Preço da carne bovina deve se estabilizar apenas depois do Natal

Alex Fonseca fala sobre aumento dos preços da carne

Alex Fonseca fala sobre aumento dos preços da carne

Os constantes aumentos no preço da carne bovina têm assustado os consumidores, a cada ida ao mercado ou açougue. O jornal Paraná Centro conversou com representantes de pecuaristas e da indústria para tentar entender o que está acontecendo e quando essa escalada nos valores deve dar uma trégua. O presidente do Sindicato Rural de Pitanga, Luiz Carlos Zampier, ressalta que, nos últimos quatro a cinco anos, o preço da carne ficou praticamente estabilizado a R$ 150 a arroba. “Esse foi um período que o produtor trabalhou com prejuízo, mas isso não chamou a atenção do consumidor, que sempre comprou carne barata e não percebia isso”, frisa. Zampier comenta que, em comparação com outros países, a carne bovina brasileira é uma das mais baratas e, mesmo com os recentes aumentos, ainda assim é mais em conta que em outros países do mundo.

O proprietário do Frigocenter de Ivaiporã, Alex Sandro Aparecido Geremias da Fonseca, salienta que esse aumento no preço do boi não começou de hoje. Sem um acompanhamento no preço da carne com os custos, nos últimos anos, muitos pecuaristas começaram a abater as matrizes, alguns para reduzir a área de pasto, para dar espaço para a soja. Com isso, começou a haver uma dificuldade na reposição e começou a faltar bezerro no mercado.

Na sequência, começou a ocorrer uma venda de boi vivo para outros países, principalmente, para a Turquia; e o Brasil, por meio de uma ação direta do Ministério da Agricultura e Pecuária, conseguiu habilitar mais 13 frigoríficos para exportar para a China.

A pandemia fez com que outros dois fatores fossem acrescentados a esses componentes para o aumento do preço. As grandes plantas frigoríficas tiveram uma redução de pelo menos 50% em sua mão de obra, para possibilitar o distanciamento entre os funcionários, por causa dos decretos da pandemia; e a alta do dólar fez com os países compradores da carne brasileira entrassem forte no mercado. “A China comprou carne do Brasil em demanda grande e isso fez com que caíssem os estoques de carne e a redução na oferta faz com que o preço aumente”, avalia Luiz Carlos Zampier.

Mas mesmo com esses aumentos, o consumo interno ainda não caiu. Alex Fonseca avalia que o auxílio de R$ 600, pago pelo Governo Federal durante a pandemia da Covid-19, fez com que as famílias mantivessem o hábito de consumo de carne bovina e, mesmo com as altas, o consumo não tem diminuído.

Atualmente, o preço da arroba do boi está se aproximando da casa dos R$ 300, quase o dobro do que era registrado há pouco mais de um ano. No entanto, a expectativa, por parte da indústria, é que o preço da carne continue subindo até o Natal. Geralmente, no mês de janeiro ocorre uma redução no consumo, em função das férias e também dos compromissos de início do ano como material escolar, IPTU e IPVA. “No entanto, a médio prazo, não temos uma tendência de queda nos preços”, comenta o sócio-proprietário do Frigocenter. A estimativa é que a carne chegue a R$ 320 a arroba do boi e a partir daí possa ocorrer uma estabilidade nos preços.

Mas não é apenas o preço da carne bovina que subiu. O suíno, que muitas pessoas usam como substituto para a carne de gado, também teve um aumento expressivo nos últimos três meses. Na indústria ivaiporãense, por exemplo, o porco era comercializado por R$ 7,50 o quilo e agora é vendido por R$ 14,50 e, mesmo que o dólar caia nas próximas semanas, esse preço deve se manter, porque os custos continuam altos.

Luiz Carlos Zampier destaca que os custos da produção bovina também cresceram, começando pelo preço do bezerro, que praticamente dobrou de preço nos últimos anos. Atualmente, o pecuarista paga cerca de R$ 3 mil por um animal que saiu há pouco tempo da desmama. Ele calcula que, antigamente, o custo do bezerro representava em torno de 40% do preço final do animal vendido para o abate. Atualmente, mesmo com a alta no preço pago ao produtor, esse custo está ficando em torno de 55% do valor final do animal.

Além disso, outros insumos também têm pesado para o pecuarista, assim como o custo da ração, em função das altas do preço da soja e do milho. Apesar das altas de preço, não há risco de escassez de carne, principalmente, para as festas de final de ano, mas o preço não teve ser dos mais atrativos. “Os grandes frigoríficos já se programaram para o Natal, mas a tendência não é de queda”, ressalta Alex Fonseca.

Zampier comenta que, apesar desse valor ser ruim para o consumidor, a busca por carne brasileira por outros países é muito importante para a região. Ele destaca a política da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que tem conseguido abrir as portas do produto brasileiro pelo mundo e, hoje, o Brasil vende sua carne para mais de 100 países. “A pecuária está otimista e isso trará benefícios para a nossa região, pois aumenta o Valor Bruto de Produção (VBP), aumenta a participação no PIB e dos recursos que circulam no município, além disso, os governantes ganham mais impostos e ocorre uma geração maior de empregos e, com uma economia aquecida, todos ganham”, frisa o presidente do Sindicato Rural de Pitanga.

Luiz Carlos Zampier é presidente do Sindicato Rural de Pitanga

Luiz Carlos Zampier é presidente do Sindicato Rural de Pitanga

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