Família de Pitanga mantém tradição de preparar o melado batido

Família se reúne para a produção dos doces

Família se reúne para a produção dos doces

A família do senhor Nelson Roque Weber se reuniu no final de semana, em uma propriedade da família, para dar continuidade a uma tradição que o pioneiro trouxe do Rio Grande do Sul. Descendente de imigrantes alemães, todos os anos, a família se reúne para celebrar a tradição e produzir o melado batido e a chimia. Os dois doces são produzidos a partir da cana-de-açúcar.

Segundo o pioneiro Nelson Weber, no Rio Grande do Sul, precisamente na região de São Leopoldo, onde chegaram os primeiros imigrantes alemães, convidados pelo Governo Brasileiro para colonizarem o sul do Brasil e desenvolverem a agricultura, teve início a tradição de produção dessas duas iguarias.

Diferente do melado tradicional, que é mais líquido, o melado batido tem uma consistência mais pastosa e uma cor mais clara. Weber conta que sua família, no Rio Grande do Sul, produzia várias latas do doce, que era consumido com pão e uma importante fonte de energia. “O carro bem engraxado anda mais fácil”, brinca o pioneiro.

Chimia, melado batido e rapadura são preparados pela família Weber

Chimia, melado batido e rapadura são preparados pela família Weber

O melado batido tem a mesma consistência da margarina e é comum que as famílias de descendentes alemãs façam o consumo no café da manhã. A tradição vem sendo passada entre as gerações; os filhos de Nelson e Zenira Weber, André Weber, Clarisse Liana Weber Volski e Delia Inês Weber Dal Santo estão dando continuidade à tradição. Inclusive, Clarisse é quem fica responsável por conferir o ponto em que o melado precisa sair do fogo e começar a ser “apurado”. Nesse momento, é necessária uma verdadeira força-tarefa, onde a família começa a usar pás de madeira para “bater” o melado até que ele esfrie e fique em um ponto pastoso. “Eu participo desde criança, mas, nos últimos anos, está um pouco mais difícil de nos reunirmos, mas este ano conseguimos nos programar para fazer o doce”, relata.

Outro doce que também é produzido com a cana-de-açúcar é “chimia”. Ela é diferente do melado, e nela são incorporados outros ingredientes, como laranja, abóbora e gila, que é uma espécie de melancia, mas com uma casca mais grossa. “O caldo de cana é fervido até ficar grosso e depois são incorporadas a gila, a abóbora e a laranja, até atingir o ponto de doce, semelhante ao que se compra no mercado”, relata Inês Dal Santo.

A família comenta que a reunião anual para a produção do doce é algo tradicional e que algumas famílias de Pitanga ainda fazem. Segundo a família Weber, cerca de 200 quilos do produto foram produzidos no final de semana. “Acreditamos que isso é o resgate da cultura dos nossos antepassados e também a celebração da união da família”, comenta Clarisse Volski.

Nelson Roque Weber e esposa Zenira Weber ajudam na preparação da chimia

Nelson Roque Weber e esposa Zenira Weber ajudam na preparação da chimia