Advogada participa pela primeira vez do Tribunal do Júri em Pitanga

Daiane Iori participa do Tribunal do Júri em Pitanga

Daiane Iori participa do Tribunal do Júri em Pitanga

A advogada pitanguense Daiane Iori protagonizou na quinta-feira, 22 de abril, um momento marcante na história da advocacia da cidade. Ele comandou a defesa de um réu durante a sessão do Tribunal do Júri. Daiane Iori comenta que é a primeira advogada iniciante da Subseção da OAB de Pitanga a atuar neste papel na comarca e não se tem nenhum registro recente que outra advogada de Pitanga tenha protagonizado a defesa de um réu durante um julgamento popular no fórum da cidade.

Ela foi designada como advogada pública para a defesa de um dos réus, acusado de ter participado de um duplo homicídio em 2019, quando houve invasão de uma residência e, além de dois óbitos, outras três pessoas ficaram feridas.

Daiane Iori comenta que sua participação como advogada no Tribunal do Júri não foi apenas mais um passo na profissão, mas também uma realização pessoal, pois esse era seu desejo, desde que entrou na faculdade de Direito. “Logo no primeiro ano participamos de um júri simulado e eu já admirava muito a atuação do advogado de defesa e comecei a ver a área criminal com outros olhos, tanto que prestei o exame da Ordem na área penal e sempre pensei em também atuar no Tribunal do Júri”, frisa.

Ela ressalta que em todas as pesquisas que fez, são raros os relatos de atuação de mulheres no Tribunal do Júri. “Acredito que nós, mulheres, sempre sentimos dificuldades em atuar em qualquer área que seja predominantemente masculina e o Tribunal do Júri é visto dessa forma, pois é um local de um procedimento de fala mais rápida e impostada, é comum o uso de gírias e que tem um linguajar diferente de uma audiência, onde a fala é mais polida”, explica a profissional.

Defesa do contraditório

Daiane Iori salienta que os advogados que atuam nessa área enfrentam um questionamento comum da sociedade, de como eles defendem pessoas que são acusadas de crimes dolosos contra a vida. Ela relata que, assim como em todas as outras áreas, as pessoas têm direito à defesa, pois todo o processo tem dois lados e a Constituição prevê o direito ao contraditório e a ampla defesa; e o réu tem o direito de ter sua voz ouvida no ato processual. “Nós atuamos sempre com dois propósitos, que o réu seja inocentado com base nas provas que estão nos autos do processo e também dar a ele um julgamento justo, que nem sempre é a condenação, mas uma pena de acordo com o fato que ele cometeu”, frisa.

Com a atuação, ela espera servir de inspiração para outras colegas e até mesmo para jovens que pensam em atuar como advogadas no Tribunal do Júri. “Ainda temos muitos desafios a enfrentar para conseguir realizar nossos sonhos. Espero que isso se torne algo natural, em que a mulher possa estar em qualquer lugar que ela queira”, salienta.

Pausa para amamentação

Além de ter sido uma das primeiras mulheres a atuar como advogada no Tribunal do Júri, Daiane Iori enfrentou outro desafio ao representar seu cliente durante o julgamento. Ela teve seu terceiro filho, há cerca de três meses. “Tive que fazer vários ajustes para conseguir enquadrar os horários para atuar no processo, cuidar do meu filho menor e conciliar com os horários do meu marido”, frisa. O julgamento teve 15 horas de duração e Daiane Iori teve que fazer algumas pausas durante o processo para amamentar seu filho. No entanto, para ela, isso não é algo inédito. Quando prestou o exame da OAB, ela também estava amamentando o filho, que hoje tem cinco anos. “Na época, meu esposo, que também é advogado, me acompanhou até Curitiba, onde prestei o exame e, durante a prova, saí para amamentar meu bebê e foi um desafio, porque tinha um horário fechado para finalizar a prova. Mesmo com todos os desafios, eu consegui”, salienta.

Advogada espera servir de inspiração para outras mulheres

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