Representantes do Ministério da Agricultura e Seab avaliam efeitos da estiagem na região

Reunião esboça cenário da crise hídrica na região

Reunião esboça cenário da crise hídrica na região

Representantes do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Secretaria Municipal de Agricultura de Pitanga e dos Sindicatos Rurais de Pitanga e Ivaiporã e dos Trabalhadores Rurais de Pitanga participaram na segunda-feira, 10 de janeiro, de uma reunião no Centro de Eventos Araucária, para discutir as perdas e efeitos da seca em toda a agricultura da região central do Estado.

Segundo Pedro Loyola, diretor do Departamento de Riscos do Ministério da Agricultura, o objetivo da visita a Pitanga é percorrer as regiões do Paraná mais afetadas pela forte estiagem para verificar quais atividades estão mais comprometidas pela falta de chuvas, fazer um diagnóstico e encaminhar ao Ministério da Agricultura e aos demais órgãos para verificar as medidas que podem ser feitas para amenizar os problemas. A iniciativa partiu da ministra Tereza Cristina, que na próxima semana estará em Cascavel, recebendo o resultado dessas vistorias e conversando com lideranças do agronegócio do Paraná.

A comitiva irá percorrer cerca de 2 mil quilômetros em todo o Paraná, passando pelas principais regiões produtoras. Inicialmente, o diretor Pedro Loyola comenta que as perdas variam muito de propriedade para propriedade, especialmente porque as chuvas foram muito irregulares e que ainda é cedo para fazer uma estimativa de quanto a safra do Paraná será afetada. “Ainda precisamos ver o período de plantio e a severidade das altas temperaturas, pois temos regiões ainda mais críticas com relação à falta de chuva”, pontua.

Ele destaca que, ao final desse trabalho, será realizado um relatório para ser encaminhado à Conab e um documento ao Governo, para verificar as políticas que mais se adequam a essas situações, como as prorrogações e renegociações de dívidas, ou se será preciso uma medida ainda maior para mitigar os prejuízos. “Uma das primeiras medidas que o Ministério da Agricultura tomou foi conversar com as instituições financeiras e seguradoras, para que não faltem peritos a campo e que eles possam atender todos os produtores antes da colheita”, frisa.

O presidente do Sindicato Rural de Pitanga, Luiz Carlos Zampier, pontua que, em uma rápida análise, é possível afirmar que as perdas nas lavouras de soja na região de Pitanga estão na ordem de 30%, de milho variam entre 40% a 60% e os produtores de feijão já amargam uma perda de 60%, que pode ser ainda pior, caso as chuvas não voltem com regularidade.

Ele pontua, no entanto, que a situação pior é na produção de leite, que é o segundo principal produto do município e conta com mais de mil produtores, na grande maioria de pequeno porte. “Com a seca, as pastagens reduziram a oferta de forragem e o milho destinado à silagem também terá uma menor produção e, com o tempo, o custo para manter esses animais vai subir ainda mais, sem contar que o preço do leite está caindo e os produtores vão ter um longo período para amargar esse prejuízo”, pontua.

O dirigente ressalta que esses produtores têm muita dificuldade de acesso a crédito, além disso, como a renda do leite é mensal, ela é fundamental para o sustento do comércio. “O produtor já estava com dificuldades para fechar as contas e, com o preço do leite baixando e da ração aumentando, temos um cenário muito preocupante e precisamos que as autoridades municipal, estadual e federal se unam e olhem para isso”, alerta.

Zampier avaliou a iniciativa como positiva e que a reunião foi importante para expor a real situação das lavouras da região central para as autoridades do governo.