Fisioterapia auxilia no tratamento e recuperação de pacientes com Covid-19

José Henrique de Brito

José Henrique de Brito

Os fisioterapeutas que atuam na linha de frente do enfrentamento à pandemia trabalham para diminuir o desconforto e o agravamento do quadro clínico de pessoas internadas com Covid-19. Os profissionais auxiliam ainda na prevenção e na reabilitação dos pacientes, mesmo daqueles que recebem alta hospitalar.

De acordo com o fisioterapeuta do Instituto de Saúde Bom Jesus, José Henrique Cid de Brito, a Covid-19 pode provocar no corpo humano várias complicações, porém, as mais frequentes e que agravam o quadro clínico do paciente são pneumonites, hipoxemias, baixa concentração de oxigênio no sangue arterial e atelectasias. A fisioterapia vai atuar de acordo com os estágios do acometimento pulmonar causado pela Covid-19, com o objetivo de proporcionar conforto e reabilitação pulmonar com exercício e manobras, reexpansão pulmonar por meio de Ventilação Mecânica Não Invasiva com modalidade de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), recurso muito utilizado no Instituto de Saúde Bom Jesus (ISBJ), somando bons resultados para melhora do paciente.

O fisioterapeuta explicou que pacientes em Unidade de Terapia Intensiva estão em uma condição mais delicada, são pacientes graves, com disfunções em estágio avançado. A fisioterapia intensiva é muito importante, pois vai agregar à equipe multidisciplinar, focando principalmente a reabilitação pulmonar com técnicas de recrutamento alveolar, com objetivo de reestabelecer unidades alveolares colapsadas, aumentando áreas pulmonares disponíveis para a troca gasosa e visando a oxigenação arterial.

Ele conta que, a rotina de trabalho durante a pandemia está muito desgastante, com jornadas de trabalho exaustivas, devido à alta demanda. A equipe de fisioterapeutas do ISBJ, formada por Eliane Bonifácio, Débora Dias, Marjori Keller e José Henrique Cid, além de Roberta Beltrame, que faz plantões, tem trabalhado incansavelmente para que o paciente esteja com o quadro respiratório estabilizado. Dessa forma, os sinais de evolução de cada paciente é um estímulo a mais para a equipe no combate a doença.

Conforme José Henrique, é necessário o acompanhamento do fisioterapeuta mesmo após a alta do paciente, pois ele ainda não está condicionado o suficiente para suas atividades laborais. “A reabilitação consiste em exercícios cardiorrespiratórios, treino da musculatura respiratória e fortalecimento muscular de maneira geral. O ideal é que esse acompanhamento seja realizado até que o paciente apresente uma melhora significativa das funções cardiorrespiratória e musculoesquelética”, finalizou.

Roberta Beltrame

Roberta Beltrame

Para Roberta Beltrame, que compõe a equipe de fisioterapeutas do Hospital Regional de Ivaiporã, juntamente com Ana Flávia Kobill, Amélia Milani, Débora Dias, Eloíza Lara, Isabela Curtti Nenemann, Rafaela Teixeira, Thais Rodaski e Vândia Leal, o principal problema em pacientes diagnosticados com a Covid é a dificuldade para respirar (dispneia), uma complicação resultante da formação de fibroses, pequenas cicatrizes, no tecido pulmonar. Elas tornam o órgão menos flexível, o que pode comprometer a capacidade de realizar as trocas gasosas e de oxigenar os demais tecidos do corpo.

A formação de fibroses pulmonares seria mais comum nos casos mais graves de Covid-19, em razão da ação direta do vírus ou ainda de um efeito indireto, consequência de uma resposta inflamatória desregulada na região afetada.

Para os pacientes de Covid-19 que não necessitam de terapia intensiva, a atuação do fisioterapeuta envolve basicamente a educação sobre a doença e o processo de tratamento, além de ações de fisioterapia preventiva para evitar o agravamento dos sintomas. Além de exercícios respiratórios, as ações podem incluir adequação postural, manutenção de amplitude de movimento e exercícios físicos aeróbios leves.

Nas unidades de terapia intensiva, as intervenções do fisioterapeuta incluem o manejo respiratório e o gerenciamento do respirador e monitoramento dos principais parâmetros, gerenciamento da postura do paciente, além da realização de atividades de mobilização precoce para evitar complicações decorrentes da imobilidade.

Quando a condição do paciente permite, o fisioterapeuta é o responsável por garantir períodos de ortostatismo para facilitar a função cardiorespiratória. O procedimento consiste em elevar a cabeceira da cama até para a posição sentada durante 30 minutos, três vezes ao dia. E também a troca postural realizada pelo fisioterapeuta é a pronação, manobra que consiste em deixar o paciente de barriga para baixo, de modo a evitar o acúmulo de secreção na base do pulmão, reativar as vias aéreas e reduzir a sobrecarga cardíaca.

Ela explica que, dependendo do grau de sedação do paciente, a fisioterapeuta pode realizar ainda treinamentos ativos ou passivos envolvendo movimento articular, alongamento. “E em pacientes entubados, desde que esteja acordado e tenha noção corporal, também pode fazer exercícios ativos assistidos”, afirmou.

As ações de mobilização precoce podem ocorrer ainda no leito e evoluir para sedestação beira-leito, treino de equilíbrio, treino de sedestação-ortostase, e até deambulação.

Segundo a fisioterapeuta, é gratificante e emocionante devolver o paciente ao convívio familiar, principalmente por saber que ela está fazendo parte do processo de recuperação e evolução do paciente, mesmo após a alta hospitalar. “A maioria desses pacientes precisa aprender a respirar novamente e isso leva tempo. Além disso, dependendo do tempo de hospitalização, eles perdem peso, ficam fracos e necessitam de exercícios e uma boa alimentação para reverter o quadro, para estarem aptos a voltar à rotina”, esclareceu.

Caso, por exemplo, do caminhoneiro José Carlos Totolo, morador de Jardim Alegre, que iniciou o processo fisioterápico no hospital e continua o tratamento em casa, acompanhado pela fisioterapeuta Roberta Beltrame, que o auxilia com a fisioterapia respiratória e motora. Ele disse que a fisioterapia o tem ajudado bastante na recuperação, tanto que ele já está trabalhando sentado na horta de casa. “Saí do hospital e estou em casa há mais de 20 dias, estou dando continuidade à fisioterapia e tem sido muito bom para meus pulmões, braços e pernas”, mencionou o caminhoneiro, que ficou 16 dias internado, sendo 5 deles na UTI.