Falta de chuva preocupa produtores de trigo

Domingos Carlos Fontana destaca preocupação dos produtores com falta de chuvas

Domingos Carlos Fontana destaca preocupação dos produtores com falta de chuvas

O mês de abril está sendo marcado pela escassez de chuva na região. O entreposto da Coamo de Ivaiporã não registrou chuva durante o período e isso pode atrasar o plantio do trigo. Segundo o gerente Domingos Carlos Fontana, essa seria a melhor janela para o plantio e os produtores estão preocupados, caso uma chuva significativa não ocorra nos próximos 15 dias.

Ele comenta que já iria ocorrer uma redução na área de trigo, em função do aumento do plantio do milho safrinha, que ocupou parte da área destinada ao plantio de inverno. A estimativa é de uma redução de área na ordem de 10% em comparação com a área cultivada no ano passado.

Apesar da janela de plantio do trigo ter começado, oficialmente, no dia 21 de abril, muitos produtores gostariam de fazer o plantio antecipado, para adiantar a colheita e plantar a soja mais cedo. A estiagem está atrasando os planos dos produtores e os boletins meteorológicos não indicam chuvas significativas para as próximas duas semanas. “Isso deve atrasar o plantio ou a janela de plantio se estender para o final de maio ou início de junho e, consequentemente, implica na colheita e no plantio da safra de verão 21/22”, explica Fontana.

Outros triticultores estão optando pelo plantio no pó, que é possível em culturas de inverno. No entanto, caso não ocorra uma chuva significativa, pode ocorrer uma emergência parcial do trigo, que acarreta na desuniformidade da formação das plantas e prejudica a qualidade do grão na colheita.

O gerente ressalta que a melhor época do plantio precisa ocorrer dentro do mês de maio, que é a melhor época para o plantio do trigo e, caso não venha a esperada chuva, os produtores começam a ficar muito apreensivos, especialmente com a sequência das lavouras.

Mercado

Já as perspectivas de mercado são boas para o trigo. Os estoques mundiais estão baixos e a alta do milho tem feito com que, principalmente, a China considere usar outros produtos na fabricação de ração para animais. Uma das possibilidades é o uso de trigo, como triguilho ou trigo de baixa qualidade nessa composição, que deve fazer com que os estoques mundiais tenham uma redução ainda maior. “Os mercados de soja, milho e trigo continuam aquecidos e os estoques dessas commodities estão mundialmente baixos, já não temos muita soja disponível e, se houver uma estiagem mais prolongada, pode, inclusive, comprometer a produção do milho safrinha e até do trigo”, salienta.

O gerente da Coamo salienta que a China está considerando usar 45 milhões de toneladas de outros produtos para compor a ração animal e reduzir o uso de soja e milho e um deles pode ser o trigo. “Nesse cenário, se tivermos uma estiagem prolongada com uma produção menor, poderemos ter preços mais elevados”, avalia.