“Superou o que nós sonhávamos...”

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Márcio César Dasko está, há 23 anos, à frente do Frigorífico Frigodasko, de Pitanga. Ele conta como iniciou o empreendimento e como está a empresa que emprega mais de 400 pessoas e movimenta o comércio e a indústria de carnes e derivados na região central.

Paraná Centro - Como surgiu o Frigodasko?

Márcio Dasko - Em 1994, meu pai comprou um abatedouro municipal e, devido à necessidade ambiental, era preciso fazer uma nova ampliação, o que não foi possível fazer no local onde estava localizado o abatedouro, pois estava muito próximo a uma represa. Então surgiu a ideia de construir uma planta; meu pai conseguiu o terreno em 1997, com auxílio de um amigo, e de comprarmos o frigorifico, que era do Banco do Brasil, e estava há algum tempo parado. Fizemos a proposta de comprar a unidade existente, que era massa falida.

Paraná Centro - E o que faziam antes de comprar o frigorífico?

Márcio Dasko - Trabalhávamos com abate de bovinos e suínos para supermercados e depois, quando compramos o frigorífico, começamos a comercializar os animais e industrializar os embutidos.

Paraná Centro - Como foi o começo e quais as dificuldades enfrentadas?

Márcio Dasko - Todo começo tem suas dificuldades, para nós, na época, era uma planta grande pelo tamanho que foi adquirida, houve bastante dificuldade para nos readequarmos e nos organizarmos.

Paraná Centro - No começo vocês faziam prestação de serviços ou já tinha comercialização?

Márcio Dasko - Mais prestação de serviço, comercialização era pouco.

Paraná Centro - Como foi o crescimento da empresa?

Márcio Dasko - Trabalhamos até 1999 com inspeção municipal e, posteriormente, adquirimos inspeção estadual (Sipe). A partir daí, conseguimos expandir para outros municípios, como Guarapuava, que foi nosso primeiro passo até expandir para outros municípios do Paraná.

Paraná Centro - Vocês têm o Sipe?

Márcio Dasko - Temos o Sipe e estamos com projeto de ampliação voltada para o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA). Construímos uma nova indústria de embutidos, inaugurada em fevereiro do ano passado, e em decorrência disso estamos ampliando o frigorífico para adquirir o Sisbi.

Paraná Centro - Quais os primeiros produtos embutidos que foram comercializados?

Márcio Dasko - Foi a linguiça pura e a toscana. Depois foi o bacon, a linguiça calabresa, salsichão, mortadela, morcilha; hoje, temos mais de 50 produtos embutidos.

Paraná Centro - Qual o carro chefe da empresa hoje?

Márcio Dasko - A carne in natura é a que representa o maior faturamento, em torno de 75%, o restante (25%) vem da indústria.

Paraná Centro - Com as ampliações, vocês acreditam que os embutidos terão uma participação maior?

Márcio Dasko - Estamos ampliando justamente pensando em aumentar os produtos da indústria.

Paraná Centro - Qual é a capacidade tanto de abate quanto de produção?

Márcio Dasko - Nosso abate é de 270 bovinos e 150 suínos/dia. Estamos aumentando a capacidade para 450 bovinos e 350 suínos/dia. A indústria tem capacidade de produzir 150 toneladas/dia de embutidos e defumados.

Paraná Centro - Qual a área de atuação da empresa?

Márcio Dasko - Estamos trabalhando, hoje, praticamente em todo o Paraná.

Paraná Centro - Se fosse estabelecer um ranking de importância dos abatedouros e frigoríficos do Paraná, em que posição está a Frigodasko?

Márcio Dasko - No nosso segmento, que é uma linha completa de embutidos, defumados, toda linha bovina, suína e cortes de bovinos, acredito que estejamos em primeiro lugar, porque nós temos o segmento completo.

Paraná Centro - Quais são as principais dificuldades do setor e como você está observando o movimento da pecuária de corte?

Márcio Dasko - A dificuldade hoje está na matéria-prima e a parte do bovino, devido à escassez que há no Brasil e o custo de produção. Estamos vendo os produtores parceiros com dificuldade de produção porque o custo da alimentação ficou muito alto e o da reposição também, então a representatividade de margem está baixa.

Paraná Centro - Qual a perspectiva para o futuro desse mercado?

Márcio Dasko - Acredito que, passando a pandemia, o volume de vendas tende a aumentar e começar a equilibrar, porque o que trava o comércio é o baixo consumo. Aumentando o consumo, a realidade dos preços se normaliza.

Paraná Centro - Onde você acredita que o Frigodasko conseguiu expandir o negócio e criar essa estrutura grandiosa, sendo o maior frigorifico do Paraná?

Márcio Dasko - O ponto principal está no trabalho dedicado, tanto na compra do bovino, suíno, como na produção e na nossa logística, que é muito afinada. Toda produção vendida é entregue no dia seguinte, uma carne natura fresca e com qualidade excelente.

Paraná Centro - Além do trabalho frigorífico, o grupo tem outra atuação?

Márcio Dasko - Temos a pecuária, que é envolvida com a empresa, na recria de bovinos e a engorda de confinamento. Temos uma marca que é nossa carne confinada, que é boi precoce, outro segmento do grupo.

Paraná Centro - Tem uma área de botinas também?

Márcio Dasko - Sim, temos uma área de botinas, onde industrializamos o couro e transformamos em calçados.

Paraná Centro - Vocês pensam em ampliar para outros segmentos?

Márcio Dasko - Estamos vendendo o couro natura, devido à crise do setor coureiro, calçadista, eu optei por industrializar o couro até que se acelere o mercado; agora, como já deu uma melhorada no mercado, tirei o pé do freio nesse segmento.

Paraná Centro - O Frigodasko pense em ampliar os negócios?

Márcio Dasko - Na nossa área de atuação no estado, a busca pelo produto está grande, o que faz com que a perspectiva seja muito boa; cada vez mais estamos melhorando e aperfeiçoando nosso segmento e, com isso, a tendência é aumentar mais.

Paraná Centro - Que recado você passa aos empresários que estão desanimados com o momento difícil baseado na sua experiência de mais de 20 anos como empresário?

Márcio Dasko - Não é a primeira e nem vai ser a última crise, acredito que temos que trabalhar para superá-la. Sei das dificuldades, mas falo que se desanimar é pior. Sigo o exemplo do meu pai, uma pessoa que nunca baixou a cabeça e nunca se desmotivou em um momento de dificuldade. Temos que buscar o diferencial e, dentro dessa perspectiva, percebemos que precisávamos buscar alternativas e nos reinventar com tipos de corte fracionados para atender o consumidor, porque com churrascarias e lanchonetes fechadas estava sobrando muita carne nobre.

Paraná Centro - Nesses quase 25 anos, a empresa se tornou o que vocês imaginaram?

Márcio Dasko - Superou o que nós sonhávamos, temos uma empresa com 430 funcionários diretos, com perspectiva de crescimento e o projeto de ampliação foi além do que imaginávamos.

Estrutura da Frigodasko cresce a cada ano. Por: Foto: Elizeu Schebelinski

Estrutura da Frigodasko cresce a cada ano

Fonte: Foto: Elizeu Schebelinski