“...temos que inovar sempre e apresentar opções para o cliente...”

Luiz André, Mariana, Mafalda Bilk e Luiz Felipe

Luiz André, Mariana, Mafalda Bilk e Luiz Felipe

Família Bilk amplia empreendimentos e inova por meio do empreendedorismo em Ivaiporã. Capitaneados pela matriarca Mafalda Bilk, os filhos Mariana, Luiz Felipe e Luiz André têm seguido o empreendedorismo e a inovação da mãe, diversificando seus negócios e trabalhando em vários segmentos ao longo dos últimos anos.

O Restaurante Bilk foi o pioneiro e nasceu debaixo de uma escada, em um fogão de duas bocas, quando o negócio da família ainda era uma frutaria...

Em entrevista ao Paraná Centro, os integrantes da família contam um pouco dessa trajetória de empreendedorismo.

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Paraná Centro - Como teve início a trajetória de negócios da família?

Mafalda Bilk - Nós começamos com uma frutaria, no ano de 1991, procurando uma forma de renda e esse prédio era do meu pai, na época. Aqui já havia uma frutaria instalada e o antigo proprietário resolveu vender o ponto, compramos e ficamos trabalhando no negócio, por sete anos. A partir daí, os supermercados começaram as seções de hortifruti e as vendas da nossa frutaria começaram a cair. Então, começamos a procurar outra opção de negócios.

Paraná Centro - O restaurante começou como?

Mafalda Bilk - Às vezes, eu preparava o almoço embaixo de uma escada, no fundo da frutaria, e as pessoas sentiam o aroma da comida e perguntavam se não poderiam almoçar; mesmo antes de abrir o restaurante, chegamos a atender mais de 10 pessoas e foi nesse momento que tive a ideia de montar uma lanchonete e restaurante para ver o que dava. Começamos com os dois negócios, restaurante durante o dia e lanchonete à noite, quando servíamos lanches e porções. No começo a gente servia cerca de 15 refeições por dia e, como a demanda foi aumentando, paramos com o trabalho durante a noite, porque não estávamos mais dando conta. Tivemos um crescimento rápido e as crianças (filhos) foram crescendo e começaram a ajudar no restaurante, até que eles quiseram sair e começar seus próprios negócios.

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Paraná Centro - Quais as principais dificuldades que vocês tiveram?

Mariana Bilk - Cada tempo tem sua dificuldade. Na época da frutaria foi a necessidade de se reinventar, porque a concorrência aumentou. Começamos com o restaurante e lanchonete e vieram as dificuldades de trabalhar à noite. Precisamos desenvolver o delivery e, no começo, era eu e meu irmão que fazíamos as entregas de bicicleta. Precisamos melhorar todos os dias.

Paraná Centro - E com quantos anos você começou a ajudar no restaurante?

Mariana Bilk - Eu comecei a ajudar com 6 anos de idade. Primeiro tirando a mesa, enxugando louça, depois passei para a limpeza do salão, limpeza dos legumes e verduras, limpeza das louças, entrega das marmitas. Ajudei no caixa e hoje estou na administração, marketing e gestão dos funcionários.

Paraná Centro - Como surgiu a proposta da marmitaria?

Mariana Bilk - Faz muito tempo que vem aumentando a demanda pelas marmitas e, com a pandemia, esse aumento foi ainda maior. Durante um período, tivemos que fechar o salão e percebemos que as pessoas estavam se habituando ao delivery. Tínhamos uma sala do lado do restaurante e, quando ficou vaga, pensamos em separar a parte do salão, da parte dos pedidos de marmita, para evitar o acúmulo de pessoas no caixa e também para melhorar a questão da retirada da marmita e a ideia está dando super certo.

Paraná Centro - E qual o diferencial do restaurante?

Mafalda Bilk - Acredito que nosso diferencial é a comida caseira e o uso de temperos caseiros e ervas naturais. Desde o começo, minha mãe me ensinou a preparar caldo de carne de forma natural e nunca usamos salitre ou temperos industrializados. Há cinco anos, comecei a fazer um curso superior de gastronomia, pois era algo que eu sempre tive vontade. Na época da frutaria, as frutas que saíam da gôndola eram aproveitadas para fazer geleias e doces e não se desperdiçava nada. Portanto, a faculdade agregou muito, aprendi muita coisa, especialmente na qualidade dos caldos e molhos, tanto que as pessoas que provam a nossa comida falam que ela tem um sabor diferente. Sempre gostei de trabalhar com massas e agora estamos mais especializados e, na sexta-feira, o dia das massas, tem sempre uma excelente saída.

Paraná Centro - E que tipo de lição a pandemia trouxe para vocês?

Mafalda Bilk - A pandemia nos ensinou que não podemos parar, temos que inovar sempre, trazer novidades e apresentar opções para o cliente; conseguimos manter boas vendas, oferecendo coisas diferentes e sempre trabalhando com o lema que é qualidade, honestidade com o cliente, e que é o mínimo que temos para oferecer.

