Paraná conquista status de área livre de febre aftosa sem vacinação

Paraná conquista certificação de área livre de febre aftosa sem vacinação

Paraná conquista certificação de área livre de febre aftosa sem vacinação

O Paraná foi reconhecido como área livre da febre aftosa, sem vacinação, pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O selo sanitário foi concedido ao Estado em reunião virtual comandada pela organização, em Paris, no dia 27 de maio.

O Estado já era reconhecido como área livre da aftosa pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), desde 2020, e não realizava mais a vacinação de rebanhos contra a febre aftosa, desde 2019. O último foco da doença no Paraná foi registrado em 2006.

O Estado obteve reconhecimento nacional do Ministério da Agricultura e Pecuária em agosto do ano passado e aguardava pela validação da OIE, que também reconheceu os pleitos do Rio Grande do Sul e do Bloco I (Acre, Rondônia e parte do Amazonas e do Mato Grosso). Além da aftosa, a entidade deu a chancela ao Paraná de zona livre de peste suína clássica independente.

A supervisora regional da unidade da Adapar em Ivaiporã, Maria Andreola, destacou que a certificação de área livre de febre aftosa sem vacinação é resultado de uma luta de mais de 50 anos do Governo do Estado e do setor produtivo.

Maior produtor e exportador de proteína animal do país, com liderança em avicultura e piscicultura, o reconhecimento internacional vai ajudar a abrir mercados para a carne paranaense e outros produtos de origem animal, com a possibilidade de comercialização com países que pagam melhor pelo produto, como Japão, Coreia do Sul e México. “Com isso, ganhamos alguns mercados para os quais não se exportava a carne bovina e suína. Vai alavancar bem a região Oeste e Sudoeste, grande produtora de carne suína, que vai ganhar o mundo. É um marco importante para o Paraná, porque o produtor vai ter um aumento de ganho”, disse Andreola.

A campanha de vacinação, que acontecia duas vezes por ano, foi substituída pela campanha de atualização de rebanhos. O cadastro é obrigatório para garantir a rastreabilidade e a sanidade dos animais, estendendo-se até 30 de junho dos animais equinos, bovinos, suínos e aves.

Andreola pediu que o produtor denuncie qualquer animal que entre no estado clandestinamente e informou que todo animal que for comprado ou vendido deve ter a Guia de Trânsito Animal (GTA) para ser feita a rastreabilidade. “Agora, mais do que nunca, é momento dos fiscais da Adapar fazerem o acompanhamento nas propriedades rurais para que os animais não tenham doença vesicular e, se houver algum foco, tem que ser eliminado o mais rápido possível. Os animais que entrarem no estado sem que tenham uma origem serão abatidos”, informou a médica veterinária.

No último ano, o Paraná produziu 5,7 milhões de toneladas de carne de porco, boi e frango, o que representa quase um quarto da produção de todo o Brasil. Também ocupa o segundo posto em relação à carne suína, com 21% da produção brasileira e mantém a vice-liderança na produção de leite (13,6%) e ovos (9%). A expectativa com a abertura de mercados é que o Estado atinja a liderança nacional na produção de suínos.

Presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã opina

O presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã, Lourival Góes, comentou que o Sindicato Rural de Ivaiporã participou de audiências públicas solicitando que o Governo do Estado se sensibilizasse e fizesse as ações necessárias para que o Paraná recebesse esse título de área livre de febre aftosa sem vacinação. “É uma conquista do sistema sindical do Paraná após uma árdua luta de mais de 20 anos para que isso ocorresse, e o nosso sentimento é de que valeu o esforço”, mencionou o presidente.

Góes citou também que livre da vacinação contra a febre aftosa, o Paraná está apto a exportar carne para países que pagam mais como Japão, Estados Unidos, além de boa parte de países da Europa, que compram carne de países que não fazem vacina de aftosa, como por exemplo, Santa Catarina.

Consequentemente, o produtor paranaense está acompanhando o melhor valor de mercado na comercialização do boi porque a partir do momento que o produtor tem mais dinheiro, a economia paranaense gira mais. Segundo Lourival Góes, os benefícios se estendem para a cadeia do leite, onde a renda é mensal. “É um momento de transição que poderá ser percebido com mais clareza daqui há 6 ou 8 meses”, pontuou.