O que é pior: inveja ou mesquinhez

Havia um pavão real que era profundamente admirado pelos outros animais. O sol mal nascia e ele começava a passear pelos campos, orgulhoso da sua plumagem. Todos ficavam sempre na expectativa do momento em que ele abriria seu leque e exibiria toda a sua beleza.

Dizem que, um dia, algumas corujas forasteiras chegaram ao local. Todos as receberam muito amavelmente. O grupo de corujas ficou conversando até tarde da noite. Uma delas comentou que, perto dali, havia um faisão dourado e que ela nunca havia visto uma ave tão bonita. As outras concordaram.

O pavão, que estava ouvindo a conversa, não pôde acreditar. Certamente aquela ave tinha vários defeitos que os demais não haviam visto. Na manhã seguinte, foi procurar o faisão, porque queria vê-lo com seus próprios olhos. Ele acabou se perdendo na floresta e nunca mais foi visto.

A moral do primeiro conto sobre a inveja é quem sente inveja pensa que o mérito dos demais diminui o seu próprio.

O segundo conto sobre a inveja diz que havia um país distante no qual o rei queria saber o que era pior: a inveja ou a mesquinhez.

Para descobrir a resposta, o governante mandou chamar o homem mais invejoso e o mais mesquinho do reino. Quando os dois estavam diante dele, disse: “Cada um de vocês pode pedir o que quiser, mas eu vou dar o dobro do pedido ao outro”.

O mesquinho ficou muito incomodado. Ao pedir algo, também estaria dando algo. Algo parecido aconteceu com o invejoso. O mesquinho disse, então, que não desejava nada. Se ele não recebesse nada, o outro também não receberia. Chegou a vez do invejoso, e ele disse: “Desejo que removam um dos meus olhos”.

A moral da história é que uma pessoa invejosa está disposta a sofrer se, com isso, conseguir que o outro sofra ainda mais.

Em outro conto, um pescador vendia caranguejos perto da praia. Ele tinha dois baldes nos quais mantinha os animais. No entanto, um dos baldes estava tampado, enquanto o outro não.

Ninguém reparou nesse detalhe, até que uma mulher se aproximou para ver a mercadoria e ficou curiosa com a diferença. Ela pensou que, talvez, os animais tivessem qualidades diferentes. Então, perguntou ao pescador o motivo da diferença.

O vendedor apontou para o balde que estava com tampa e disse: “Esses são caranguejos japoneses”. Apontando para o outro balde, acrescentou: “E esses são caranguejos nacionais”. A mulher ainda tinha dúvidas. O que a procedência dos animais tinha a ver com o fato de um balde estar tampado e o outro não?

O pescador notou a confusão e se dispôs a explicar: “Os caranguejos japoneses escapam com facilidade. Quando um deles tenta sair, os demais formam uma corrente e o ajudam, até que ele consegue fugir. Por isso, é necessário colocar uma tampa no balde. No caso dos caranguejos nacionais, quando veem que um está tentando escapar, o seguram para que não consiga”.

A moral do terceiro conto sobre a inveja é que alguém invejoso prefere não conseguir nada, para que os demais também não consigam.