“...Ivaiporã está completando 60 anos de existência, e eu de 60 anos da minha chegada a Ivaiporã...”

O pioneiro Baldoíno Tenfen, nascido no dia 28 de julho de 1928, na cidade de Ituporanga (SC), é filho de Antônio Tenfen e Ernestina Gretemberg, e morou em Santa Catarina até os 33 anos, quando se mudou para Ivaiporã.

Viúvo há 6 anos, era casado com Terezinha Tenfen, com quem teve cinco filhos: Roberto e Rogério (moram no norte do Mato Grosso), Azelina (mora em Florianópolis) e Nilva e Maria (residem em Ivaiporã). Ele chegou a Ivaiporã poucas semanas antes da instalação político-administrativa do município, que aconteceu em 19 de novembro de 1961.

Em entrevista ao Paraná Centro, Baldoíno Tenfen conta um pouco da sua trajetória no município.

Baldoíno Tenfen

Baldoíno Tenfen

Paraná Centro - Qual era a atividade que o senhor fazia em Santa Catarina, antes de vir para Ivaiporã?

Baldoíno Tenfen - Sempre fomos ligados à agricultura, plantávamos feijão, produzíamos leite em uma propriedade de, aproximadamente, 20 alqueires.

Paraná Centro - Como o senhor conheceu o município de Ivaiporã?

Baldoíno Tenfen - Eu conheci Ivaiporã por acaso, no casamento de um conhecido na comunidade de Pindauvinha; fui convidado e vim participar da cerimônia. Gostei tanto da cidade que resolvi comprar alguns alqueires da companhia colonizadora da época, que era a Companhia Ubá.

Paraná Centro - Qual foi o incentivo comprar terras aqui no Paraná?

Baldoíno Tenfen - A terra aqui do Paraná é muito boa, é terra roxa, muita produtiva e o lugar que eu trabalhava lá em Santa Catarina era de muito morro, muita pedra; por isso vim para cá, sempre trabalhei na agricultura.

Paraná Centro - Como era a propriedade que comprou no município?

Baldoíno Tenfen - Em 1959, comprei cinco alqueires de terra às margens de um rio, próximo à comunidade de Água da Laranjeira, onde havia duas cachoeiras bonitas, que, inclusive, eu pedi para pintarem um quadro mostrando com era esse sítio na época. E eu escolhi esse lugar justamente por causa das quedas d’água, pois já tinha a intenção de colocar um moinho e uma pequena serraria tocada com uma roda d’água e um gerador de 12 Kva para a energia elétrica. Mas quando eu cheguei precisei derrubar a mata e abrir o sítio para começar o plantio.

Paraná Centro - E como foi sua viagem de Santa Catarina para Ivaiporã?

Baldoíno Tenfen - Eu peguei um trem na cidade de Rio do Sul até Itajaí (SC); de lá, eu peguei um avião da Varig com 30 passageiros até Curitiba (PR); depois, vim de ônibus até Ponta Grossa; em seguida, vim até Mauá da Serra e de Mauá viemos com um carro até Ivaiporã. Nunca tinha viajado de avião, foi algo bem diferente. Hoje, já fiz quatro viagens de avião para o Mato Grosso, para a cidade de Monte Verde. Vim com algumas malas de roupa e o restante das coisas deixamos para comprar aqui. Quando cheguei aqui, entrei em um rancho de safristas, com mais ou menos 20 metros quadrados, de pessoas que foram despejadas pela Companhia Ubá, e eu fiquei ali por cerca de um mês e depois construí um paiol, onde fiquei por mais tempo e, em 1964, eu construí a casa; levei a madeira até uma serraria que tinha aqui em Ivaiporã, que fez o beneficiamento para mim e, com isso, consegui começar a levantar as paredes da casa.

Paraná Centro - O senhor chegou justamente no ano que Ivaiporã estava sendo emancipada, como era a cidade naquela época?

