Escassez de fertilizantes pode impactar planejamento para safra de verão

Luiz Carlos Zampier, presidente do Sindicato Rural de Pitanga

Luiz Carlos Zampier, presidente do Sindicato Rural de Pitanga

A guerra entre Rússia e Ucrânia tem causado muitas preocupações aos produtores rurais brasileiros, que estão tendo dificuldades para planejar as próximas safras. Isso porque o Brasil é um dos principais compradores dos fertilizantes produzidos na Rússia, principal produtor mundial, especialmente de adubos formulados, mas também da matéria-prima para os chamados adubos simples como o nitrogênio, potássio e fósforo.

Como a Rússia tem sofrido embargos econômicos de diversos países, a logística para o escoamento dessa matéria-prima tem sido um dos principais entraves para a normalização do fornecimento de fertilizantes por parte da Rússia. Além disso, como o sistema financeiro do país também sofre com restrições, os pagamentos para esses fornecedores também enfrentam uma série de restrições.

O presidente do Sindicato Rural de Pitanga, Luiz Carlos Zampier, comenta que acompanha a situação com preocupação e pontua que existem dois aspectos a serem considerados. O primeiro é saber se haverá produto disponível para os agricultores e também a questão do preço. “Atualmente, as empresas estão oferecendo o que têm em estoque e, a grande maioria, não garante compras futuras; além disso, os preços subiram demais e isso deve impactar nos custos de produção e, mesmo com a queda recente do dólar, os fertilizantes não baixaram de preço”, frisa.

Zampier explica que, historicamente, o preço do adubo era equivalente ao da soja, mas, nesse ano, o preço do fertilizante praticamente dobrou, mesmo com o valor do saco de soja bater a casa dos R$ 180. “O produtor está fazendo as contas, pois o fertilizante impacta demais no custo de produção e, se nos anos anteriores ele correspondia à praticamente metade do valor investido para implantar uma lavoura, agora será ainda maior”, pontua.

Com essa questão de indisponibilidade de produto e preço alto, muitos produtores podem reduzir a quantidade de fertilizante colocado no solo. “Cada produtor tem que avaliar seu cenário, às vezes, tem um pouco de reserva no solo e, mesmo com uma redução, pode manter um bom nível de fertilidade; mas, em outros casos, se ele não fizer a adubação recomenda, o nível de produtividade cai muito e o prejuízo é maior”, avalia.

O presidente do Sindicato Rural de Pitanga frisa que o Ministério da Agricultura agiu de forma rápida e proativa para tentar buscar alternativas para que o Brasil não sentisse a falta do fertilizante e buscou outros mercados, mesmo com a Rússia não cortando os embarques para o Brasil. “Não sabemos quando a guerra será resolvida e quanto tempo ainda vai durar o conflito, mas é importante que o produtor acompanhe o desenrolar das situações para que possa decidir o que fazer”, comenta Luiz Carlos Zampier.

Ele finaliza destacando que não acredita que irá faltar fertilizante, mas a oferta pode ser reduzida para a safra de verão.