Chico Lino relembra sua história comercial e esportiva no município

Francisco Silva de Oliveira, o conhecido Chico Lino, 68 anos, nascido no município de Mirante do Paranapanema (SP), em 29 de novembro de 1952, veio para Ivaiporã no começo da década de 60, acompanhando os pais, Manoel Lino de Oliveira e Luiza Silva de Oliveira, além dos três irmãos. No município, casou-se com Célia Pinheiro de Oliveira, há 48 anos, com quem teve os filhos Fábio, Graciele e Ligia, além dos netos Cauê, Carine, Thamires, Amália e Maitê.

Em entrevista ao Paraná Centro, Chico Lino fala da sua trajetória no esporte e no comércio no município.

Chico Lino e a esposa Célia

Chico Lino e a esposa Célia

Paraná Centro - De onde você e sua família vieram para Ivaiporã?

Chico Lino - Nós viemos de Mirante do Paranapanema - São Paulo, onde meu pai era dono de um sítio, que tinha nossa casa, um campo, venda e uma escola; meu pai que era chefe de tudo. Um japonês conhecido do meu, Osvaldo Mishima, veio para Ivaiporã, abriu um armazém de cereais e falou para o meu pai: Manoel, vem para Ivaiporã, que é muito bom.

Paraná Centro - Quando seu pai veio para o município?

Chico Lino - Por volta de 1960, veio sozinho para comprar um estabelecimento comercial chamado Casa Lino, onde, atualmente, fica a Lanchonete Quero Mais. Depois, em 1970, a Casa Lino foi transformada no Supermercado Lino. Aí, em abril de 1961, pouco antes de Ivaiporã tornar-se município, eu, minha mãe e mais três irmãos, viemos para cá. Minha primeira escola foi o Colégio Idália Rocha.

Foto mostra Casa Lino construída em 1961 e o local onde foi instalado o Supermercado Lino em 1972 – hoje atual Lanchonete Quero Mais

Foto mostra Casa Lino construída em 1961 e o local onde foi instalado o Supermercado Lino em 1972 – hoje atual Lanchonete Quero Mais

Paraná Centro - O Supermercado Lino era um grande supermercado para aquela época?

Chico Lino - Na década de 70, nós tínhamos quatro supermercados em Ivaiporã e um em Jardim Alegre; mas por conta das dificuldades com a moeda da época, os comerciantes que tinham seus supermercados foram obrigados a fechar para não perder tudo. Com isso, cada filho foi exercer outras atividades e meu pai passou a trabalhar na chácara de três alqueires que ele tinha, onde fui o principal ajudante dele, plantando feijão, milho, algodão, além de uma granja de frangos, que eram vendidos na feira.

Paraná Centro - Após sair do Supermercado Lino, que outras atividades você exerceu?

Chico Lino - Ao sair do supermercado, trabalhei na Ivaicar por seis meses, em 1985; depois fui para Cuiabá, onde fiquei três anos com uma lanchonete. Retornei para Ivaiporã para montar a Lanchonete Pastelzinho, que era do lado da Holandesa, que funcionou até 1997. Em seguida, montei uma lanchonete na frente do fórum, antes de ir para Lisboa, em Portugal, no final de 1999, onde vendia empadas e coxinhas nos cafés da cidade Luz, juntamente com minha esposa Célia. Em outubro de 2002, nós voltamos para Ivaiporã e depois de mais ou menos três meses assumi a cantina do Colégio Santa Olga por três anos. Depois disso, me aposentei. Atualmente, só trabalho em casa.

Paraná Centro - Por quanto tempo você trabalhou no ramo de restaurante e lanchonete?

Chico Lino - No total, foram 13 anos, mas o auge foi na época da lanchonete O Pastelzinho, que principalmente em época de Jogos Abertos do Vale do Ivaí (Javi’s) lotava e era puxado para dar conta da alta demanda, principalmente nos fins de semana. Em época de carnaval, nós servíamos canja, que era uma referência para todas as pessoas que saíam do baile nas madrugadas.

