Geada provoca danos às lavouras de milho safrinha

Perdas no milho safrinha devem ficar em torno de 70%

Perdas no milho safrinha devem ficar em torno de 70%

A produção de milho safrinha, de praticamente toda a região central, foi prejudicada com a forte geada registrada na semana passada. As estimativas iniciais dão conta de perda na ordem de 60% a 70% da produção. O agrônomo da Coamo de Ivaiporã, Fernando Soster, salienta que a menor temperatura foi registrada no dia 30 de junho, com os termômetros chegando a -2,5o C na cidade de Arapuã. Em Ivaiporã, os termômetros ficaram em 0o C e foram registradas geadas em quase todas as lavouras do município. Ele destaca que é preciso esperar alguns dias para uma avaliação mais precisa dos danos, mas as perdas devem ficar em torno de 70%. A geada queimou as folhas em um momento que o milho verde estava na fase de “pamonha”. “Esperamos colher um pouco, mas a produção deve ficar entre 50 a 60 sacas por alqueire, no entanto, esperamos que esse milho ainda tenha algum valor comercial”, frisa.

Poucas eram as lavouras na região que o milho já estava secando e, nesses casos, a perda deve ser bem menor.

Uma das alternativas que o produtor poderia fazer para aproveitar o milho queimado seria cortar para fazer uma silagem. No entanto, isso deveria ter ocorrido logo após a geada, pois quanto mais seco ficar a planta, menor será o aproveitamento.

O agrônomo destaca que os agricultores que fizeram o plantio dentro do período de zoneamento e feito o contrato com seguro agrícola, terão os danos ressarcidos. Já quem não conseguiu fazer esse plantio terá que arcar com os custos.

Pitanga tem perda semelhante com o milho safrinha

No ano em que houve um aumento considerável na área de milho safrinha na região de Pitanga, os prejuízos serão grandes com a geada que ocorreu no início de julho. O agrônomo da unidade da Coamo de Pitanga, Leandro Mansano, ressalta que, no município, foram cinco dias seguidos de geadas, registradas entre 29 de junho e 3 de julho, e a menor temperatura registrada foi no dia 1º de julho, com -1,6o C. O agrônomo explica que, com a folha do milho queimada, a planta paralisa o enchimento de grãos e as espigas vão ficando chochas e miúdas, causando uma perda de peso no grão. A estimativa inicial também é de perdas na ordem de 70%. Outro problema que o frio trouxe para a região de Pitanga foi a queima das pastagens, que ficaram até mais prejudicadas que as lavouras de milho. Para manter a alimentação dos animais, o pecuarista deverá optar por silagem, complemento da ração e sal mineral. “Caso ocorram dias quentes, as pastagens podem rebrotar, mas já existe uma perda de nutrientes relacionados à alimentação dos animais a pasto”, comenta.

Trigo não é afetado

Fernando Soster comenta que o trigo não foi afetado com a geada, já que não estava em fase de formação de espigas. “Todo mundo reclamou do atraso no plantio, mas se o clima tivesse sido normal, as lavouras estariam em uma fase do desenvolvimento que a perda da produção poderia chegar a 100%”.

Ele ressalta que, até o momento, o trigo está em um dos melhores anos de seu desenvolvimento. “A cultura perfilou bem e está com um excelente desenvolvimento inicial, no entanto, os próximos 30 a 40 dias são muito susceptíveis à geada e esperamos que não ocorra nenhuma nos próximos dias”, frisa.

O agrônomo Leandro Mansano, de Pitanga, enxerga alguns benefícios indiretos à lavoura de trigo, como a redução na quantidade de pragas, como pulgão e lagartas, e algumas ervas daninhas típicas de verão, como o picão, que poderão interferir menos no desenvolvimento da lavoura.

Geada cobriu boa parte das lavouras de milho

Geada cobriu boa parte das lavouras de milho