Itaguaçu comemora a contabilização de mais de 180 mil toneladas de crédito de carbono

Imagem da notícia.

Em 2012 através do PDD – Project Design Document provou-se que a HIDROELÉTRICA ITAGUAÇU, então em implantação no município de Pitanga, evitaria que sejam emitidos gases de efeito estufa na atmosfera, sendo assim a referida usina foi certificada pela ONU no âmbito do Protocolo de Quioto para receber créditos de carbono, tendo em vista sua boa performance no quesito benefício energético x danos sócio ambientais.

Crédito de carbono

A ONU – Organização das Nações Unidas, preocupada com o excesso de emissões de gases de efeito estufa (GEEs), foi à busca de acordos internacionais no sentido de reduzir tais emissões, surgindo então o mecanismo Protocolo de Quioto.

Quando se fala do Protocolo de Quioto, significa dizer que os projetos ali certificados permitem que os países do chamado Anexo I, países ricos, signatários deste acordo, atinjam suas metas de redução de emissões através de projetos ambientalmente corretos implantados em países em desenvolvimento como o Brasil, ou de forma simples: existe um acordo entre os países ricos, que não podem reduzir suas emissões para que estes “paguem” para que projetos ambientalmente corretos sejam implantados em países em desenvolvimento.

A PCH ITAGUAÇU, recentemente, contabilizou mais de 180 mil toneladas de crédito de carbono, por meio de seu projeto ambientalmente correto. Para falar sobre isso, o engenheiro Marcos Iastrenski, que é diretor presidente, concedeu entrevista ao Paraná Centro

Paraná Centro - Quem faz a certificação?

Marcos Iastrenski - São empresas credenciadas junto a ONU, sendo que na América do Sul estão sediadas na Colômbia, algumas com escritório do Brasil.

Paraná Centro - O que é adicionalidade?

Marcos Iastrenski - É um importante conceito trabalhado dentro dos projetos que geram crédito de carbono, por meio da qual é demonstrada que a quantidade de GEEs (Gases do Efeito Estufa) liberada na atmosfera seria maior caso o “projeto candidato” não tivesse sido implantado, sendo simplista.

Paraná Centro - Quem são os compradores destes créditos?

Marcos Iastrenski - São organizações instaladas em países que aderiram ao Protocolo de Quioto e não conseguem fazer redução de suas emissões.

Paraná Cento – Como funciona este mercado?

Marcos Iastrenski - A comercialização de créditos de carbono normalmente é feita com empresas europeias; em 2012, o valor era na ordem de 7,7USD/t e havia expectativa para elevação do preço com a possibilidade de ingresso no protocolo de gigantes como Estados Unidos, China, Índia e Oriente Médio, o que não ocorreu, em consequência o preço então praticado, que, neste momento, é na ordem 3,0USD/t, frustrando adesões de novos projetos ao Protocolo de Quioto.

Paraná Centro – Quais as previsões para o setor?

Marcos Iastrenski - Os detentores de crédito de carbono não estão comercializando seus créditos na expectativa de elevação do preço já para 2022, tento em vista que haverá em breve nova conferência climática mundial, e a possibilidade de ingresso dos Estados Unidos no protocolo, tendo em vista o novo perfil de governo daquele país.

Paraná Centro - O que representa a certificação para a Itaguaçu?

Marcos Iastrenski - Para a Itaguaçu, o crédito de carbono então gerado representa o Reconhecimento Internacional de que a energia gerada por nossa usina é limpa.

Paraná Centro - Quem se beneficia com a redução de emissões?

Marcos Iastrenski - Bloqueamos a emissão de mais 180 mil toneladas de gases nocivos, ficando o planeta melhor habitável, para os mais de 7 bilhões de seres humanos que aqui vivem.

Sobre a PCH ITAGUAÇU

A pequena Central Hidrelétrica PCH ITAGUAÇU está situada no Rio Pitanga, entre os municípios de Pitanga e Boa Ventura de São Roque. A Casa de Força está no município de Pitanga, a 11,9 quilômetros da foz do Rio Pitanga no Rio Ivaí, e no Km 34 da estrada São João da Colina, distrito de Marrequinha de Baixo, na margem esquerda do rio.

A usina da PCH do ITAGUAÇU é formada por uma barragem de concreto de 12m de altura e 170m de crista, que formou um reservatório de 34 hectares, no nível máximo normal de 539,5m ao nível do mar. Esse reservatório tem uma profundidade máxima de 8,5m e perímetro de 5.187 metros. É um lago relativamente pequeno, onde todas as águas são trocadas a cada 24 horas. Seu regime operacional é “a fio d’água”, com capacidade média de reservação de água.

Todo o projeto está situado em terras próprias da ITAGUAÇU Energia S/A, em ambos os lados do Rio Pitanga. As benfeitorias privadas dos imóveis adquiridos, na área da PCH foram indenizadas. Não há indígenas, quilombolas ou outras populações tradicionais na área do projeto e na sua área de influencia.