As folhas e o velho João!

Lá estava eu olhando o velho João, entretido em varrer as folhas secas do jardim. A área era grande, e o velho caprichava em não deixar nem uma folha no gramado.

“João,” disse eu sorrindo, “que maravilha se você pudesse, só a um desejo seu, ver todas estas folhas, de repente, empilhadas num monte...”

“E posso mesmo...”, disse o velho prontamente.

“Se você pode, vamos ver...”, desafiei.

“Folhas! Juntem-se todas!”, disse o velho, numa voz de comando. E lá continuou limpando a relva até que as folhas ficaram juntas num só monte.

“Viu?”, disse-me, sorrindo, “É este o melhor meio de vermos realizados os nossos desejos. Trabalhar, com afinco, para que aquilo que queremos seja feito...”

O incidente calou-me no espírito. Mais tarde, ao estudar a biografia dos cientistas, dos reformadores e de todos aqueles cujas obras nos parecem, por vezes, milagres deveras sobre-humanos, descobri que adotavam geralmente o sistema do velho jardineiro.

Todas as suas realizações resultaram do fato de que estes homens, desejando fortemente chegar a certo objetivo, nunca cessaram de lutar por alcançá-lo.