Lavouras de feijão têm perdas com excesso de chuvas

Juvenal Martins mostra feijão abaixo do padrão. Por: Aldinei Andreis

Juvenal Martins mostra feijão abaixo do padrão

Fonte: Aldinei Andreis

O alto volume de chuvas que ocorreu no mês de janeiro, que foi fundamental para a reposição dos níveis de rios e lagos, também trouxe prejuízo para algumas lavouras que estavam próximas de serem colhidas. Em Ivaiporã, o registro oficial do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado ao Núcleo Regional da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento), apontou uma precipitação pluviométrica de 396 milímetros, uma das maiores dos últimos anos para o mês de janeiro. No entanto, o agrônomo Randolfo da Costa Oliveira comenta que, em outras cidades da região, o volume de chuvas pode ter chegado a quase 500 milímetros.

Uma das lavouras mais afetadas foi o feijão, especialmente as áreas que estavam em ponto de colheita. Ele explica que, principalmente, na região de Ivaiporã, essa cultura já não é tão extensiva como há cerca de 10 anos e a área está reduzida a pequenos sítios e voltada à agricultura familiar. Apesar da estimativa inicial de 400 hectares nessa primeira safra, conhecida como feijão das águas, a área efetivamente plantada não deve chegar a 150 hectares e, mesmo assim, praticamente toda a produção foi perdida com o excesso de chuvas. “Com essa umidade, o feijão que estava no ponto de colheita germinou dentro da vagem ou aquele que tinha sido colhido não secou e acabou “melando”; acredito que pelo menos 90% da produção estragou e os 10% restante estão em um padrão médio”, avalia.

Randolfo Oliveira frisa que a estiagem atrasou o início do plantio e isso fez com que a colheita ocorresse no mês de janeiro, expondo à possibilidade maior de chuvas nesse período.

Na área de jurisdição do Núcleo Regional de Agricultura de Pitanga, que envolve os municípios de Manoel Ribas e Cândido de Abreu, o feijão ainda é uma importante cultura de verão. O empresário Juvenal Martins, da empresa Cerealista Norte Sul de Manoel Ribas, também prevê uma perda grande nas lavouras que estavam em ponto de colheita. “O feijão brotou e não dá mais padrão ou tem um padrão muito ruim e, por isso, consideramos perdido”, ressalta. Para ele, as áreas que estavam em ponto de colheita também foram totalmente perdidas.

Grãos brotam dentro da vagem pelo excesso de chuvas. Por: Aldinei Andreis

Grãos brotam dentro da vagem pelo excesso de chuvas

Fonte: Aldinei Andreis

No entanto, ele acredita que a chamada safra do feijão da seca, que é plantada a partir do mês de janeiro, deve ter uma área maior, já que muitos produtores podem optar por essa cultura no lugar do milho safrinha ou atrasar o plantio do trigo. “Temos muitos produtores comprando sementes caras e acredito que a área plantada será muito boa”, avalia.

Segundo o técnico do Deral, do Núcleo da Seab de Pitanga, Marcelo Serbai, algumas áreas, especialmente, no município de Cândido de Abreu, foram colhidas antes do início do período de chuvas e, com isso, os produtores conseguiram evitar perdas. Já outras regiões mais frias, houve o plantio atrasado e a lavoura ainda está na fase de enchimento de grãos. Nos próximos dias, o Deral de Pitanga deve divulgar uma estimativa de perdas da safra de feijão, após análise do impacto das chuvas na lavoura.

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