Aluna de Ariranha do Ivaí lê 32 livros durante a pandemia

Raiane de Lanes e a professora Natália Onesko

Raiane de Lanes e a professora Natália Onesko

Desenvolver o gosto pelos livros e pela leitura nos adolescentes, nos dias atuais, tem sido um desafio para os professores de língua portuguesa. A pandemia fez com que os alunos se aproximassem ainda mais do mundo digital, já que grande parte das aulas ocorreu no ambiente virtual, através dos grupos de whatsapp, reuniões via meet ou dentro das plataformas disponibilizadas pelos governos estadual e municipais.

A aluna Raiane Melo de Lanes, do 9º ano do Colégio Estadual Presidente Kennedy de Ariranha do Ivaí, aproveitou o período de pandemia para aperfeiçoar a leitura e adquirir novos conhecimentos. Desde abril do ano passado até o começo de agosto desse ano, quando retomaram as aulas presenciais, ela leu 32 livros.

Moradora no Jardim da Curva, área rural de Ariranha do Ivaí, ela estudava pelo celular, mas não tinha acesso aos livros físicos, já que a biblioteca da escola e do município estavam fechadas em função da pandemia. Mesmo com alguma dificuldade de sinal de internet, ela acessou alguns sites que disponibilizam obras gratuitas e fez o download em seu computador pessoal. “Comecei a ver a leitura com outros olhos no ano passado, quando a professora Natália Onesko me emprestou o livro Perdida, de Carina Rissi; mas com a pandemia eu comecei a baixar os livros e quando fui contabilizar, já tinha lido 32 obras e eu até me surpreendi”, conta a adolescente.

Ela disse que tem preferência pelos livros de romance, romance de época, suspense e aventura e, além do livro Perdida, a trilogia dos livros “Não Fuja, Não Olhe e Não Corra”, foram as obras que mais chamaram sua atenção. Raiane Lanes conta que ainda não sabe bem o que pretende fazer no futuro, mas destaca que quer trabalhar com edição de livro.

A professora de língua portuguesa Natalia Onesko comenta que a aluna sempre foi muito dedicada e, desde o 7º ano, sempre demonstrou muito interesse na literatura. “Gosto de trabalhar a leitura, pois dessa forma o aluno passa a ser mais independente e a Raiane sempre fez trabalhos muito bonitos, lia muito e a pandemia não atrapalhou esse gosto pela leitura e ela buscou sozinha onde poderia ler mais”, frisa.

No entanto, Natália Onesko lembra que não é fácil incentivar os alunos a desenvolverem o hábito da leitura. “Muitos alunos não querem pegar um livro para ler e tem aqueles que querem, mas têm dificuldades de acesso, porque a biblioteca estava fechada ou têm dificuldade de acesso à internet; e tentamos ajudar da melhor forma possível”, frisa.

A professora cita, porém, que são atitudes como de Raiane que fazem que a profissão de professora tenha valido a pena.

A diretora do Colégio Estadual Presidente Kennedy, Eliana Daniel Beleti, comenta que a instituição de ensino sempre contou com o projeto de leitura e que tem como principal objetivo favorecer o aprendizado, o hábito de ler e a fixação dos conteúdos específicos, aprimorando a escrita. “O contato com os livros ajuda formular e organizar uma linha de pensamento e, enquanto gestão escolar, consideramos que a leitura desenvolve a interpretação, enriquece o vocabulário, e é uma forma de adquirir informações”, pontua a diretora do colégio.

Ela elogia o trabalho feito por Natália Onesko e destaca que a professora sempre fomentou nos alunos o gosto pela leitura e compartilha com eles as experiências relacionadas ao hábito de ler. “Gostaria de parabenizar a professora Natália Onesko e a aluna Raiane Lanes por cultivarem um hábito tão enriquecedor, assim como, agradecer a todas as famílias que, neste tempo de pandemia, não mediram esforços para ajudar os filhos nos estudos”, frisa a diretora.