Tião Vitor realizou o primeiro sorteio pelas rádios de Pitanga

Tião Vitor relembra Os Gaudérios do Fandango

Tião Vitor relembra Os Gaudérios do Fandango

O locutor Sebastião Vitor, 74 anos, conhecido como Tião Vitor, nasceu na cidade de Virgínia (MG) em 16 de janeiro de 1946. Filho de Antônio Custódio e Herminda Honório de Jesus, chegou a Pitanga em 22 de agosto de 1965, para trabalhar em uma fazenda e fazer a roçada da capoeira. “Antes de me mudar definitivamente, vim duas vezes para trabalhar como boia-fria, com meu patrão, que veio abrir uma fazenda; trabalhei com ele durante 13 anos antes de me mudar para a cidade, em 1979”, relata. Tião Vitor conta que, naquela época, a viagem de mudança de Virgínia para Pitanga demorou seis dias.

Mas o contato com a música começou ainda em Minas Gerais, onde Tião Vitor tocava viola com outro companheiro, mas apenas por diversão. “Era algo bem amador e por diversão; a gente gostava de cantar Tonico & Tinoco, Zico & Zeca, Tião Carreiro & Pardinho, sempre música sertaneja”, comenta.

Quando se mudou para Pitanga, Tião Vitor comprou uma gaita de 8 baixos e começou a aprender a música gaúcha, típica da região de Pitanga. Pouco tempo depois, ele fez o investimento em uma gaita Todeschini 120, que é considerada uma das melhores. Ainda no sítio, ele começou a tocar bailes, mas a carreira profissional ganhou força quando ele se mudou para a cidade e formou, com outros companheiros, o grupo Gaudérios do Fandango. O grupo durou cerca de 10 anos e, em 1989, Tião Vitor voltou para Minas Gerais, onde alugou um clube de forró e com outros dois companheiros formou o conjunto Casa Verde.

Nessa época, Tião Vitor tinha um armazém em Pitanga e deixou seu filho cuidando do negócio para voltar a Minas Gerais. Passado um tempo, em Minas, seus companheiros de grupo sofreram um acidente automobilístico e morreram e, isso fez com que ele voltasse para Pitanga.

Tião Vitor, além de músico é locutor a há 40 anos em Pitanga

Tião Vitor, além de músico é locutor a há 40 anos em Pitanga

Diferenças

Tião Vitor comenta que existe uma diferença entre o tipo de baile que ele tocava em Minas Gerais e em Pitanga. “Lá em Minas, nunca tinha ouvido a música gaúcha e o baile era animado com músicas como marchinha, rancheira, tango e valsa; poucas eram as músicas sertanejas que davam para o povo dançar”, frisa. Tião não chegou a gravar um cd, mas ainda quando em Minas Gerais, ele estava preparando um repertório para gravar um disco, com o nome de Mineiro & Paranaense, que inclusive seria patrocinado por um fazendeiro do estado do Rio de Janeiro. “Ele me viu tocando com meu companheiro e perguntou por que nós não tínhamos gravado um disco ainda. Dissemos que éramos pobres, sem dinheiro, e ele se dispôs a patrocinar e pediu que preparássemos o repertório que ele iria para o Rio de Janeiro e quanto voltasse pagaria a gravação do disco. Mas nesse intervalo ocorreu o acidente, perdi meus companheiros e desisti do disco”, salienta.

Rádio

Assim que mudou para a cidade, Tião Vitor começou a trabalhar na Rádio Auri Verde de Pitanga, com um programa que era transmitido a partir do cinema que existia na cidade. “Muita gente não sabe, mas eu fui o primeiro locutor a sortear brindes no programa e o primeiro prêmio que eu sorteei foi um pacote de arroz, cedido pela Máquina de Arroz Pitanga, que funcionava no bairro Pitanguinha”, comenta. O cantor lembra que, na época, o sorteio deu uma grande audiência. “Hoje, praticamente todos os programas das rádios de Pitanga sorteiam algum tipo de prêmio e a audiência não fica restrita apenas ao município, pois com as transmissões pela internet, pessoas que eram de Pitanga e que hoje moram em outras cidades também ouvem os programas”, ressalta.