Paraná Centro – Como foi sua trajetória no esporte de Ivaiporã?

Chico Lino - Minha trajetória esportiva em Ivaiporã começou no ano de 1965, jogando nas datas, terrenos e pastos vazios. Meu primeiro time foi o Colégio Bom Jesus, dos Irmãos, Comercialzinho (ano 70), Atlético Esporte Clube Ivaiporã, Garotos Unidos, Lindorfo Esporte Clube, Maneco Esporte Clube. Um dos jogadores mais difíceis de marcar era o craque Ubiraney. Caso deixasse dois metros de espaço para o Ubiraney jogar, ninguém conseguia segurá-lo no salão.

Paraná Centro - Como era o esporte naquela época?

Chico Lino - Naquele tempo os jogadores não se profissionalizavam, porque os pais queriam que os filhos trabalhassem e, se fossem atrás de bola apanhavam. Já tivemos muitos jogadores bons, com cerca de 20 campos de futebol, lembro com muita saudade do campo do Adail, campo do Atlético e do campo dos Irmãos, onde aprendi a jogar futebol. Nós subíamos em cima de caminhões de tora para ir jogar, foi uma época que deixa saudades e que jamais deveria passar.

Equipe dos Garotos Unidos Esporte Clube: Wanderley Cleve, Chico Lino, Zé Bezerra, Toninho Amaral, Wilson (rabudo), Botini e Luisinho; Edmundo Rother, Furquim, Pugin, Ligeirinho, Zé Balão, Furlan e Bila.

Equipe dos Garotos Unidos Esporte Clube: Wanderley Cleve, Chico Lino, Zé Bezerra, Toninho Amaral, Wilson (rabudo), Botini e Luisinho; Edmundo Rother, Furquim, Pugin, Ligeirinho, Zé Balão, Furlan e Bila.

Paraná Centro - Seu Manoel Lino não apoiava que você jogasse futebol?

Chico Lino - Ele não gostava. Em 1969, fui convocado para jogar no Atlético, aos 16 anos, mas ele não apoiava.

Paraná Centro - Quais equipes você defendeu no futebol de salão?

Chico Lino - Joguei para muitas equipes no Futebol de Salão: Comercialzinho, Garotos Unidos, Secos e Molhados, Escritório Paraná, Cooperdente. Encerrei minha carreira em 1990, no total de 35 anos de carreira.

Paraná Centro – O time que mais marcou sua carreira foi o Garotos Unidos?

Chico Lino - Nós tínhamos uma amizade muito grande, éramos unidos de verdade, íamos no cinema todos juntos e nos demais eventos sociais. Um time que marcou demais era formado por Wanderley Cleve, Chico Lino, Zé Bezerra, Toninho Amaral, Wilson (Rabudo), Botini e Luisinho; Edmundo Rother, Furquim, Pugin, Ligeirinho, Zé Balão, Furlan e Bila.

Paraná Centro – Como surgiu o apelido Canhão da Vila?

Chico Lino - Ivaiporã tinha muitos bons chutadores e eu era um desses que chutava muito forte. Em 1966, jogando contra a Amepil, na quadra do Ivaiporã Country Club, Comercialzinho x Amepil, cobrei um pênalti e o goleiro (Dirceu) defendeu, mas trincou o braço e teve que engessar.

Paraná Centro – Por toda a trajetória comercial e esportiva, o que Ivaiporã representa para você?

Chico Lino - Ivaiporã está marcada na minha vida por tudo que vivi desde a década de 60, quando a cidade estava se formando. É admirável perceber como a cidade mudou para melhor e, mesmo estando aposentado, não saio mais daqui, onde fiz muitas amizades, construí minha família e vivi grandes momentos, tanto no comércio quanto no esporte.