Preço recorde da soja deve movimentar economia da região

Domingos Carlos Fontana – gerente da unidade da Coamo de Ivaiporã

Domingos Carlos Fontana – gerente da unidade da Coamo de Ivaiporã

Os produtores rurais estão em meio à colheita da soja, na expectativa de recorde de preço. Na segunda-feira, dia 8 de março, a saca de soja chegou a ser cotada acima dos R$ 160. Com custo de produção fixado no ano passado, a lucratividade está em alta.

O gerente da unidade da Coamo de Ivaiporã, Domingos Carlos Fontana, destaca que para o produtor pagar os custos de produção da lavoura, ele precisa de menos sacas de soja do que em safras anteriores. Para os produtores que fecharam contrato no ano passado e fixaram preço na casa dos R$ 90, o custo de produção, em média, equivale a 42 a 48 sacas por alqueire. Para quem não fez a fixação de preços, hoje, o custo de produção da atual safra equivale a 30 sacas por alqueire. O gerente explica que, no ano passado, quando os produtores fizeram a compra dos insumos, não era possível prever o cenário atual, com a soja no patamar de R$ 160. “O contrato representa entre 30% a 40% da produção e o restante o produtor pode vender dentro de outra expectativa”, cita o gerente. Ele relata que mais de 90% dos cooperados já aderiram ao plano safra de 2021/2022 e, com isso, garantiram os insumos para o próximo plantio de verão.

Ele lembra que, em safras anteriores, o custo de produção era equivalente ao valor de 65 sacas por alqueire e, por isso, o cenário desse ano é tão vantajoso para o produtor rural.

Para exemplificar, no caso de um produtor que tenha o custo médio de produção na faixa dos 45 sacos de soja e consiga ter uma produção de 170 sacas por alqueire, que deve ser a média de produção na região de Ivaiporã, vendendo essa produção a R$ 160 a saca, ele terá um lucro líquido por alqueire na ordem de R$ 20 mil.

O gerente da Coamo acredita que essa remuneração, em função dos ótimos preços, será investida no próprio negócio, seja na modernização de implementos, maquinários, veículos ou caminhões; na aquisição de novas terras; na aquisição de novas tecnologias ou na melhoria de imóveis ou veículos. “O produtor não vai gastar em coisas supérfluas, mas deve investir no próprio negócio e acredito que isso vai refletir, inicialmente, no comércio mais ligado ao agronegócio, como as revendas de máquinas e implementos agrícolas e depois deve se expandir para outros setores da economia”, frisa o gerente da Coamo.

Ele destaca que a tendência é que os produtores não façam tão já a comercialização da atual safra de soja. Eles devem vender apenas o necessário para honrar os contratos, que garantem o pagamento dos custos de produção, e aguardar mais um pouco para comercializar o restante da safra. “A China está como forte compradora e a demanda ainda é grande, além disso, algumas regiões produtoras estão apresentando problemas com chuva na colheita e a Argentina pode ter uma quebra de safra; e tudo isso vem refletindo no mercado que está pressionado”, ressalta.

Ele destaca que, na região, apesar dos produtores estarem conseguindo boas produtividades, existe uma pequena redução na ordem de 6% a 8% em relação à produção do ano passado. Isso se deve ao mês de janeiro que foi bastante chuvoso e a luminosidade menor, o que atrapalhou um pouco o desenvolvimento das plantas. “O cenário que estamos vendo é que na entressafra os preços podem subir um pouco mais, mas isso vai depender da China entrar comprando e da oferta de soja que teremos no mercado”, ressalta.

Produtores estão animados com colheita da safra de soja

Produtores estão animados com colheita da safra de soja