Produção de suínos inova com uso de salgadinho e bolacha na alimentação animal

Luiz Carlos mostra coproduto utilizado na mistura da ração animal

Luiz Carlos mostra coproduto utilizado na mistura da ração animal

Tornar a suinocultura uma atividade sustentável, ambientalmente correta e viável economicamente tem sido um desafio diário enfrentado pela família do empresário rural Luiz Carlos Petrechen Filho, que tem uma fazenda na região de Marrequinha, município de Pitanga. Há cerca de quatro anos, ele iniciou uma proposta do uso de coprodutos não aproveitados pela indústria alimentícia para complementar a alimentação animal. Para viabilizar o processo de utilização desses produtos na alimentação dos suínos, ele fez um investimento na ordem de R$ 1,5 milhão para a automatização completa da alimentação da granja e para o processamento dos coprodutos que são incorporados à ração animal. No manejo normal de uma granja, a ração é composta basicamente de milho, soja e suplementos, mas a fazenda utiliza 16 composições diferentes de rações para cada fase de engorda dos suínos. A mistura dos coprodutos com a soja e milho varia entre 15% e 80%, dependendo da idade de cada animal. Petrechen salienta que é possível a utilização de salgadinhos, pães, batata, maltes e bolachas. “Esse projeto surgiu de uma parceria entre o grupo Recicla Brasil e a nossa fazenda, numa iniciativa minha para tentar uma maneira sustentável de reaproveitar alguns alimentos que a indústria não teria alternativa a não ser destinar para o aterro sanitário”, comenta o produtor rural.

Ele destaca que são dois tipos de coprodutos encaminhados para a fazenda. O chamado “chão de fábrica”, que são produtos que por algum problema não puderam ser destinados à alimentação humana, e aqueles provenientes do chamado “processo reverso”, quando o produto não poderia mais ficar na gôndola do supermercado por ter prazo de validade expirado, mas que pode ser processado e usado na alimentação animal. Sem essa parceria, todos os esses produtos teriam que ser encaminhados para o aterro sanitário. “Hoje, os aterros sanitários estão operando no gargalo e isso tem sido um custo monstruoso para o poder público”, ressalta.

No entanto, para conseguir utilizar esse coproduto, a fazenda teve que se adequar à legislação e conseguir a certificação do Ministério da Agricultura e também do IAT (Instituto Água e Terra). A propriedade rural passa por auditorias de vários órgãos regularmente e, toda a semana, relatórios são confeccionados e avaliados por zootecnistas, para que a qualidade de alimentação dos animais seja garantida.

Apesar de não poder ser mais usado na alimentação humana, o coproduto pode ser usado na alimentação animal, pois não se trata de um produto estragado. Após processado, ele mantém as características nutritivas e pode ser misturado às rações. Atualmente, estamos recebendo cerca de 500 toneladas de produto ao mês, que se não fosse dessa forma seria encaminhado para o aterro sanitário. “Eu não posso destinar um alimento rejeitado para a alimentação animal, pois estamos mexendo com vida”, cita o produtor rural.

Petrechen comenta que sua propriedade é pioneira na utilização desse coproduto na alimentação animal no sul do Brasil e que, pelo menos, mais uma propriedade no estado de São Paulo faz o mesmo uso. “No entanto, na Alemanha a utilização de raízes ou outros produtos para complementar a ração animal acontece há mais de 60 anos, tanto que a máquina utilizada para essa finalidade é importada da Alemanha”, explica. A granja da família Petrechen conta com mais de 8 mil animais e tem consumo diário de 25 mil quilos de ração.

O uso desses coprodutos tem como principal objetivo a redução dos custos da ração, que se tornou mais importante com o aumento no preço da soja e do milho. “Esses produtos se tornaram uma commodite e só com alternativa conseguimos continuar sendo sustentáveis”, destaca.

Boas práticas

Uma das exigências para conseguir a certificação do Ministério da Agricultura é a adoção de boas práticas no manejo da propriedade e, para isso, todo o processo precisa seguir uma planilha e, se alguma coisa não está dentro do padrão, o produto é rejeitado. “As empresas que fornecem esse coproduto são grandes multinacionais e que não podem descartar esse resíduo em qualquer lugar e precisam de uma destinação correta ou um bom aproveitamento do produto”, frisa.

Petrechen comenta que desde que a prática foi adotada não houve qualquer tipo de mudança na condição dos animais, que continuam se desenvolvendo muito e de forma saudável.