Baldoíno Tenfen - Cheguei em outubro de 1961, na mesma época que foi eleito o primeiro prefeito de Ivaiporã, Manoel Teodoro da Rocha, e também quando foi emancipado o município. E como Ivaiporã está completando 60 anos de existência, estou completando 60 anos da minha chegada a Ivaiporã.

Paraná Centro - O que existia em Ivaiporã, nessa época?

Baldoíno Tenfen - Na Avenida Brasil havia umas casas feitas com peroba e as ruas ainda eram sem asfalto, ficava tudo no barro e poeira e aqui não tinha nada. O arquiteto da Companhia Ubá fez o mapa da cidade e, em cima dele, a cidade foi se desenvolvendo e, hoje, Ivaiporã se tornou uma grande cidade.

Paraná Centro - Até que ano o senhor trabalhou no sítio?

Baldoíno Tenfen - Há uns 16 anos, quando terminei a casa em que moro, me aposentei.

Paraná Centro - Em frente à sua casa tem duas pedra de moinho. Qual é a história delas?

Baldoíno Tenfen - Essa pedra eu trouxe de Santa Catarina e usava para moer milho e trigo. Ela foi instalada junto com uma roda d’água, que tinha mais ou menos três metros de altura e, com os maquinários, a gente conseguia moer os grãos e fazer fubá e farinha. Eu tinha comprado de alguém por lá e resolvi trazer para cá, mas não tenho nem ideia de quanto anos tem essa pedra.

Em frente à residência do pioneiro tem duas pedras de moer milho e trigo

Em frente à residência do pioneiro tem duas pedras de moer milho e trigo

Paraná Centro - O senhor também atendia os vizinhos com o moinho?

Baldoíno Tenfen - Sim, os vizinhos levavam milho e trigo para fazer farinha e fubá; muita gente que levava o milho no moinho, principalmente para fazer o fubá, já que aqui muitos vieram de Minas. O moinho era tocado pela roda d’agua, que também gerava energia para o sítio. Naquela época, praticamente ninguém tinha energia elétrica no sítio. Aqui na cidade mesmo, apenas a Companhia Ubá, que tinha um gerador de 50 Kva, que era tocado com uma turbina, que fornecia uma energia para o cinema, para o escritório da Companhia Ubá e para iluminar parte da cidade, mas era pouca coisa.

Paraná Centro - E quais os aparelhos que o senhor tinha que usavam energia elétrica?

Baldoíno Tenfen - Na época, eu tinha televisão, geladeira, algumas lâmpadas e tocava também uma máquina para ordenhar as vacas, para tirar o leite das vacas. Isso em 1963, pois eu já conhecia e tinha a base dessas coisas em Santa Catarina e, por isso, que escolhi o local onde tinha quedas d’água. A Água da Laranjeira tem uma queda de 6 metros, na verdade são duas quedas, uma do lado da outra; uma tocava o moinho e gerava energia e a outra tocava a serraria.

Paraná Centro - E a televisão, o senhor conseguia ter algum sinal de TV aqui?

Baldoíno Tenfen - Pegava pouca coisa, a antena era muito alta e a imagem ainda era preto e branco e, na época, tinha poucos canais.

Paraná Centro - O senhor também montou uma serraria?

Baldoíno Tenfen - Sim, montei uma pequena serraria em 1962; cortava a madeira para mim e para os vizinhos. Era uma pequena serraria, mas que servia para o “custeio” e ajudava em algum pequeno serviço. Depois de um tempo eu montei uma leiteira e, hoje, meu neto Geovane Boing, está tomando conta e é um dos maiores produtores de leite de Ivaiporã.

Paraná Centro - Como o senhor enxerga e evolução da cidade?

Baldoíno Tenfen - Eu nunca imaginava. Do jeito que eu conheci Ivaiporã, há 60 anos, nunca imaginei que a cidade ficaria do jeito que vemos hoje; e a parte de saúde está muito adiantada, temos bons médicos.

Quadro mostra representação do sítio da família

Quadro mostra representação do sítio da família