Paróquia Sant’Ana é uma das mais antigas da região

Atual igreja matriz tem uma estrutura moderna

Atual igreja matriz tem uma estrutura moderna

Padre Agostinho Lattenkampp foi instituído o primeiro padre de Pitanga

Padre Agostinho Lattenkampp foi instituído o primeiro padre de Pitanga

Uma das paróquias mais antigas da região central, a Sant’Ana de Pitanga, foi inaugurada no dia 15 de dezembro de 1933. A motivação para a instalação da paróquia se deu em função do território extenso e do aumento do número de fieis, como registra o primeiro livro oficial da igreja. O primeiro padre designado foi Agostinho Lattenkamp, mas até 1936 os padres não tinham residência fixa na cidade e dependiam dos fieis, que cediam as acomodações para eles dormirem e se alimentarem. Outra dificuldade para os padres na época era o deslocamento, não apenas pela distância da sede da diocese, que era vinculada a Ponta Grossa, mas também pela dificuldade de locomoção, já que não haviam estradas pavimentadas para acesso às cidades e muito menos às localidades rurais.

Segundo a pitanguense Beatriz Mendes dos Santos, em depoimento a um documentário da igreja, produzido pelas pesquisadoras Carlota Portugal e Margarett Martins de Oliveira, em 2015, nessa época, os padres vinham para Pitanga a cada dois ou três meses para um trabalho quase que missionário e, durante esse período, se hospedavam nas casas das famílias católicas do município.

Em 1935, a Paróquia Sant’Ana foi desmembrada da Diocese de Ponta Grossa e se juntou à jurisdição da Prelazia de Foz do Iguaçu, onde permaneceu até 1959; em 1966 passou a compor a Diocese de Guarapuava.

A Igreja Matriz Sant’Ana sempre esteve ligada a questões sociais da cidade de Pitanga. Uma das primeiras escolas do município tem ligação com a igreja quando, em 1942, teve início o Instituto Santa Terezinha de Pitanga, com a chegada das irmãs educadoras Margarida Hella, Martha Kleina e Rosa Kosteska.

Igreja na década de 30 era construída em madeira

Igreja na década de 30 era construída em madeira

Também dentro da paróquia começaram as iniciativas para ofertar serviços de saúde para a população de Pitanga. A partir de 1943, a paróquia começou a pensar na construção de um hospital, sendo que a Prelazia de Foz do Iguaçu fez a doação de um terreno para essa finalidade. No ano seguinte foi constituída uma comissão para a construção do hospital e uma das primeiras ações foi direcionar toda a renda da festa realizada no dia 1 de novembro de 1944 para a comissão pró-hospital, mesmo com a necessidade, na época, de uma nova pintura na igreja matriz.

No começo do ano de 1945, com a visita do então interventor do Paraná, Manoel Ribas, ao município de Pitanga, foram solicitados recursos para a construção do prédio do hospital. Relatos da época mostram que a Igreja Sant’Ana chegou a ceder parte da residência onde funcionava a Casa Paroquial para que funcionasse a farmácia do hospital e até mesmo uma sala, onde ocorriam cirurgias. Todas essas ações demonstram a preocupação que a Paróquia Sant’Ana sempre teve com o bem-estar da comunidade.

Incêndio e conflito dos índios e colonizadores na Vila de Pitanga

Mas antes da Igreja Sant’Ana ser elevada à categoria de paróquia, muitos fatos envolviam a comunidade católica de Pitanga. Talvez uma das mais marcantes, e que ainda é cercada de muito mistério, é o suposto incêndio ocorrido na capela, na Vila de Pitanga, em 1923. O fato motivou um artigo escrito pela jornalista Grazieli Eurich, apresentado e publicado no III Congreso Internacional de Filosofía de la Historia: Dimensiones de la experiencia histórica, Facultad de Ciencias Económicas de La Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina.

