Setembro Amarelo conscientiza sobre prevenção ao suicídio

Jenifer Pavan, coordenadora do curso de Psicologia da Fatec

Jenifer Pavan, coordenadora do curso de Psicologia da Fatec

O “Setembro Amarelo” é a campanha que marca o mês dedicado à prevenção ao suicídio, sendo que o dia 10 de setembro é considerado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data foi criada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial da Saúde, para chamar a atenção de governos e da sociedade civil para a importância do assunto.

O Paraná Centro conversou com a psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Fatec de Ivaiporã, Jenifer Pavan de Paula, sobre o tema. A professora explicou que a campanha é um alerta para os cuidados com a saúde mental e prevenção ao suicídio, dando maior atenção a essa temática.

O Setembro Amarelo começou nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio, em 1994. Em consequência dessa triste história, foi escolhido como símbolo da luta contra o suicídio, o laço amarelo.

A psicóloga comentou que, se por um lado é importante que a pessoa que está em sofrimento se abra para uma conversa com pessoas que ela confia, por outro lado, temos que observar o quanto proporcionamos um ambiente favorável para que a outra pessoa se sinta confortável para falar sobre determinado problema. “Ter medo ou vergonha de falar sobre a dor que está sentindo é porque de alguma maneira a sociedade não está acolhendo, por isso, é importante que façamos um trabalho não só com a pessoa que está em sofrimento, mas com todo o contexto e a sociedade de maneira geral, sem desvalidar os momentos de abertura de quem precisa de ajuda”, destacou.

Jenifer Pavan comentou que o impacto na saúde mental da população decorrente da pandemia de Covid-19 ainda será sentido por um bom tempo, o que potencializa casos de depressão, ansiedade e ideação suicida. Além disso, questões financeiras e emocionais também podem ser fatores de risco para o cometimento do ato extremo. “Quanto mais olharmos para nós mesmos e percebermos aquilo que fazemos de errado ao acolher o outro, mais vamos criar uma sociedade verdadeiramente acolhedora. É importante lembrar que a pessoa que pensa em cometer o suicídio não está querendo tirar a vida, mas a dor naquele momento é tão insuportável que ela pensa em desistir”, acrescentou a coordenadora do curso de psicologia da Fatec, que teve aumento significativo na demanda de atendimentos da clínica escola ofertado de forma gratuita à comunidade relacionados à saúde mental, além da Escuta Acolhedora. O agendamento deve ser feito pelo telefone (43) 99609-3977.

Para a coordenadora, o sentimento de felicidade não significa que necessariamente o indivíduo tenha uma boa saúde mental. “Ter saúde mental é ter capacidade de superar os momentos difíceis e aproveitar os momentos bons, ou seja, está relacionada a uma perspectiva realista e propositiva da vida, do que felicidade plena. E quando falamos da ideação suicida estamos relacionando a uma pessoa que desistiu de lutar e nos faz entender que essa pessoa não está num estado pleno de saúde mental e precisa de ajuda profissional e suporte”, completou a profissional.