Padre Gilson fala sobre início da quaresma e campanha da fraternidade

Campanha da Fraternidade tem causado polêmica nas redes sociais

Campanha da Fraternidade tem causado polêmica nas redes sociais

A igreja católica celebra a partir dessa quarta-feira, dia 17 de fevereiro, o início da Quaresma, período de 40 dias que antecede a celebração da Páscoa, em que os católicos são chamados a um período de conversão, arrependimento e penitência. Para ajudar a comunidade nessa reflexão, todos os anos, desde a década de 60, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) propõe um tema a ser debatido durante a campanha da fraternidade. E, neste ano, a comunidade católica promove a chamada Campanha da Fraternidade Ecumênica, em que são convidadas outras denominações religiosas para participar do período de reflexão e que haja um gesto concreto.

O tema desse ano é “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema, que sempre é baseado em uma passagem bíblica, é “Cristo é a nossa paz. Do que era dividido fez uma unidade”, (Ef 2,14a).

No entanto, o tema desse ano tem causado polêmica, pois trata justamente da ideologia de gênero e da não violência contra essa comunidade. Nas redes sociais, o tema tem sido amplamente debatido, o que fez com que ao presidente da CNBB emitisse uma nota. “A doutrina católica sobre estas questões afirma que gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer à ordem natural já predisposta pelo corpo”, afirmou em nota Dom Valmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB e arcebispo de Belo Horizonte.

O pároco da Paróquia Sant’Ana de Pitanga, padre Gilson Dembinski, comenta que o tema propõe o diálogo e compromisso com a tolerância e com a paz, que é uma meta comum de todas as religiões, que também desejam a justiça e o bem estar do próximo. Ele lembra que o tema da campanha da fraternidade ecumênica é proposto pelas igrejas membro do Conic (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil), que são: Igreja Católica Apostólica Romana, Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida e Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia. “A campanha da fraternidade propõe uma temática nacional que exige uma resposta de fé e busca um gesto concreto que envolve a questão do diálogo religioso e da promoção da paz”, comenta.

O padre destaca que, de fato, esse é um tema polêmico, mas é preciso que as instituições evoluam, pois o mundo está mudando e é preciso responder aos novos desafios com diálogo e paz. “A igreja procura levar essa proposta de mais diálogo e respeito às diferenças, sejam elas quais forem. E precisa ter uma atitude de respeito e não agressão a quem pensa diferente”, pontua.

Uma das tradições da Campanha da Fraternidade é a reunião das famílias para celebrar os encontros do livro texto da quaresma. Mas segundo padre Gilson Dembinski, a orientação é que as pessoas sigam as orientações das autoridades sanitárias e que tomem todos os cuidados nesse momento de pandemia.

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