A segunda igreja foi construída em 1942

A segunda igreja foi construída em 1942

Grazieli Eurich escreveu no artigo que sempre ouviu os relatos do conflito envolvendo os índios kaingangs e os colonos e que esse fato ocasionou o incêndio da igreja; em algumas versões esse incidente teria sido ocasionado pelos índios e, em outros, os nativos tinham sido as vítimas do massacre e foram queimados junto com o prédio da primeira capela no município. “A grande surpresa, ao iniciar minhas visitas ao Centro de Documentação e Memória de Guarapuava e também à Diocese de Guarapuava, foi não encontrar nenhuma referência à igreja incendiada em 1923”, comenta a pesquisadora. No entanto, ela encontrou um processo da promotoria pública sobre o conflito existente entre os indígenas e colonizadores. A autora do artigo cita também que esta passagem é citada em dois livros, que contam a história de Pitanga, mas não possibilitam uma conclusão sobre o fato. No Centro de Documentação e Memória de Guarapuava existe um processo registrado, em maio de 1924, um ano depois do suposto conflito, que faz referência ao incêndio de um altar na igreja de Pitanga que, na época, era distrito de Guarapuava. O processo deixa claro que o altar ficou inutilizado após o ocorrido e que não teria sido efeito de casualidade, ou seja, indicava que o incêndio foi criminoso.

Matérias publicadas em jornais do Paraná, na época, não mencionam o incêndio, mas confirmam o conflito. A historiadora comenta que alguns documentos indicam que os corpos dos indígenas foram encontrados do lado direito da igreja. “Os testemunhos, que formaram a memória do incêndio em 1923, não se sustentam ao serem contrapostos com as demais fontes, como a processual e a periódica; o incêndio da igreja, que permanece como fato incontestável da história da cidade para os seus habitantes, surge do discurso de quem viveu na época do conflito e que foi nesse mesmo discurso vitimizado e a história oficial pertence aos vencedores, aos colonizadores que fundaram a cidade e que foram atacados pelos indígenas em 1923”, pontua a historiadora.

Na década de 30, igreja era ponto de referência na cidade

Na década de 30, igreja era ponto de referência na cidade

Segundo Grazieli Eurich, “a falta de documentação específica sobre o incêndio suposto por Vaz e cristalizado na memória coletiva pitanguense, mas também pela ausência desse fato nas demais fontes analisadas sobre o conflito. Ainda segundo Bosi, a memória oral também tem seus desvios, seus preconceitos, sua inautenticidade e, neste ponto, refletimos como a construção de uma memória do conflito com suas deformações, especificamente o incêndio de uma igreja, foi transmitida e compactuada no coletivo, tornando-se a história do mesmo”, afirma.

Apesar do incêndio de 1923 não ser possível de ser provado, em 9 de outubro de 1940, a primeira igreja de Pitanga foi destruída por um incêndio ocasionada por um raio, que caiu sobre a igreja matriz. O padre Paulo Tschorn, que organizava a igreja na época, relatou que um raio caiu sobre a matriz e, especialmente, o santíssimo sacramento. E parte do teto foi queimada.

A segunda igreja foi inaugurada em novembro de 1942, sendo que em 1955 a segunda igreja também foi alvo de um incêndio bastante suspeito, sendo que seis meses depois a igreja foi reconstruída e, em julho de 1956, foi reinaugurada.

Em 1956, nova igreja matriz é construída

Em 1956, nova igreja matriz é construída

O atual pároco, padre Gilson Dembinski, comenta que é uma responsabilidade estar à frente da igreja que tem uma caminhada bastante longa e uma história importante, não apenas na questão religiosa, mas também no envolvimento social que a igreja católica sempre teve na sociedade de Pitanga. “A igreja tem uma caminhada grande e muitas pessoas que estiveram nessa caminhada, hoje não estão mais”, frisa.

Pároco Gilson Dembinski

Pároco Gilson Dembinski

Ele destaca que a igreja católica de Pitanga não tem um trabalho restrito apenas à questão da organização de pastorais, movimentos e evangelização, mas também no sentimento da responsabilidade social e do aproveitamento do espaço da igreja para um trabalho, que também é evangelização, mas é um serviço para a comunidade. “A missão da igreja é evangelizar e fazer o bem, na perspectiva da fé, assim como Jesus fazia o bem, e levar as pessoas a ter uma experiência verdadeira com Deus”, comenta o pároco.

Entre as ações que a igreja se envolveu, está a preocupação com a saúde e educação da população de Pitanga, além das ações de caridades que a igreja sempre está envolvida. “O objetivo, de certa forma da evangelização, é promover o bem para as pessoas, seja o lado espiritual ou social e, em todas as campanhas que temos feito, tanto para o hospital como para outras entidades, temos sempre uma participação efetiva da sociedade”, frisa o padre.

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