“Graças a Deus, não mudamos o nome, porque a Fatec faz parte da história de Ivaiporã...”

...apareceu a oportunidade da compra da Fatec em Ivaiporã. Fechamos o negócio e me apaixonei pela cidade...”

...apareceu a oportunidade da compra da Fatec em Ivaiporã. Fechamos o negócio e me apaixonei pela cidade...”

Fábio Costa, 50 anos, e a esposa Mara Costa assumiram, em 2012, a administração da faculdade Fatec, de Ivaiporã. O casal tem duas filhas Vitória e Eduarda. Com empenho e empreendedorismo, o casal trouxe novos cursos para a região, garantindo destaque à Fatec, que vive um novo momento e está se preparando para um crescimento ainda maior.

Nessa edição, a Coluna Empreendedor da Semana entrevista o diretor administrativo da Fatec, Fábio Costa, que fala, dentre outras coisas, do futuro da faculdade.

Paraná Centro - Qual sua formação e como você entrou na área da educação superior?

Fábio Costa - Eu entrei na área da educação em função da minha esposa, Mara Costa, que é pedagoga formada, há 25 anos; acabei entrando na área por acaso. Eu tinha outros negócios e ela lecionava para uma pós-graduação. Um dia, acompanhei-a em uma aula e achei interessante, entendi que poderia ser uma boa oportunidade de negócio. Em 2009, montamos a empresa para oferecer cursos na área de pós-graduação e, pouco tempo depois, apareceu a oportunidade da compra da Fatec em Ivaiporã. Fechamos o negócio e me apaixonei pela cidade e começamos a estruturar todo um desenvolvimento para essa instituição.

Paraná Centro - Como começou o Grupo Rhema?

Fábio Costa - Iniciamos a atividade com cursos de pós-graduação. Foi um feeling de oportunidade de negócios. A empresa que oferecia os cursos, para a qual minha esposa lecionava, era formada por dois senhores e um deles me procurou para vender a instituição, mas num primeiro momento não houve negócio. Mas eu procurei um amigo meu, que tinha faculdade, e perguntei se era um bom negócio. Ele falou que sim, então, pouco tempo depois, fechei o negócio.

Paraná Centro - E quais foram os primeiros cursos ofertados pelo Grupo Rhema?

Fábio Costa - Os primeiros cursos ofertados foram na área de formação de professores. Hoje, temos cerca de 90% dos cursos nessa área, sendo que o primeiro curso de especialização latu-sensu foi de psicopedagogia clínico-institucional e depois com psicomotricidade. A Mara tem muita facilidade em montar projetos e eu brinco que ela é a minha máquina de fazer projetos de pós-graduação. Conforme ela produzia, começamos a expandir; eu atuava na divulgação e vendas; criamos um modelo interessante de negócios. Em 2009, montamos duas turmas de pós-graduação. Em 2010, foram quatro turmas. Em 2011, eu tinha pedido para Deus que fossem 10 turmas e fechamos 27 turmas e até 2019, antes da pandemia, tínhamos entre 90 a 110 turmas de pós-graduação por ano.

Paraná Centro - Mas como surgiu a oportunidade de compra da Fatec?

Fábio Costa - Quem certificava os nossos cursos era a UCP de Pitanga. Nessa época, saiu uma nota técnica, que quem poderia oferecer pós-graduação eram apenas as instituições de ensino credenciadas pelo MEC. E eu era um parceiro que tinha uma instituição que me credenciava e não era o instituto em si. Tinha pedido o credenciamento da faculdade lá em Arapongas e, ao mesmo tempo, ocorria o processo de fechamento da Fatec em Ivaiporã. Em um primeiro momento, a faculdade aqui serviria para resolver o problema de certificação dos cursos de especialização, mas quando eu comprei, me apaixonei pelo negócio e a partir daí comecei a pensar na forma de estruturar esse crescimento.

Paraná Centro - Qual foi a primeira sensação que vocês tiveram quando colocaram os pés no município de Ivaiporã?

Fábio Costa - Quando entramos aqui não tínhamos nenhum aluno. Quando compramos, a Fatec estava terminando as atividades e isso foi apavorante. Chegamos e só havia o barracão, não tinha luz. Mas algo muito forte veio no coração da Mara. Ela me disse que Deus tinha colocado no coração dela que um dia aquele corredor estaria cheio de alunos; passados alguns anos, eu mandei para ela uma foto do corredor cheio de alunos que, inclusive, foi publicada, pelo jornal Paraná Centro. Foi a certeza de mais pela fé gerada por Deus no nosso coração, que nos levou a investir. Mas de fato, a primeira impressão foi assustadora. Quando fizemos o primeiro vestibular, achamos que teríamos a mesma força que tínhamos na pós-graduação, mas foram apenas 20 alunos e conseguimos montar só uma turma de graduação.

Paraná Centro - Mas como vocês conseguiram reverter esse cenário?

Fábio Costa - Acredito que foi quando fizemos os investimentos na área da saúde, com os cursos de Psicologia e Enfermagem e todo o investimento que fizemos em infraestrutura, recuperação de imagem da instituição e organização. Isso gerou uma força e fomos crescendo e, agora, temos esses novos cursos, que foram realizados em cima de estudos de mercado, com um conhecimento maior da região.

Paraná Centro - Diante desse cenário, vocês pensaram em mudar o nome da instituição?

