Estiagem prolongada deve prejudicar produção de café em 2021

Cafezais começam a entrar no ponto de maturação

Cafezais começam a entrar no ponto de maturação

A expectativa é de uma pequena redução na produção cafeeira da região central no ano de 2021. Algumas lavouras, principalmente nos municípios de Lidianópolis e Jardim Alegre, já iniciaram o processo de maturação, mas a intensificação da colheita deve começar a partir do final do mês e se estender até junho. O agrônomo do Instituto Desenvolvimento Rural (IDR-PR), da unidade de Jardim Alegre, Cleverson da Silva Souza, comenta que a produção desse ano ainda está sofrendo em consequência da geada de 2019 e com a estiagem prolongada do ano de 2020, sendo que a produção deve ser significativamente menor do a esperada.

Em termos de produção nacional, a quebra da safra de café deve variar entre 30% e 35% em termos de expectativa de produção. Ele explica que o período de floração da lavoura de café, desde a formação das primeiras flores até o ponto de colheita, demora em torno de 230 dias e a maturação plena de uma planta só ocorre a partir do momento que pelo menos 50% dos grãos estão em estágio cereja.

A geada de dois anos atrás fez com que muitos produtores optassem pela poda por esqueletamento, em que todas as folhas e ramos são retirados deixando que a planta comece a produzir dois anos depois. No entanto, em função da estiagem significativa do ano passado, houve uma diminuição do desenvolvimento vegetativo e uma interferência na aplicação de adubos, que precisam de umidade para serem absorvidos pelas plantas. “Tudo isso deve fazer com que a produção de 2021 seja menor”, ressalta Cleverson Souza.

No ano passado, a principal praga que preocupou os cafeicultores foi a broca. Já nesse ano, em função do calor e a estiagem, houve uma incidência maior de ataque do chamado bicho-mineiro. As chuvas desse início de ano reduziram aos ataques, mas o produtor deve ficar atento ao aparecimento de ferrugem e da broca do café. Para isso, ele deve fazer o manejo integrado de pragas e doenças. “O cafeicultor deve buscar o controle alternativo, mas se tiver que usar defensivos químicos, precisa procurar um agrônomo para conversar e optar por produtos com menor toxicidade e com menor período de carência”, cita.

Cleverson Souza ressalta que não tem dados oficiais, mas acredita que houve uma redução de área do café na região central, na ordem de 15% em relação ao ano passado. No entanto, existe uma ampliação de área em pequenas propriedades, sendo que os agricultores familiares têm recebido apoio das prefeituras e do próprio IDR-Paraná na produção de mudas e assistência técnica.

Com relação aos preços, ele acredita que houve uma reação em relação ao ano passado, e estão um pouco mais atrativos e, caso se confirme a quebra da produção de 2021, pode ocorrer uma leve alta durante o período de colheita. No entanto, isso também vai depender dos estoques que ainda existem no Brasil e as perspectivas de produção para o próximo ano.