Grupo Kyiv organiza comemorações de 50 anos de fundação

Alfredo Schavaren, Maria Cândida Cedorak de Lima, Francisco Antônio de Lima, Verônica Cedorak e Rosilda Serbai Delgado

Alfredo Schavaren, Maria Cândida Cedorak de Lima, Francisco Antônio de Lima, Verônica Cedorak e Rosilda Serbai Delgado

O ano de 2022 será especial para a Associação Folclórica Ucraniana Kyiv de Pitanga, que vai comemorar 50 anos de fundação. Haverá uma série de eventos e comemorações pelo cinquentenário, sendo que o ponto alto será a realização do XXIX Festival Nacional de Danças Ucranianas, que deve reunir grupos folclóricos típicos de várias cidades do Brasil.

Maria Cândida Cedorak de Lima, diretora artística e coreógrafa, comenta que a associação nasceu por iniciativa do padre Taras Ulinik, que na época estava em Pitanga e resolveu organizar o grupo com jovens ucranianos e internas do colégio das irmãs e formaram a associação. Ela destaca que, apesar das atividades ficarem paralisadas alguns anos, o grupo sempre conseguiu se renovar ao longo deste período.

Rosilda Serbai Delgado comenta que participou do grupo por dois anos, nos anos 90, quando o grupo chegou a ter quase 50 integrantes. “Eu tinha 16 e 17 anos, na época, e o grupo era top, recebia professores de fora, que ajudavam nos ensaios e, apesar de não participarmos dos festivais pelo estado, sempre fazíamos apresentações nas cidades vizinhas como Manoel Ribas, Boa Ventura do São Roque, entre outras”, relembra Rosilda Delgado.

Após um período sem muitas atividades, a partir de 2013, o grupo começou a ganhar nova vida, na época que Maria Cândida ingressou ao grupo; mas foi a partir de 2016 que a associação Kyiv se fortaleceu e começou a participar de festivais por todo o Paraná. Os integrantes já se apresentaram nas cidades de Antônio Olinto, Rio Azul, Prudentópolis e Mallet, nos festivais nacionais. Em 2020, mesmo com a pandemia, eles participaram do festival organizado pelo grupo Vesná, de Roncador, com apresentação de forma online. Neste ano, pretendem participar do festival que está sendo organizado pela cidade de Curitiba.

Rosilda lembra que em 2021 estão sendo comemorados os 130 anos da primeira grande imigração de ucranianos para o Paraná, que inicialmente se estabeleceram nas cidades de Mallet e Prudentópolis e depois se espalharam por boa parte da região central. “Os descendentes de ucranianos que temos em Mato Rico, Roncador e Boa Ventura do São Roque têm uma grande ligação com a colonização de Pitanga e, por isso, consideramos que eles também descendem dos pioneiros de Pitanga”, salienta. Atualmente, a associação Kyiv conta com cerca de 40 integrantes.

Verônica Cedorak comenta que a associação tem um departamento artístico, que realiza um grande projeto de pesquisa e desenvolvimento das coreografias. Ela destaca que existe um corpo docente, professores de arte, entre outras pessoas que ajudam na parte pedagógica. “Antes de iniciar uma coreografia, é feito um trabalho de pesquisa etnográfica e cultural da região da Ucrânia que se pretende representar”, frisa.

Maria Cândida de Lima lembra que as coreografias precisam ser as mais fidedignas possíveis. “Temos a questão política, que envolve a Ucrânia e a Rússia, e a do pertencimento, e esse é um povo que se preocupa muito com esse aspecto”, relata.

Francisco de Lima comenta que o primeiro desafio de organização das comemorações para o ano de 2022 é financeiro, mas o município e associação têm buscado convênios e emendas junto ao Governo Federal e Governo do Estado para o evento. Além do festival, o ano de 2022 deve ser marcado por uma série de apresentações da associação, entrevistas, documentários, jantar, entre outros. “Pitanga tem um pé na descendência ucraniana e o objetivo nesses 50 anos é resgatar um pouco disso”, salienta.

O secretário municipal de Educação, Alfredo Schavaren, que também é responsável pelo setor de Cultura do município, lembra que a imigração ucraniana tem forte influência na colonização de Pitanga. Ele, que também é descendentes de imigrantes ucranianos, lembra que Pitanga é um dos mais ricos da região central em termos de cultura. Além dos ucranianos, também há no município descendentes de alemães, japoneses, poloneses e italianos, que se misturaram com brasileiros, como gaúchos, e até mesmo indígenas. “Ainda temos uma forte presença da agricultura familiar, que mantém vivas algumas dessas tradições”, relembra.

Schavaren ressalta que o grupo Kyiv representa uma expressão forte da cultura ucraniana em Pitanga e que o festival vai valorizar e resgatar a cultura do centro do Paraná. “Essa é uma comemoração para mostrar ao mundo o que aconteceu com a colonização de Pitanga, que foi crescendo e se espalhando por todo o Paraná. A prefeitura, reconhecendo essa importância, se coloca à disposição como parceira do evento e não vai medir esforços para que o festival aconteça no ano que vem”, cita.

Grupo se apresenta em festivais no Paraná

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