Pioneira foi uma das primeiras moradoras do Patrimônio dos Cajos

Conceição Gardin é nascida em Pitanga

Conceição Gardin é nascida em Pitanga

Nascida em Pitanga em 4 de dezembro de 1929, a senhora Conceição Alves Gardin completa em 2022, 93 anos de vida. Viúva, foi casada por mais de 60 anos com Carlos Gardin, falecido em agosto de 2017, e com ele, teve 9 filhos: Antônio, Matilde, Rosilda, Arcendino, Wilson, Mário, Carlinhos, Vera Lucia e José.

Filha de Pedro Alves de Assis e Emília Maria de Lara, também nascidos em Pitanga, ela foi uma das primeiras moradoras da localidade, onde atualmente é o Patrimônio dos Cajos. Em entrevista, ela lembra como era o município de Pitanga em sua juventude e como foi a ocupação do patrimônio onde ela morou por praticamente toda a vida.

Paraná Centro – Como a senhora foi morar no Patrimônio dos Cajos?

Conceição Gardin - Meus pais eram nascidos aqui, mas meu esposo era da cidade de Irati. Eu nasci quando meus pais moravam no Barro Preto e, com nove anos, mudamos para outra região de Pitanga, um pouco mais perto da cidade, o Patrimônio dos Cajos e, por toda a parte, era mato. Onde hoje é a cidade, tinha apenas três comerciantes, o Nicolau Schon, José Grande e o Maurício dos Santos. Esses eram comércios que vendiam de tudo, produtos por quilo. Não tinha pacotes como hoje.

Paraná Centro – Por que seus pais resolveram se mudar?

Conceição Gardin – Eles sempre procuravam um lugar melhor para produzir; saíam de um e procuravam outro. Quando a gente chegava em um lugar novo, não construía uma casa, apenas fazia um rancho de pau a pique, até porque naquela época material de alvenaria nem tinha aqui. Em Pitanga, tinha umas três lojas que vendiam produtos de alimentação, tecidos e roupas, mas poucos materiais de construção. Na cidade também tinha poucas casas. Na época, era normal derrubar as árvores e os pinheiros para limpar a área para o plantio e para fazer forros de casas e tábuas da parede; meus pais vieram para fazer o plantio e limpar a área para construir a casa e esse era um local com muitas taquaras.

Paraná Centro – O que seus pais plantavam na época?

Conceição Gardin – Eles plantavam arroz, feijão, milho, trigo, batata, ou seja, se plantava de tudo e para a alimentação da família, para vender no comércio era muito pouco. Naquela época não tinha escola e a maior parte do povo era analfabeto. Se o pessoal do patrimônio quisesse estudar, tinha que ir para a cidade e, mesmo assim, ainda em escolinha particular. Às vezes os pais desanimavam e tiravam o filho da escola.

Paraná Centro – Ainda crianças, os filhos ajudavam os pais na lida do campo, na época?

Conceição Gardin – Sim, a gente ajudava, mesmo criança, o que pudesse fazer com uma enxada ou uma foice já ajudava e ninguém ficava em casa e, mesmo se não pudesse com um facão ou enxada, ia com a mão arrancando o mato. Além disso, ajudávamos na criação de porco, galinha, mas que era apenas para a alimentação da família, pois para vender era difícil.

Paraná Centro – Como a senhora conheceu o seu esposo?

Conceição Gardin – Eu tinha 16 anos e meu marido tinha 18 anos, quando nos casamos. A família dele veio de Irati, mas é de origem italiana. Nos conhecemos e nos casamos e sempre ficamos trabalhando na área rural. Depois que casamos, continuamos morando no mesmo lugar, pois todo mundo falava que aquela colônia era da prefeitura e poderíamos morar em qualquer lugar. Eu morava perto da igreja, mas ela foi construída depois de muito tempo, pois era muito longe para ir à missa na cidade. Junto com a igreja, foi construída uma escola para dar estudo para as crianças, porque na época todos tinham que ir estudar na cidade.

Paraná Centro – Suas filhas foram professoras no patrimônio?

Conceição Gardin – Minhas filhas Matilde e Rosilda estudaram um pouco na cidade e quando já tinham um pouco de instrução, começaram a dar aula na escola do patrimônio, para que as crianças não precisassem mais ir estudar na cidade. Meu marido, inclusive, era o chefe da igreja quando começamos a construir a capela.

Paraná Centro – Por que o lugar ganhou o nome de Patrimônio dos Cajos?

Conceição Gardin – Não tinha um nome certo o lugar, mas cada um que entrou lá colocou um nome, mas tem vários nomes, alguns chamam de Patrimônio São Pedro, por causa do nome da capela, outros dizem dos Gardin, outros dizem dos Cajos, mas quando mudamos, poucas pessoas moravam lá.

Paraná Centro – E vocês vinham sempre para a cidade?

Conceição Gardin – Sim, sempre, tinha que vir para fazer compras.

Paraná Centro – Seu marido ajudou na construção da capela?

Conceição Gardin – Sim, ele ajudou muito, ele foi o primeiro presidente da capela. O nosso genro Dal Santos Neves, meu irmão Luiz Alves de Assis e o Celso Gardin foram da primeira diretoria da igreja e, antes disso, tanto para ir à missa como para estudar, tinha que ir para a cidade.

Paraná Centro – E como era essa ida à cidade?

Conceição Gardin – Geralmente, a gente ia na missa das 10h00 e de carroça ou a pé.

Paraná Centro – E o que mais vocês ajudavam na comunidade?

Conceição Gardin – Nós ajudamos muito, saíamos pedindo doações para as festas. Ficamos no patrimônio até o ano 2000, lá eu também era coordenadora da catequese para as crianças.

Paraná Centro – Como era a participação do pessoal da cidade nas festas que tinham lá na comunidade?

Conceição Gardin – No começo, as pessoas não iam muito não, mas depois de um tempo, começaram a participar. No começo, poucas pessoas não sabiam das festas, não tinha rádio e era difícil comunicar.