População de Pitanga se mobiliza pelo fim da violência contra a mulher

Mulheres fazem manifestação pelo fim da violência

Mulheres fazem manifestação pelo fim da violência

Uma mobilização popular ocorreu no início da noite da segunda-feira, 14 de dezembro, no município de Pitanga. Centenas de pessoas participaram da passeata pelo fim da violência contra a mulher. A manifestação foi motivada por um vídeo que viralizou nas redes sociais, onde um policial militar agride sua ex-mulher, em plena praça da igreja matriz. A cena é assistida pela filha do casal e causou muita revolta entre as mulheres do município. A situação ocorreu na noite do sábado, 12 de dezembro.

A iniciativa da manifestação partiu de um grupo de mulheres e, rapidamente, ganhou a adesão de um grande número de pessoas. Cleia Andrade Justino, que atuou como coordenadora especial da mulher de Pitanga, disse que a manifestação ocorreu em solidariedade à vítima, não apenas por ser amiga das organizadoras, mas para chamar a atenção da sociedade sobre a violência que as mulheres enfrentam todos os dias. “Isso demonstra que a cidade de Pitanga não seria conivente com o que aconteceu e queremos mostrar que estamos unidas para combater esse tipo de crime e que não podemos mais nos omitir diante de situações como essa”, disse.

Cleia disse que a mobilização partiu da indignação das mulheres ao ver o vídeo e que a manifestação ocorreu de forma objetiva e positiva e a expectativa é que essa mobilização se torne um marco na história de Pitanga. A ação contou com o apoio da Coordenadoria Especial da Mulher, da Procuradoria da Mulher, da Unimap e de associações em geral.

A presidente da Câmara de Vereadores de Pitanga, Eloy de Lurdes Ottoni, ressalta que esse caso ocorreu em vias públicas e assustou a sociedade, porque mostrou uma realidade que é relativamente comum, mas muitas vezes fica restrita ao âmbito familiar. “Isso não é divulgado, nem denunciado por medo da reação da própria sociedade, que ainda é muito machista, onde as mulheres que sofrem violência são, constantemente, vitimadas, sua palavra, moral e conduta quase sempre são colocadas em dúvida”, salienta.

Para ela, a manifestação mostrou que a violência de gênero se faz presente em todas as camadas sociais, se constituindo em uma das principais formas de violação dos direitos, privando-as do direito à vida, à saúde e ameaçando a sua integridade física, psicológica e moral e que tem se manifestado no espaço público como no privado.

O comando do 16º BPM, na pessoa do major Cristiano Cubas de Lima, emitiu nota informando que a partir do conhecimento das informações, determinou a instauração de Procedimento Administrativo Apuratório e, em consonância a isso, já no dia de 14 de dezembro, as vítimas e todos os envolvidos na situação foram ouvidos via Termo de Declaração na sede da 3ª Companhia do 16º BPM, por um oficial.

“O comando da unidade da Polícia Militar do Estado do Paraná, bem como o 16º BPM, nunca foi e nem nunca será conivente com atos irregulares, sejam eles de cunho administrativo ou criminal, onde as apurações sempre são e serão imparciais”, citou o comandante. O policial militar acusado de agressão foi afastado das ações na rua.

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