Projeto Mulheres do Café incentiva a produção de cafés especiais na região central

Mulheres do Café da região participam de projeto desenvolvido pelo Idr-pr

Mulheres do Café da região participam de projeto desenvolvido pelo Idr-pr

Desde fevereiro do ano passado, o IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural) desenvolve o projeto Mulheres do Café, que conta com a participação de 23 agricultoras dos municípios de Grandes Rios, Lidianópolis, Jardim Alegre e Ivaiporã. O projeto é semelhante ao que já acontece no norte pioneiro e envolve cerca de 250 cafeicultoras de 11 municípios, desde 2013.

A assistente social Natália Duarte Vettor, do IDR-PR, lotada na unidade de Faxinal, mas com atuação em toda a área da regional de Ivaiporã, salienta que teve a ideia de trazer o projeto para a região, após conhecer o funcionamento no norte do Estado. “Eu entendi que aquele projeto transformou a vida de muitas mulheres e que poderia ser aplicado no Vale do Ivaí; conversei com a nossa gerente regional, Ana Maria, e junto com o agrônomo Cleverson, de Jardim Alegre, selecionamos para o projeto piloto mulheres de quatro cidades do Vale do Ivaí”, salienta.

Ela explica que as mulheres selecionadas para o projeto têm uma aptidão para a colheita manual e já trabalham na lavoura e têm conhecimento sobre a cultura.

Natália Vettor explica que o projeto teve início com o trabalho de orientação técnica, mostrando para elas que é preciso vender um diferencial para que possam agregar renda à produção. Nos meses seguintes, foram realizadas visitas mensais de orientação e assistência e, com o início da colheita, as visitas começaram a ser praticamente semanais. A assistente social relata que esse é o momento mais importante do processo, pois a colheita precisava ser grão a grão, apenas de frutos maduros derrubados no pano ou na peneira. “Elas receberam orientações sobre manejo de solo, adubação, poda, recepa e todas as informações para a produção de cafés especiais, que atualmente é a vertente que mais cresce quando se fala no consumo de café”, frisa.

Após a colheita selecionada, os grãos passam por classificação e beneficiamento e o lote volta para as mulheres, que fazem a seleção apenas dos grãos sem defeitos, que vão para a torra e classificação da bebida e das características.

Natália Vettor

Natália Vettor

Nesse processo, dois degustadores oficiais fazem a prova do café e avaliam as características de sabor e aroma da bebida e emitem uma nota. Com esse resultado, o IDR-PR realizou a orientação conforme a possibilidade de comercialização e, nesse primeiro ano, o resultado foi muito positivo. Para se ter uma ideia, em 2019, as mulheres venderam o café, em média, a R$ 6,50 o quilo. Nesse ano, com o projeto, nenhuma das participantes vendeu o café classificado por menos de R$ 30 o quilo e algumas chegaram a receber até R$ 52 pelo quilo, em função da qualidade e da bebida classificada. “Sabíamos que existia o potencial de clima e de solo e que dava para se assemelhar ao norte pioneiro e resolvemos intensificar esse trabalho, para que as mulheres reconhecessem a importância que têm nesse processo”, ressalta Natália.

Comercialização

Os cafés foram encaminhados para dois concursos e se destacaram; e também houve uma parceria com a Agroindústria Ravar, que comprou os lotes das integrantes do grupo. A expectativa é que, no mês de fevereiro, seja feito o lançamento oficial da edição especial “Mulheres do Café Vale do Ivaí”, que está sendo produzido pela Ravar. Algumas caixas do café foram apresentadas, no ano passado, em um evento realizado em Curitiba e foram rapidamente comercializadas.

Cada caixa tem 250 gramas de café torrado e moído e traz a identificação da produtora, contando um pouco de sua história e a forma como o café foi produzido. “Muitas delas ficaram emocionadas ao ver as caixinhas, pois nunca imaginaram que chegariam a esse ponto e, se para nós já foi algo especial, imagine para as agricultoras”, cita Natália Vettor.

Ela destaca que a região ainda está engatinhando nesse projeto; na região do Norte Pioneiro, já existe uma associação das mulheres que fazem essa comercialização de cafés especiais e tem a marca Mulheres do Café e a ideia é que, a médio e longo prazo, isso também ocorra na região Vale do Ivaí. “Esse é um processo um pouco mais lento, pois como existe a necessidade de ter um diferencial para essa venda, temos que certificar que a colheita e o beneficiamento são artesanais e, com isso, ainda temos uma produção pequena, mas acredito que com a organização, elas vão conseguir atender à demanda do mercado”, cita.

Dificuldades

Natália Vettor fala de algumas dificuldades que as mulheres têm passado na atual safra e que devem se repetir na safra de 2022. No ano passado, houve uma forte geada que comprometeu a produção e algumas produtoras conseguiram comercializar apenas 7 quilos do café beneficiado. “A produção foi afetada, porque tivemos três geadas durante o inverno, que comprometeu a produção e, nesse ano, há o período de estiagem; mas acreditamos que as mulheres vão conseguir comercializar esse café com um excelente valor agregado”, frisa.