Fábio Costa - Em um primeiro momento, pensamos em mudar o nome para Faculdade Rhema, chegamos a fazer o primeiro vestibular com esse nome de faculdade, mas descobrimos que não poderíamos mudar o nome da instituição. Nisso eu vejo o cuidado de Deus em todo o processo e, graças a Deus, não mudamos o nome, porque a Fatec faz parte da história de Ivaiporã e foi uma instituição construída por pessoas daqui da cidade, que dedicaram muito tempo, mas quando compramos houve uma demora para ganhar novamente essa credibilidade e o respeito das pessoas com tudo o que tinha acontecido. Hoje, vemos que a continuidade do nome foi muito importante para garantir o legado que já tinha da Fatec. Fico feliz em ter continuado com o nome.

Paraná Centro - Quanto a pandemia de Covid-19 afetou o processo de crescimento da Fatec e que experiências tiveram com essa situação?

Fábio Costa - A pandemia atrapalhou todos os setores de forma geral, não apenas a educação, mas também na política, na economia; isso nos trouxe uma nova maneira de pensar e olhar. O que a gente demoraria cinco anos para atingir em termos de inovação, fizemos em seis meses e essa transformação continua a cada dia, pois esse processo é dinâmico, num mundo cada vez mais digital. Esse aprendizado de forma remota e com maneiras diferentes de atingir o público, um mindset diferente. Acredito que esse processo foi antecipado em torno de três a cinco anos. Isso foi muito benéfico para a instituição e para toda a região. Vamos sair muito mais fortalecidos com um nível de resiliência, de buscar mentalidades novas e de estar mais prontos para novos desafios, muito mais do que antes. Eu olho para essa capacidade da nossa equipe de professores, que aprenderam a lecionar de forma virtual, onde eles eram acostumados com o ensino presencial, do empenho da equipe de professores, da direção-geral, administrativo e ganhamos muito em determinação e capacidade de entendimento e estamos prontos para um novo momento. Não acredito que a volta das atividades será como era antes, o ensino/educação não existe mais da forma como era. A tecnologia se faz presente. O ensino remoto se faz presente, a facilidade de aprender na sua casa também é muito importante, mas também é importante estar presente, uma busca de conhecimento geral dentro da instituição em situações práticas e vamos ter que trabalhar todos esses aspectos a partir de agora.

Paraná Centro – Como foi para equipe retornar com as aulas de forma remota?

Fábio Costa - Na quinta-feira, 19 de março de 2020, foi decretada a pandemia com o fechamento das instituições e na segunda-feira, dia 23 de março, ou seja, quatro dias depois, estávamos com a aula de forma remota e isso aconteceu em função do empenho e do amor das equipes docentes e administrativas em todas as áreas. Tivemos todo cuidado e respeito com os nossos acadêmicos e não teria virado essa chave tão rápido se não tivesse uma equipe tão comprometida. Tenho que citar a capacidade dos nossos alunos, que também tiveram que se reinventar da noite para o dia. Eles eram acostumados de uma maneira e aprender todo esse processo, mas como instituição, a nossa maior preocupação era poder ofertar para eles, o mais próximo do que tinham, para não se perderem tanto e acreditamos que conseguimos proporcionar isso aos alunos.

Paraná Centro - Você considera que foi empreendedorismo, quando trouxeram os cursos de Enfermagem e Psicologia presencial para Ivaiporã?

Fábio Costa - Olhando por esse lado, acho que é gratificante esse trabalho, porque foi muito assertivo para o desenvolvimento da região. No final desse ano, vamos formar 70 alunos na área da Enfermagem e quase 50 alunos em Psicologia. É um novo mercado de trabalho e marca um novo desenvolvimento, não apenas para Ivaiporã, mas para toda a região. Eu sempre gosto de usar a expressão que a Fatec os ajuda a serem agentes transformadores regionais e locais, onde vivem. E esses alunos, ao invés de irem estudar, se formar em um grande centro e depois voltarem, estão se formando aqui. Desde quando sonhamos com a Fatec, não me arrependo do que está acontecendo e olho para a minha instituição, com todo o investimento que foi feito, com mais cursos chegando. Estamos em uma faculdade que forma enfermeiros e psicólogos, dentro de casa, e que vão ficar para desenvolver e cuidar das pessoas da região.

Paraná Centro - Como é a expectativa com o ano de 2022?

Fábio Costa - A expectativa é muito grande, pois acredito que o ano que vem será um divisor de águas e tudo estará funcionando normalmente. Para a instituição, estamos aguardando a chegada de 9 cursos novos; 4 praticamente autorizados (Agronomia, Engenharia Civil, Arquitetura e Pedagogia), e outros 6 cursos (Biomedicina, Fisioterapia e Contábeis e os tecnólogos - Processos Gerenciais, Gestão comercial e Logística); esperamos que eles estejam aptos para serem ofertados em 2022.

Paraná Centro - E o que esses novos cursos vão representar para a Fatec?

Fábio Costa - A nossa ideia é chegar em torno de 2 mil alunos com esses cursos e a Fatec faz parte de um ecossistema e de uma regionalidade. Isso vai representar muito para o desenvolvimento da região e viemos para somar, com um ensino de qualidade e diferenciado e sempre falo que, aqui na Fatec, o aluno não é um número de matrícula, mas sim uma pessoa e que precisamos ajudá-lo a se tornar uma pessoa melhor a cada dia.