Rotariano e comerciante, Alexandre Portelinha fala de seu amor por Pitanga

Alexandre Portelinha e a esposa Terezinha

Alexandre Portelinha e a esposa Terezinha

Paraná Centro – De onde o senhor veio para o Paraná? Alexandre Portelinha – Vim de Itaú de Minas para Apucarana em 1944, com dois anos de idade, quando meu pai veio plantar café.

Alexandre Portelinha – Vim de Itaú de Minas para Apucarana em 1944, com dois anos de idade, quando meu pai veio plantar café.

Paraná Centro – Ficaram quanto tempo em Apucarana?Paraná Centro – Ficaram quanto tempo em Apucarana?

Alexandre Portelinha – Não lembro ao certo, pois depois de alguns anos fui para Califórnia, mas até hoje tenho parentes em Apucarana, tenho uma irmã que ainda mora por lá. Foi em Califórnia que conheci minha esposa.

Paraná Centro – E a senhora, Dona Terezinha, de onde veio para o Paraná?

Terezinha Portelinha – Eu nasci no estado de São Paulo, na cidade de Bernardino de Campos, e viemos morar em um sítio próximo da cidade de Apucarana, a cerca de 6 quilômetros da cidade. Meus tios e meus pais vieram em 1947 também para o plantio de café e ficamos por muitos anos nesse sítio. Naquela época, muita gente vinha de São Paulo para colher café, que até era chamado de “ouro verde”. Depois do sítio, fomos morar em uma cidade chamada Santa Fé, mas moramos em vários lugares e quando eu conheci o Alexandre morava Califórnia.

Paraná Centro – E como vocês se conheceram?

Terezinha Portelinha – A primeira vez que eu o vi, foi em 2 de março de 1962. Nessa ocasião, fui com uma amiga minha fazer compras, e ela disse para a gente mudar de loja e ele estava trabalhando lá, na loja que era dos tios dele – Casa Portelinha. Depois que o Alexandre voltou do exército, começamos a namorar.

Paraná Centro – Qual era o trabalho do senhor na Casa Portelinha?

Alexandre Portelinha – Comecei a trabalhar com meus tios, que eram os fundadores da loja, que eram o César Martins Portelinha e Lino Martins Portelinha; comecei como balconista até ir para o exército, onde fiquei por 10 meses servindo em Rio Negro, na divisa com Santa Catarina; voltei e continuei trabalhando na loja.

Paraná Centro – O senhor não quis seguir carreira no exército?

Alexandre Portelinha – Tinha vontade de servir, mas para isso eu precisaria engajar e ir para Santa Maria (RS) fazer cursos de cabo e sargento e achei que não deveria ir, pois ficaria muito longe.

Paraná Centro – Naquela época o que vendia na loja em Califórnia?

Alexandre – A loja vendia de tudo, era separada por uma parede que vendia tecidos e na outra parte as miudezas, era um tipo de armazém.

Paraná Centro – E como foi o reencontro de vocês?

Terezinha Portelinha – Nos encontramos em uma festa, conversamos e ele disse que iria namorar comigo, mas eu disse que teria que primeiro conversar com meu pai. Mas no começo, eu estava insegura para namorar com ele, pois morava no sítio e ele na cidade, além que ele era sobrinho do prefeito. Mas eu pedi para o meu pai, que autorizou no namoro.

Paraná Centro – Quando se casaram?

texto bold>Terezinha Portelinha – Casamos no dia 19 de dezembro de 1965, em Califórnia, onde ficamos morando até 1970, e depois fomos para Faxinal, após o nascimento do nosso terceiro filho.

Paraná Centro – O que motivou vocês a irem para Faxinal?

Terezinha Portelinha – Os parentes do Alexandre compraram outra loja em Faxinal e ele foi para ser gerente, que era uma promoção, pois em Califórnia, era balconista. Eu me mudei para Faxinal em abril de 1970, e ele já estava por lá, pois ele foi antes do nascimento do nosso terceiro filho e, para Pitanga, ele também veio antes, em maio, e eu mudei com as crianças, em julho de 1976.

Paraná Centro – Como foi a adaptação com as mudanças constantes de cidade?

Terezinha Portelinha – Quando mudamos para Faxinal, não foi uma mudança tão grande, pois ali é bem perto, é a mesma região, mas eu achava que seria mais difícil me adaptar aqui com Pitanga, que era muito diferente, muito longe, clima e costumes diferentes. Mas eu sempre gostei de morar aqui e, desde que nos mudamos, só tivemos coisas boas. Foi em Pitanga onde eu mais gostei de morar, tivemos amigos bons, criamos nossos filhos e construímos nossa família aqui.

Paraná Centro – Como foi que surgiu a oportunidade da mudança de Faxinal para Pitanga?

