Ivaiporãense afirma ser acusado injustamente de assalto

Júnior Bueno e Hoesclei Lima durante visita ao Paraná Centro

Júnior Bueno e Hoesclei Lima durante visita ao Paraná Centro

O ivaiporãense Hoesclei Delfino de Lima compareceu à redação do Jornal Paraná Centro, acompanhado do advogado Júnior Bueno, e disse que está sendo acusado injustamente por um assalto, do qual ele não participou. O crime em questão ocorreu no dia 25 de julho de 2014, na agência do Correios na cidade de Iretama. Os fatos aconteceram por volta das 9h00, quando três elementos armados entraram na agência e realizaram o assalto. Um deles ficou na porta e os outros dois foram até os caixas e pegaram o dinheiro.

Pela perícia realizada com as imagens do Correios, dois dos elementos foram reconhecidos, mas o terceiro não foi. A denúncia contra Hoesclei Lima baseia-se apenas em um nome deixado em um hotel da cidade de Iretama, em que alguém assinou como sendo Esclei Delfino de Lima, mas sem imagem de quem assinou ou análise da letra da assinatura do book do hotel.

No entanto, no dia do assalto, o ivaiporãense estava na cidade de Toledo (PR), cuidando da mãe que estava doente, a 234 quilômetros do local onde ocorreu o crime.

Outro fato que chama a atenção é que Hoesclei de Lima só tomou conhecimento da denúncia e foi intimado a apresentar defesa há cerca de duas semanas, ou seja, sete anos após a ocorrência do crime. “Eu estava ministrando uma devocional para o pessoal da Apac em Ivaiporã e comecei a receber ligações de números estranhos; pouco tempo depois minha mãe me ligou e assim que terminei o trabalho com o pessoal, retornei a ligação para a minha mãe, que mora em Toledo, e ela disse que havia recebido uma notificação do oficial de justiça para que eu apresentasse uma defesa relacionada a um roubo em 2014. Pouco tempo depois, o oficial de justiça me ligou e perguntou se eu queria que o processo fosse transferido para a comarca daqui; foi quando tomei ciência da denúncia”, frisa.

Hoesclei procurou o advogado Júnior Bueno para iniciar o trabalho de elaboração da defesa. “Eu disse ao advogado que as únicas provas que eu tinha para me defender são as que eles me acusam, pois já se passaram sete anos e fica difícil lembrar em detalhes o que eu estava fazendo nessa data e nesse horário específico; a única coisa que eu sei que nessa época eu estava em Toledo, cuidando da minha mãe”, relata.

O advogado Júnior Bueno comenta que recebeu o cliente bastante assustado com tudo o que estava acontecendo e começou a analisar o caso. “Dentro desse processo, identificamos erros grotescos, que demonstram que o Hoesclei nunca deveria ter sido denunciado”, cita o responsável pela defesa.

A primeira inconsistência apontada pelo advogado é que os investigadores levaram a foto de Hoesclei, tirada do sistema do Detran-PR, para que fosse reconhecido pelas funcionárias da agência que presenciaram o assalto, mas elas não o reconheceram com participante do crime.

Com as imagens das câmeras de vigilância, o advogado pediu para que um designer de móveis fizesse uma projeção baseada na altura de Hoesclei, que tem 1,62 cm, com o suspeito que aparece no vídeo. “Ele conseguiu, baseado na altura do segundo homem que estava no vídeo e de um móvel que aparece na imagem, determinar que o homem tem 1,75 cm e que, portanto, é impossível que seja o Hoesclei Lima”, comenta.

Júnior Bueno acredita que esse erro judicial e o atraso para que Hoesclei tomasse conhecimento da denúncia está ocorrendo porque, na época dos fatos, a competência para esse tipo de investigação era da Polícia Federal, que iniciou o inquérito, mas que foi finalizado pela Polícia Civil de Iretama. “Estamos requerendo a quebra do sigilo telefônico do Hoesclei e que seja feita a captação do sinal do celular dele, na época, para ver que ele estava em Toledo no dia dos acontecimentos e também, caso não seja suficiente as provas produzidas pela defesa, que seja realizada uma perícia com a projeção de altura e também um novo reconhecimento do Hoesclei com as funcionárias do Correios”, cita o advogado.