Casais contam como iniciaram namoro na pandemia

Bruna e João Pedro estão juntos há quase 9 meses

Bruna e João Pedro estão juntos há quase 9 meses

Para o amor não existem fronteiras e, prova disso, são casais que driblaram o cenário e encontraram possibilidades de amar, mesmo em tempos tão desafiadores. Por isso, o Paraná Centro mostra histórias de quem arrumou um relacionamento sério em meio à pandemia de Covid-19.

O arte finalista João Pedro Nunes da Silva, 19 anos, e a atendente de balcão Bruna Caetano, 24, se conheceram em uma feira de tecnologia do colégio onde ambos estudavam e, num primeiro momento, passaram a trocar mensagens nas redes sociais e tornaram-se grandes amigos.

Apesar de terem amigos em comum, os jovens contaram que se aproximaram, de fato, quando começou a pandemia e os contatos pessoais diminuíram bruscamente. A troca de mensagens pelas redes sociais amenizava o isolamento social do início da pandemia e, aos poucos, fazia crescer o sentimento e aproximava o casal, em que um era companheiro do outro nos momentos de solidão, uma vez que Bruna mora sozinha e João Pedro não estava trabalhando por conta das restrições de circulação da época. “Com o tempo livre, nós conversávamos sobre muitas coisas e percebemos que tínhamos afinidades que não imaginávamos”, contou Bruna Caetano.

Nas poucas vezes que se encontravam foi em frente ao prédio em que a jovem mora e também em idas ao supermercado. Ver um rosto amigo e conversar sobre afinidades tranquilizava Bruna em um momento onde éramos bombardeados com notícias tristes de contaminações e mortes provocadas pelo vírus da Covid-19.

João Pedro revelou que a convivência com Bruna despertou o interesse dele, mas não tinha certeza se o interesse dela por ele era na mesma intensidade. Apesar da hesitação por ter passado por alguns relacionamentos que não foram bem sucedidos e da preocupação de entrar num novo relacionamento por carência ou solidão, Bruna aceitou o convite para tomar um cappuccino, no primeiro encontro mais romântico do casal. “Como ficamos muito próximos, o sentimento foi inevitável. De início, fiquei insegura, mas percebi que era um sentimento real”, descreveu.

Juntos desde setembro, partiu de João Pedro a iniciativa de pedir a amada em namoro. “Eu estava confiante, embora soubesse que ela estava um pouco relutante, até que comprei um buquê de flores, vesti um terno e fui até a casa dela pedi-la em namoro e, apesar do choque inicial e da surpresa, ela aceitou”, disse.

Para o casal, namorar em tempos de tão pouco contato físico é desafiador e exige muitos cuidados, adaptações na rotina, mais tempo em casa juntos, além da privação de programas românticos como ir ao cinema, sair com amigos, entre outras dificuldades. No entanto, eles ressaltaram que para o amor não existem barreiras. “Se for para encontrar alguém que você ama, será em qualquer lugar e qualquer circunstâncias. O importante é o respeito e namorar alguém que te faça feliz e tenha um relacionamento saudável”, comentou o casal.

Danilo e Maryane namoram há praticamente 8 meses

Danilo e Maryane namoram há praticamente 8 meses

Se parecia improvável arrumar alguém neste período tão desafiador pelo qual o mundo passa, o comediante/atendente Danilo Sanches e a técnica de enfermagem Maryane Marques se mostraram dispostos a se reinventar e tornar um casal a partir de quando se conheceram na casa de um amigo em comum. Em pouco tempo se apaixonaram e estão juntos há aproximadamente 8 meses, período em que a pandemia estava relativamente controlada.

Devido à carga de trabalho exaustiva da técnica de enfermagem, que está na linha de frente do combate à pandemia, Danilo Sanches disse que nos momentos de folga da namorada procura estar junto, apoiando e incentivando para ela não desanimar neste período tão difícil da humanidade. “É muito complicado namorar na pandemia, porque atividades que gostamos de fazer como sair e viajar estão restritas. Dessa forma, o jeito é se distrair em casa mesmo, assistindo filmes ou cozinhando juntos”, exemplificou Maryane Marques, que já contraiu a doença e teve a companhia do namorado, que não foi infectado, no período de isolamento.

Em outra situação, em que um familiar da profissional de saúde foi positivado, o casal teve que se afastar por 15 dias durante o período de isolamento. “São situações em que temos que fugir do vírus e proteger um ao outro”, destacou a técnica em enfermagem, mencionando a preocupação de passar o vírus para o namorado, além de afirmar que restrições, como o toque de recolher, dificultam os encontros do casal.

Por outro lado, uma das vantagens de namorar nessa circunstancia é que, quando possível, eles passam mais tempo juntos, possibilitando se conhecer melhor, reforçar os laços de afetividade e passar mais tempo com a família.

“Mesmo no momento mais difícil em que ela testou positivo, eu falei para a família dela que eu ficaria cuidando dela. É bom ter um companheiro para cuidar da gente, especialmente em um momento tão delicado”, afirmaram.

Edgar e Kauana já moram juntos

Edgar e Kauana já moram juntos

Para o fotógrafo e radialista Edgar de Souza, 53, e a namorada Kauana dos Santos, 21, o relacionamento começou por intermédio da prima da moça, que passou o contato para Edgar e, a partir daí, os dois conversaram virtualmente e resolveram se conhecer pessoalmente. “Posso falar que nem teve quase namoro, como diz o “santo bateu” e começamos a conversar pelo WhatsApp; como ela tem bebezinho estava difícil a gente ficar juntos, pois teria que dar atenção ao bebê e, depois de alguns meses, começamos a morar juntos”, explicou o comunicador.

Ele comentou que, pelo fato da companheira ter um bebê pequeno, os cuidados são redobrados e eles só saem de casa por necessidade e sempre com cautela. Outro fator mencionado por Edgar foi ter que ficar isolado em casa quando contraiu a Covid, em novembro, e a preocupação em não passar o vírus para a esposa e o bebê. “É difícil ficar longe, com saudades, e não poder se aproximar por conta de muitos contatos com várias pessoas, por conta de nosso trabalho. Mesmo nos prevenindo, temos que nos cuidar”, observou.

Silvia e Neuton se conheceram há 1 ano e decidiram namorar à distância

Silvia e Neuton se conheceram há 1 ano e decidiram namorar à distância

No caso de Silvia Cristina Batista, 41 anos, e do namorado Neuton Ferreira, 40, o namoro começou justamente no Dia dos Namorados do ano passado. Ele tem família em Pitanga, mas mora em Curitiba, onde trabalha como laminador de fibra de vidro; em abril, quando foi feita a primeira barreira na cidade, o rapaz perguntou a Silvia se estava tudo fechado e, desde então, a conversa rendeu e eles assumiram a relação que está prestes a completar 1 ano. “Ele veio me conhecer pessoalmente no dia dos namorados do ano passado e, com todos os cuidados, decidimos assumir o relacionamento que, nesse momento, é à distância”, frisou Silvia Cristina, que é bordadeira.