Alexandre Portelinha – Nós comprávamos de um turco de São Paulo, que tinha loja aqui em Pitanga, que na época se chamava Casa das Noivas. A negociação aconteceu entre esse dono da loja e meu tio César; ele disse que a cidade era boa, que estava em progresso. Meu tio foi para São Paulo e conversou com o turco e veio aqui ver a loja. Depois ele passou em Faxinal e me disse que o lugar não era ruim e que a tendência era aumentar mais que em Faxinal. Depois de uma semana, meu tio Lino veio a Pitanga com o tio Henrique que, na época, tinha a loja em Ivaiporã e eu vim junto com eles; mas achamos o ponto muito caro e teríamos que nos desfazer da mercadoria que ele tinha na loja e também queríamos um ponto maior. Desistimos por um tempo, mas um amigo, que eu já conhecia de Califórnia e que tinha lojas em outras cidades, me ligou, poucos meses depois, e disse que tinha um ponto ideal para mim. Eu vim com o tio César para ver o local, alugando e montamos a loja – a Casa Portelinha, onde atualmente é o Palácio da Economia; ficamos neste local por mais de 20 anos.

Paraná Centro – O senhor teve grande importância para o Rotary de Pitanga. Como foi seu ingresso ao clube?

Alexandre Portelinha – Quando eu viajava com meu tio Lino para São Paulo, em todas as cidades que passávamos, tinha um clube de Rotary e eu sempre brincava com ele, que um dia eu iria jogar nesse time. Ainda em Faxinal, um dia, um funcionário que tinha ido ao Correio, me trouxe um panfleto do Rotary Internacional, que haveria uma palestra no 40 Country Club para a fundação do Rotary de Faxinal. O palestrante falou sobre o Rotary e, depois da reunião, eu fui um dos primeiros a me colocar à disposição para fundar o clube lá.

Paraná Centro – Quando o senhor veio para Pitanga, aqui já tinha Rotary?

Alexandre Portelinha – Não, mas tinha vontade de fundar o clube aqui com o amigo Joaquim do Yayá. Fomos criados juntos e ele tinha muitos conhecidos em Pitanga; nós fizemos o convite para esses companheiros e fundamos o Rotary Club de Pitanga em 1976, com 30 membros. Depois também ajudei a fundar o Rotary Clube Pitanga Avante.

Paraná Centro – O senhor ficou no Rotary um bom tempo?

Alexandre Portelinha – Bastante tempo. Ajudei na formação do Rotaract, saí por uns dois anos do Rotary Club de Pitanga e formei o Rotary Avante; além do Rotary de Palmital e Iretama, ajudei a reativar o de Manoel Ribas e a manter o Rotary Ivaiporã Integração.

Paraná Centro – O senhor chegou a ser convidado para ser governador do distrito no Rotary?

Alexandre Portelinha – Fui convidado muitas vezes, mas fui somente Governador Assistente. Cheguei a ser consultado para ser Governador de Distrito, mas a questão financeira inviabilizou essa possibilidade.

Paraná Centro – Vocês nunca tiveram problema de adaptação com o clima de Pitanga?

Alexandre Portelinha – Não. Mas presenciamos muito frio com geadas em março e novembro, o que era muito diferente do que estávamos acostumados. Como eu era membro do Rotary, tínhamos muitos amigos e viajávamos com frequência para muitos lugares, então sempre estávamos cercados de amigos. Eu e minha família amamos Pitanga, apesar do clima frio.

Paraná Centro – A Dona Terezinha sempre teve envolvimento nas promoções da igreja?

Alexandre Portelinha – Tem muita história nas igrejas. Naquele tempo, ela saía de casa em casa para pedir um bolo ou alguma outra coisa. Ela e a comadre Dirce se reuniam na igreja fazendo doces para serem vendidos nas festas da Sant’Ana. Ela também trabalhou com artesanatos e exposição no Rotary, fazia bordados na Festa de Santana e ajudava como integrante das Operárias de Santa Rita. Além disso, fomos um dos três casais organizadores da festa de São Francisco de Assis, padroeiro de Califórnia, logo depois que casamos. Tudo era produzido pelas mulheres no forno a lenha, enquanto os maridos ficavam responsáveis pela carne.

Paraná Centro – O que significa Pitanga para o senhor?

Alexandre Portelinha – Pitanga para mim foi muito bom no aspecto financeiro, de amizades, sou cidadão honorário do município, com muito orgulho. Moro nesta casa há aproximadamente 45 anos. Costumo dizer que não nasci em Pitanga, mas Pitanga está em meu coração.

Paraná Centro – Como foi sua participação no Guarani Clube de Campo?

Alexandre Portelinha – Quando vim para cá, só tinha a sede social do Clube Guarani, mas o Abel Romero e o Joaquim do Yayá queriam melhorar o clube e foram falar com um engenheiro, que pediu um pouco alto demais. Fui a Faxinal e falei com o Dr. Clóvis e ele arrumou a planta; eu ajudei a idealizar e construir a piscina do Guarani, clube do qual era sócio e sempre estive envolvido nos eventos, como por exemplo, a vinda do cantor Sílvio Brito, dentre outros, além da realização do primeiro Baile de Debutantes.