Psiquiatra alerta sobre prevenção e tratamento das dependências

Psiquiatra Paulo Tassinari acredita que a prevenção deve começar dentro de casa. Por: Antonello Nadal

Psiquiatra Paulo Tassinari acredita que a prevenção deve começar dentro de casa

Fonte: Antonello Nadal

No dia 20 de fevereiro comemora-se o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo. Conforme a Organização Mundial da Saúde, a dependência em drogas lícitas ou ilícitas é uma doença.

O uso indevido de substâncias como álcool, cigarro, crack e cocaína é um problema de saúde pública de ordem internacional, que preocupa nações do mundo inteiro, pois afeta valores culturais, sociais, econômicos e políticos.

O psiquiatra Paulo Roberto Tassinari comentou sobre o trabalho que realiza no combate a essas patologias, citando que as drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, são um problema da humanidade há bastante tempo.

Na avaliação do psiquiatra, o álcool e o tabaco são drogas extremamente danosas para o cérebro humano, para a sociedade e muito prejudiciais, tanto para a saúde mental do indivíduo, quanto para a saúde pública. “São entidades nosológicas que consomem uma quantidade enorme de tratamento, haja vista que as clínicas de recuperação e cadeias públicas estão abarrotadas, porque às vezes a droga é vista como curativa ou válvula de escape. Trata-se de um grande marco divisório de saúde mental porque sabemos o quanto essas drogas levam a patologias psiquiátricas que não surgiriam caso a pessoa não usasse essas drogas”, ressaltou Paulo Tassinari.

Por isso, ele destacou a importância do cuidado e da prevenção no combate às drogas e ao alcoolismo, que devem começar com hábitos e costumes dentro de casa. “Famílias inteiras fazem uso de álcool de forma recreativa, abusiva e, nessa linha em que são tratados como bebedores sociais, estão colocando para a criança ou jovem de que ingerir bebida alcoólica é normal. Quanto ao uso do tabaco, com as campanhas contra o tabaco, houve uma queda drástica do consumo de cigarro”, reforçou.

O especialista mencionou que dentro de uma estrutura social deficitária, o uso precoce, mesmo se tratando de experimentação, expõe os jovens ao uso de drogas mais pesadas como o crack e cocaína. “A prevenção deveria começar dentro do seio familiar. É uma somatória de exemplo e valores de educação”, alertou.

O psiquiatra comentou que a droga tem um apelo emocional muito forte porque atua no centro do prazer do cérebro humano e, dessa forma, proporciona prazer, alívio e uma sensação de bem-estar. O problema, segundo Tassinari, é que a estimulação repetida faz com que a droga se torne enfadonha, sem graça e o indivíduo precise cada vez mais dessa droga para obter a satisfação e isso leva à dependência química. “O trabalho psiquiátrico busca atuar no aspecto químico psicológico, inibindo as fontes de prazer ou substituindo-as por outras medicações que, no futuro, poderão ser reduzidas ou retiradas. É preciso convencer o paciente de que aquilo que dá prazer também é prejudicial”, concluiu Paulo Tassinari, salientando que fazer uso de drogas é um indício de que a pessoa tenha uma doença psiquiátrica como depressão e transtorno bipolar.

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