Sucessão familiar incentiva novas gerações de produtores

Giovani Boing, Simone Spiti e Lino Boing

Giovani Boing, Simone Spiti e Lino Boing

Criado para homenagear todas as pessoas que trabalham nas zonas rurais do Brasil, o Dia Nacional do Trabalhador Rural, celebrado na próxima terça-feira, 25 de maio, é uma data que orgulha aqueles que se dedicam ao campo, seja na produção de alimentos, no cuidado de animais, no turismo rural ou na conservação ambiental.

Atualmente, vivemos um movimento no qual as pequenas propriedades rurais têm diminuído em número, devido principalmente ao fenômeno social do êxodo rural. Tal fato pode ser comprovado analisando os dados do último Censo Agropecuário (IBGE, 2017) e tem causado concentração de áreas e renda nas mãos de poucos grandes proprietários de terras.

Tal movimento tem sido agravado por fatores como: ausência ou limitação de oportunidades de renda nas propriedades, estilos de vida no campo incompatíveis com as expectativas das novas gerações e falta de espaço nas tomadas de decisões relacionadas às atividades familiares.

Além disso, por gerações, a vida no campo tem sido retratada de maneira pejorativa, desmotivando os herdeiros a permanecerem no campo. Somado a isso, a crescente facilidade de acesso ao ensino técnico e superior faz com que cada vez mais jovens de origem rural busquem profissões e oportunidades urbanas.

Diante do cenário, iniciativas públicas e privadas que oferecem oportunidades de capacitação e formação acadêmica nas áreas das ciências agrárias devem ser fortalecidas, em especial nos municípios e regiões tipicamente agrícolas. Também, as esferas governamentais devem buscar desenvolver políticas públicas específicas para meio rural, visando viabilizar a diversificação de atividades agropecuárias para geração de renda, proporcionando assim um ambiente favorável ao empreendedorismo jovem no campo.

De acordo com Donizete Santos Pires, presidente Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ivaiporã, é importante que seja incentivado nas novas gerações o valor do coletivo, principalmente, quando o enfoque é pequenas propriedades familiares que enfrentam desafios relacionados ao custo de produção, disponibilidade de mão de obra e comercialização. Organizações como os Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, que além de desempenharem um importante papel de representação da classe dos trabalhadores rurais e agricultores familiares, oportunizam conscientização e formação de jovens líderes no campo e promovem a sucessão familiar nas propriedades.

Produtor fala sobre produção leiteira. Por: Luiz Valoto

Produtor fala sobre produção leiteira

Fonte: Luiz Valoto

Uma boa história de sucessão familiar é do produtor de leite Giovani Boing, 42 anos, que assumiu os negócios da família na Chácara Santa Catarina, em Ivaiporã, com apoio da esposa Simone Spiti, que é veterinária, após a aposentadoria dos pais Lino e Maria Boing. “Comecei a trabalhar desde os seis anos de idade com meu pai na lavoura branca, com feijão e milho, até ele se profissionalizar na atividade leiteira. Fui criado vendo isso e desenvolvendo interesse por essa atividade, há quase 40 anos. Meu pai sempre foi um espelho e uma motivação para a minha vocação”, lembrou Giovani, que é neto por parte de mãe do pioneiro Balduíno Tenfen, bastante conhecido no município e que também trabalhou com gado de leite por um bom tempo.

O pai Lino Boing recordou que iniciou no ramo leiteiro em 1985, com uma vaca crioula, e depois mais uma e foi aumentando; a primeira vaca deu 13 crias, sendo 11 fêmeas e 2 machos, por meio de inseminações. “Nunca mais compramos vaca, tiramos leite na mão por uns 10 ou 12 anos”, recordou Lino Boing.

O patriarca citou que, naquela época, não tinha silagem, somente cana, napiê e pasto, tudo cortado no facão, todos os dias. Segundo ele, era mais difícil, mas os filhos Giovani e Balduíno (que hoje mora em Joinville - Santa Catarina) ainda pequenos, ajudavam a tirar leite na mão, situação que melhorou depois da compra da ordenha mecanizada. “Era muito mais difícil do que hoje, pois não havia trator, maquinários, era tudo no braço. Ao longo dos anos fomos melhorando, foi feito piquete para as vacas, barracão e, então, foi entregue para o Giovani, que fez outra sala de ordenha e outro barracão. Foi investindo e melhorando cada vez mais”, contou o patriarca.

Foi assim, trabalhando juntos que pai e filho obtiveram sucesso nos negócios da família, pequena propriedade de aproximadamente 9,5 alqueires, que emprega três funcionários e produz em torno de 1.600 litros de leite por dia, com aproximadamente 65 animais em lactação, números que podem ser considerados de alta produção.

“Estamos nos adequando ao novo manejo e investimos no confinamento Compost Barn, onde o gado sai do pasto. Para ter sucesso nos negócios é preciso ser persistente, procurar fazer bem feito e independente dos períodos de crise, superar dia a dia”, acrescentou o filho, que tem cursos de bovinocultura pelo Sindicato Rural e Senar.