Quebra significativa na safra do milho pode antecipar plantio da soja

Colheitadeiras trabalham na colheita do milho na região

Colheitadeiras trabalham na colheita do milho na região

O produtor rural Diego Henrique Castro, do município de Lidianópolis, é uma exceção entre os agricultores que apostaram no milho safrinha como cultura de inverno em 2021. Nos sete alqueires que ele plantou nessa temporada, conseguiu uma média de 150 sacas por alqueire. Mesmo com uma produtividade 50% menor do que a prevista, ele ainda é um dos produtores que mais conseguiu colher o milho safrinha na região central. “A estiagem afetou o crescimento das plantas e a geada afetou a granação do milho e, mesmo com o preço alto, a perda foi muito significativa e, no final, deu apenas para pagar as contas”, disse o produtor.

Ele ressalta que contava muito com uma produção melhor do milho, especialmente nesse ano, que tudo está mais caro. “Os insumos estão altos, tudo caro, inclusive o diesel subindo a cada semana”, salienta.

Ele comentou que um dos seus vizinhos colheu o milho danificado pela geada para fazer silagem para vacas e outros nem vão colher, vão esperar mais uns dias e passar uma niveladora por cima para fazer o plantio da soja, pois não compensa o custo de combustível para colher a safra.

O engenheiro agrônomo Sérgio Empinotti, responsável pelo Deral de Ivaiporã, comenta que, na atual safra de milho de inverno, a área plantada saltou de 51 para 90 mil hectares e houve crescimento de área do milho safrinha em todos os 15 municípios jurisdicionados ao núcleo regional da Seab de Ivaiporã.

Ele acredita que, de toda a área plantada, cerca de 31 mil hectares não vão produzir nada e, nas áreas que forem colhidas, a média de produção deve ficar entre 50 a 60 sacas por alqueire. “Em algumas áreas, o milho está tão ruim que não dá para vender; a nossa previsão que é a média fique em torno de 1,5 mil quilos por hectare”, frisa o agrônomo.

Além disso, boa parte do milho não terá padrão para comercialização e não compensa para o produtor colocar o maquinário na lavoura.

O agrônomo responsável pela unidade da Coamo de Ivaiporã, Fernando Soster, acredita que cerca de 70% da área já foi colhida, na região de atuação da unidade, que engloba também os municípios de Jardim Alegre, Arapuã, Ariranha do Ivaí e Lidianópolis. “Os primeiros milhos colhidos tinham uma qualidade razoável tipo 1 e 2, mas nessas últimas áreas, é o que já esperávamos, o milho foi atingido pela geada, quando estava em ponto de milho verde, comprometendo sua qualidade”, frisa.

Em algumas áreas, o milho não tem qualidade e não é possível nem sua comercialização. “O ideal, em alguns lugares, é que o produtor use equipamento para fazer a quebra do milho e, na sequência, faça a dessecação e o plantio da soja”, ressalta.

Soster acredita que muitos produtores irão antecipar o plantio da soja, para tentar plantar milho no mês de fevereiro. Ele comenta que quem conseguiu fazer o plantio nesse período ainda conseguiu uma colheita. Ele relata que muitos produtores estão com problema para o controle de erva daninha no trigo e a geada, que deve ocasionar perdas, faz com que o produtor de trigo fique cada vez mais desanimado. “No entanto, o agricultor não vai cometer o mesmo erro esse ano, se ele não conseguir plantar o milho em fevereiro, deve continuar om o trigo”, ressalta.

Diego Henrique Castro

Diego Henrique Castro