Presidente do Sindicato Rural fala sobre focos de vaca louca no Brasil

Luiz Carlos Zampier – presidente do Sindicato Rural de Pitanga

Luiz Carlos Zampier – presidente do Sindicato Rural de Pitanga

O presidente do Sindicato Rural de Pitanga, Luiz Carlos Zampier, concedeu entrevista ao jornal Paraná Centro e falou sobre os dois casos de registros de doença da vaca louca, reportados pelo Ministério da Agricultura. Os casos ocorreram em animais abatidos com mais de 10 anos, registrados em frigoríficos de Minas Gerais e Mato Grosso.

Zampier comenta que o Brasil é um país livre do mal da vaca louca e quem regulamenta e reconhece isso é a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal). Os focos de vaca louca acontecem, geralmente, em rebanhos que utilizam produtos de origem animal, como restos de ossos e sangue, para complementar a ração. O Brasil é reconhecido internacionalmente por ser um país que adota apenas produtos de origem vegetal na alimentação bovina, como soja, milho, pasto e minerais.

O presidente do Sindicato Rural de Pitanga explica que a idade média de abate de um animal, no Brasil, fica entre 12 e 35 meses e, portanto, é raro animais acima de 10 anos ir para frigorífico. Os organismos internacionais, ao tomarem conhecido do caso registrado no Brasil, consideraram os dois focos como atípicos e insignificantes. “Como existe um acordo internacional, o Brasil precisa fazer a comunicação aos organismos internacionais e, quando isso acontece, a exportação de carne é imediatamente suspensa”, explica Luiz Carlos Zampier.

Ele elogia a postura do Ministério da Agricultura, que rapidamente fez o diagnóstico do que ocorreu, reuniu todos os documentos e encaminhou aos organismos internacionais, demonstrando que eram focos pontuais e não uma ocorrência generalizada. “Foi encaminhado um relatório para quem importa; hoje, o país que mais compra carne brasileira é a China; e isso foi importante, pois não houve mudança no status que o Brasil tem de estar livre dessa doença”, ressalta.

A expectativa é que após analisar as justificativas, a China, que é o principal comprador da carne brasileira, possa fazer a liberação e voltar a importar.

Danos financeiros

No entanto, o simples registro de um caso de vaca louca faz com que toda a cadeia produtiva do bovino sinta as consequências, que são danosas para o mercado. “Os frigoríficos que fazem exportação ficam sem capital de giro e indústrias que abastecem o mercado interno começam a ter um excesso de carne e, com isso, ocorre uma queda nos preços pagos ao produtor”, frisa Zampier.

Os preços, que antes do problema estavam sendo negociados entre R$ 310 a R$ 315 a arroba, caíram para R$ 290, mas o consumidor do mercado interno ainda não sentiu isso na gôndola do supermercado.

Zampier comenta, no entanto, que ao verificar o mercado futuro, nota que nos últimos dias houve uma recuperação significativa das projeções e que demonstram que o mercado entende que, em pouco tempo, as exportações brasileiras voltarão. “Tudo o que o Ministério da Agricultura precisava fazer, foi feito e agora é apenas uma questão burocrática, para que, em breve, os importadores possam analisar o relatório e voltem a comprar”, cita

O presidente do Sindicato Rural comenta que o consumidor interno não precisa se preocupar com essa doença, especialmente porque o Brasil é livre do mal da vaca louca e esses casos são atípicos e não houve transmissão entre os animais.

Preço da carne pago ao produtor caiu nos últimos dias

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