Chuvas do final de semana devem acelerar plantio da safra de verão na região

Fernando Soster – agrônomo da Coamo de Ivaiporã

Fernando Soster – agrônomo da Coamo de Ivaiporã

As chuvas que ocorreram no final de semana estão sendo fundamentais para que os produtores rurais iniciem o plantio da safra de verão na região. Segundo a unidade da Coamo de Ivaiporã, entre os dias 1 e 3 de outubro, foram registrados 208 milímetros de precipitação pluviométrica. Para se ter ideia da importância dessa chuva, em outubro do ano passado, durante todo o mês, foram registrados apenas 61 milímetros. Outro fator importante é que a estiagem registrada em 2020 atrasou o plantio da safra de soja, que começou a ser semeada apenas depois do dia 20 de outubro. Isso impactou diretamente no planejamento dos produtores, que pretendiam antecipar o plantio para cultivar o milho safrinha dentro da janela que permitia a contratação do seguro agrícola. Como houve o atraso no plantio da safra de soja e ainda com pouca chuva, o milho safrinha também foi plantado com atraso e muitos produtores tiveram perdas consideráveis com a estiagem e a geada em 2021.

O engenheiro agrônomo da Coamo de Ivaiporã, Fernando Soster, avalia que essa chuva foi um fato muito relevante para a agricultura, de modo geral. O cenário que vinha sendo traçado anteriormente era muito ruim e uma chuva expressiva como essa, que foi constante e com bons volumes, ajuda não apenas a devolver umidade ao solo, mas também repor parte das águas de reservatórios subterrâneos, que estavam muito baixos.

A expectativa do agrônomo é que durante a semana, com o tempo mais firme, os produtores acelerem o plantio da soja até a próxima chuva, que está prevista para o próximo final de semana. “O produtor já estava esquematizando o plantio de um material mais precoce e, com essa janela, terá todas as condições de plantar o milho safrinha em 2022”, pontua o agrônomo.

Soster destaca que a previsão meteorológica aponta que o clima está sendo influenciado pelo fenômeno La Ninã, que é o resfriamento das águas do Oceano Pacífico e que a tendência é um período de menos chuvas na região sul do Brasil. No entanto, ele destaca que, caso se confirmem as chuvas do final de semana, com um bom volume, isso permitirá que a soja possa ter uma boa emergência e um volume de umidade importante, por cerca de duas semanas. Ele ressalta que a época mais complicada para a falta de chuva seria os meses de dezembro e janeiro, quando acontece o florescimento e enchimento de grãos e, por isso, precisa de um volume bom de chuvas nessa época. “O que a gente pede é que o produtor faça bem feito a parte que cabe a ele, como fazer o plantio de sementes com tratamento e controle de ervas daninhas, especialmente da buva”, ressalta o agrônomo.

Trigo

Com relação à safra de trigo, Soster comenta que 85% do trigo já foram colhidos e que a chuva não deve prejudicar as lavouras que estavam no campo. “De fato, esse trigo ainda não estava pronto e não deve representar um atraso na colheita, ainda estava úmido e não deve haver danos com as chuvas; com alguns dias de sol, o produtor vai conseguir fazer a colheita sem problemas”, frisa.