdeir, Lidia, Paulo e Sérgio. Ao todo, são 25 netos, 18 bisnetos e 1 tataraneta.

Claudionor e a filha Geni

Claudionor e a filha Geni

Paraná Centro – Em que ano o senhor veio da Bahia para São Paulo?

Claudionor – Vim da Bahia para São Paulo em 1944.

Paraná Centro – Onde o senhor morava antes de vir para o Paraná?

Claudionor – Vim de Lins (SP) para Apucarana, onde tive uma desavença com meu patrão, após vender uma colheita de café para um agiota que deu cheque frio, fui mandado embora e vim para Jardim Alegre, em 1963, sem nada com sete filhos para criar. Morei na rua do antigo cinema, em uma casa dos fundos, toda de chão, de madeira, com poeira, o lugar ainda era um patrimônio, a cidade estava nascendo.

Paraná Centro – Por que veio para o Paraná?

Claudionor – Na época, a gente saía sem rumo, mas eu vim apostando numa vida melhor para trabalhar, pois estava no auge as lavouras de café.

Paraná Centro – Por que o senhor decidiu vir para Jardim Alegre?

Claudionor – Quando eu vim da Bahia com o meu irmão mais velho, ele recebeu uma proposta para Rosário do Ivaí, mas eu não quis ir. Saímos de Apucarana, viemos juntos até Cruzmaltina e cada um foi para um lado.

Paraná Centro – Qual o motivo de não ter acompanhado seu irmão em Rosário do Ivaí?

Claudionor – Achei que Rosário era um lugar com muita montanha, morro e resolvi vir para Jardim Alegre, um lugar mais bonito, com uma vista melhor e mais amplitude.

Paraná Centro – Quando a família chegou em Jardim Alegre, qual foi a primeira atividade?

Claudionor – Chegamos com grandes dificuldades financeiras, com poucas coisas de valor e praticamente a roupa do corpo. Eu trabalhava de saqueiro em uma cerealista e era o único recurso que tinha para pôr o pão na mesa dos filhos. Depois fui tocar um sítio de 20 alqueires, na Água dos Patos.

Paraná Centro – Quais as lembranças que o senhor tem da chegada a Jardim Alegre?

Claudionor – Era uma cidade bem interiorana, confortável, calma, tranquila, não havia asfalto, tantas construções. Tenho boas lembranças, é uma vida inteira e uma história com a cidade crescendo.

Paraná Centro – Quanto tempo depois da sua chegada conseguiu arrumar esse emprego no sítio?

Claudionor – Foi bem rápido, nós não ficamos muito na cidade, na época. Fomos abrir o sítio, derrubar cinco alqueires de mato e, posteriormente, plantar café. Meus filhos andavam 5 quilômetros até a cidade para estudar. Depois, comprei um sítio no patrimônio dos Baianos, onde minha filha Geni foi professora.

Paraná Centro – O senhor, mesmo com as dificuldades, incentivava seus filhos a estudar e os levava para a escola. A que se deve essa atitude?

Claudionor – Devido à formação que meu pai me deu, ele pagava um professor para me dar aulas em casa e sempre fez parte da minha cultura querer que os filhos fossem letrados. Além dos filhos, eu fazia o transporte de alguns vizinhos com meu jipe e, enquanto esperava os filhos saírem da escola, fazia política na casa dos senhores Alzemiro e Messias.

Paraná Centro – Chegou a ser candidato?

Claudionor – Fui uma vez candidato a vereador, mas só pedia voto para o partido e para o candidato a prefeito que, na época, era o senhor Alzemiro Rech.

Paraná Centro – Qual o exemplo que o senhor deixou para seus filhos?

Claudionor – O exemplo é de uma pessoa guerreira, lutadora, que não desanima diante dos fracassos, a cada tombo que levamos temos que nos reerguer e aprender as lições, além de garra, coragem, determinação e ser trabalhador.