Profissionais defendem importância de discutir sobre o autismo

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado no dia 2 de abril, o Paraná Centro conversou com profissionais da Clínica Humana de Ivaiporã, que desenvolvem um trabalho multidisciplinar para ter mais eficácia no tratamento de crianças e adolescentes com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) sobre a importância do diagnóstico precoce, tratamento, desenvolvimento e desafios do autista em meio à pandemia da Covid-19.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) reúne desordens do desenvolvimento neurológico, ou seja, é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por apresentar prejuízos à capacidade de comunicação, interação e em comportamentos repetitivos e estereotipados.

Psicóloga Ana Rafaela Bertoncine

Psicóloga Ana Rafaela Bertoncine

A psicóloga Ana Rafaela Bertoncine Ruas, que atua na abordagem comportamental e utiliza a terapia ABA para o acompanhamento dos pacientes, em parceria com a estagiária Gabriela Renata Diniz Faria, destacou que na psicoterapia o trajeto de uma pessoa com autismo vai ser diferente dos outros profissionais que o acompanham, pois a psicologia contribui para diversas fases dessas pessoas. Segundo ela, muitos autistas não conseguem identificar o que as pessoas estão sentindo, assim como compreender as expressões faciais e corporais, reagem como se estivessem fora do contexto. Na adolescência, por exemplo, as necessidades mudam, começam a surgir as paqueras, interações mais corriqueiras, regras diferentes da infância e dependendo do adolescente, dentro do espectro, essas tarefas podem parecer complexas, por isso, nas terapias é trabalhada essa interação, realizando treinamento das habilidades sociais.

Psicopedagoga Cátia Ramos

Psicopedagoga Cátia Ramos

A psicopedagoga Cátia Ramos, mencionou que muitos autistas podem ter dificuldades de aprendizagem, mas outros podem ter uma alfabetização precoce, em decorrência de uma memorização do código alfabético da leitura e escrita, caracterizando uma hiperlexia. Ambos os casos precisarão de adaptações curriculares, na hiperlexia existe uma dificuldade de interpretação do que se está lendo, uma dificuldade de imaginar, de trazer para o concreto aquela situação. Quando a criança mantém um hiperfoco na leitura, geralmente ocorre um desinteresse por outras atividades infantis que contribuem para o desenvolvimento da criança. Portanto, o psicopedagogo é o profissional que orienta a família e a escola sobre as estratégias necessárias para otimizar a aprendizagem da criança autista.

Fonoaudióloga Emylyn Barbist

Fonoaudióloga Emylyn Barbist

A fonoaudióloga Emylyn Barbist comentou que o autismo prejudica um dos mais importantes pré-requisitos para aquisição da fala, que é o brincar adequadamente, o contato visual e, principalmente, a interação social da criança autista. Nesse sentido, a fonoaudiologia tem o papel de mostrar a funcionalidade das brincadeiras chamando a criança para o contato visual, muito importante no desenvolvimento da fala entre autistas. Para isso, é essencial que se a família perceber alterações dentro do espectro nos primeiros meses de vida do bebê procure uma avaliação para ter diagnóstico precoce, visando a estimulação precoce da criança, sendo que, nesses casos, aumentam as chances de um transtorno severo ou moderado vir a se tornar leve.

Terapeuta ocupacional Tânia Barbosa

Terapeuta ocupacional Tânia Barbosa

A terapeuta ocupacional Tânia Barbosa afirmou que, por se tratar de um transtorno de desenvolvimento, uma das áreas mais afetadas, além da comunicação, estão os comportamentos repetitivos e estereotipados que atrapalham a aquisição de habilidades na área de atividades de vida diária como escovar os dentes, comer, tomar banho, se vestir, entre outras. Por trabalhar com componentes de habilidade como coordenação motora fina, a terapia ocupacional contribui para tornar a criança independente.

Com relação à pandemia de Covid-19, as profissionais esclareceram que o grande desafio para o público autista nesse período de isolamento social é a parte escolar, que está sendo à distância, bem como trabalhar a interação, comunicação e questão sensorial dos autistas. Elas explicaram que a pandemia afetou profundamente o trabalho de interação social e tem trabalhado somente o vínculo terapêutico, que é realizado presencialmente na maioria dos casos e, nessa nova demanda, muitos pais e professores buscam orientações do que eles podem oferecer para os autistas em casa.

As especialistas lembraram que existe um projeto de lei que desobriga o uso de máscaras por pessoas com transtorno do espectro autista. Além disso, os autistas têm direito a uma professora de apoio dentro de sala de aula, prioridade de atendimento e isenção ampliada para compra de veículos.