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Paraná Centro - Como surgiu a ideia da Casa de Carne Bilk?

Luiz André Bilk Merico - Eu comecei a ajudar a minha mãe desde cedo, mas, em 2008, eu achei que era o momento de ter meu próprio negócio. Primeiro, eu queria ter entrado no exército, mas não deu certo; depois fui para Portugal, onde fiquei um ano. Comecei a namorar e resolvi abrir meu próprio negócio. Quando voltei de Portugal, comecei trabalhar como açougueiro e, poucos meses depois, tinha meu próprio açougue, a Casa de Carne Bilk. Começamos em um ponto pequeno na esquina, que aos poucos foi crescendo e mudamos de local.

Paraná Centro - Você também pensou em um trabalho diferenciado?

Luiz André Bilk Merico - Procurei fazer um trabalho diferente, para não competir com os mercados e com outros açougues; assim que possível, procurei um parceiro que tivesse um confinamento de gado para oferecer uma carne exclusiva. E foi onde começamos oferecendo uma carne de qualidade e com a propaganda boca a boca. Isso foi influenciando bastante e as pessoas indicando para outras e fomos nos estruturando aos poucos, procurando sempre oferecer qualidade. Isso fez com que a empresa tivesse parcerias com restaurantes, lanchonetes e com o espetinho do meu irmão. Além disso, cerca de 30% dos nossos clientes são pessoas de outras cidades que vêm para Ivaiporã e antes de ir embora, levam a carne do nosso açougue, pois querem um produto com qualidade. Confesso que, no começo, não foi fácil, eu fui o primeiro a oferecer carne de angus em Ivaiporã, para que os clientes tivessem um produto diferenciado e exclusivo. Eu tinha uma visão de longo prazo e, graças a Deus, deu certo, pois esse é um projeto que não funciona de uma hora para outra.

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Paraná Centro - E como surgiu a ideia do Espetinho Bilk?

Luiz Felipe Bilk Hemkemeier - A ideia veio no final de 2016, quando eu ainda trabalhava no restaurante, mas sempre tive vontade de ter um negócio que eu pudesse tocar, mas a dúvida era qual caminho seguir, abrir outro restaurante seria fazer concorrência com a minha mãe. Se fosse abrir um açougue, iria concorrer com meu irmão. Havia pensando em abrir uma lanchonete, mas todo o lugar tinha uma lanchonete e surgiu a ideia de fazer o espetinho. Na época, espetinho só tinha nos bares e era algo voltado mais para o público masculino. Resolvi fazer algo diferente, num lugar mais aconchegante para que a pessoa fosse com a família e que além do espetinho também servimos o arroz, a farofa e depois acrescentei o vinagrete. A pessoa chegava ao local com uma expectativa para comer um espetinho e, na hora que chegava o prato, surpreendia o cliente.

Paraná Centro - O seu empreendimento foi certamente o mais afetado pela pandemia. Qual pensamento você tem para continuar acreditando que será possível manter a empresa?

Luiz Felipe Bilk Hemkemeier - Eu acredito que uma hora isso vai passar e, quando isso acontecer, serão poucas as empresas que continuarão ativas; estamos lutando para conseguir vencer essa batalha do Covid-19, mas continuamos acreditando.

Paraná Centro - Mas vocês continuam diversificando?

Luiz Felipe Bilk Hemkemeier - Eu uso apenas lenha para assar os espetinhos e comecei a ver que se eu firmasse uma sociedade com o fornecedor da lenha, eu conseguiria baratear o custo. Depois acabei comprando a parte dele e, hoje, além do fornecimento para o espetinho, a Lenha Bilk também é vendida em supermercados, açougues e repassados para outros fornecedores. Antes da pandemia, eu também prestava um serviço de churrasqueiro em casa, onde o cliente me contratava e eu cuidava de todos os detalhes do churrasco, desde comprar a carne, fazer o assado e servir, além de preparar os acompanhamentos e até mesmo organizar um buffet e, junto com meu irmão, promovemos eventos particulares, onde mostramos as principais partes do bovino, explicamos de onde sai cada corte e fizemos degustação.

Paraná Centro - Qual a avaliação fazem do sucesso do empreendedorismo da família?

Mariana Bilk - Para um restaurante que começou embaixo da escada com um fogão de duas bocas e, hoje, estar em um local que atende até 100 pessoas, além da marmitaria, a produção do tempero Sabor Bilk, acho que chegamos longe. Todas as empresas da família geram 37 empregos diretos. Todos nós aprendemos a trabalhar desde cedo, prezando pela qualidade dos produtos oferecidos aos nossos clientes e zelando pela honestidade. A mãe sempre nos mostrou o custo das mercadorias e qual era o lucro; acredito que isso fez com que a gente aprendesse o devido valor de cada coisa.