Amantes de livros comentam importância da leitura

Ricardo Chagas conta histórias para crianças

Ricardo Chagas conta histórias para crianças

Em 29 de outubro, é celebrado, no Brasil, o Dia Nacional do Livro. A data foi criada em 1810 em comemoração à fundação da primeira biblioteca brasileira, a Real Biblioteca, no Rio de Janeiro, então capital do país. Nesse dia, a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil e tornou-se a Biblioteca Nacional. Porém, o acervo chegou ao Rio de Janeiro antes, em 1808.

O Paraná Centro conversou com pessoas que são verdadeiramente apaixonadas pela leitura e que comentaram a importância dos livros nas respectivas vidas e carreiras profissionais.

O premiado escritor de contos e técnico de atividades do Sesc Ivaiporã, Ricardo Chagas, disse que gosta de livros desde antes de aprender a ler, sendo que na infância adorava quadrinhos de super heróis e pedia para que a mãe lesse para ele. Mais tarde, Ricardo Chagas começou a se interessar por literatura e por escrever contos, que já foram premiados em diversos estados da federação. “Já me destaquei em alguns prêmios de literatura pelo Brasil, tenho textos publicados em coletâneas de literatura no Pará, São Paulo, Paraná, Pernambuco, e trabalho com incentivo à leitura no Sesc Ivaiporã”, comentou Ricardo Chagas.

Vale referir que nesta semana, o Sesc retomou atividades de leitura online como o Clube de Leitura, o Clubinho de Leitura e a Hora do Conto, que acontecem todas as terças-feiras pela plataforma Microsoft Teams.

O escritor relatou que gosta de ler obras de autores como Charles Bukowisk, Jonh Fante e João Anzanello. Chagas mencionou que a inspiração para seus contos é o humano, e que gosta de escrever sobre sentimentos e histórias que poderiam passar despercebidos por olhares menos atentos.

Por sua vez, a educadora infantil no CMEI Antônio Carlos Costa, Lorena Porto, afirmou que o interesse dela pela leitura vem desde a infância. Ela recordou que, na 4ª série, a professora Cleonilda Sabino, mantinha no fundo da sala de aula uma prateleira com diversas fichas de leitura com histórias infantis curtas. Além de poder ler à vontade, os alunos precisavam escolher uma das histórias para fazer fichas bibliográficas. “Depois da 4ª série, a professora de português, Cleuza, também nos pedia fichas bibliográficas, porém de livros. A biblioteca do colégio era meu lugar favorito”, recordou.

Expressando a paixão pelos livros, Lorena Porto contou que já chegou a ler dois ou mais títulos por mês, no entanto, a média atual caiu para aproximadamente um título a cada dois meses.

Ela mencionou que a paixão pelos livros passou dela para os filhos e que a leitura tem um papel de grande importância na vida da pessoa e para a sociedade. Além disso, afirmou ser eclética e gostar de romances, crônicas e vez ou outra arrisca autoajuda.

A educadora infantil frisou a importância da leitura desde a gestação, onde o bebê já começa a se familiarizar com a voz da pessoa que está contando a história e também a diferença da entonação da voz enquanto falamos e lemos. Após o nascimento, o contato com os livros/leitura, além de aumentar o vínculo entre a criança e o mediador, propicia uma riqueza de palavras que corroboram com o desenvolvimento do vocabulário e dinamiza a interpretação e o raciocínio, vantagens para uma vida inteira de aprendizado.

Lorena Porto defendeu que a leitura online jamais substituirá o livro físico, o cheiro de páginas novas, a riqueza de livros nas estantes e o silêncio acolhedor de uma biblioteca.

Já a professora de Língua Portuguesa, Carla Schveper, formada em Letras pela Univale e mestranda pela Unicentro, comentou que o gosto pela leitura foi despertado pelos pais dela. Ela relatou que a década de 80 era uma época na qual as estantes da sala eram preenchidas com livros. “Minha mãe me contava histórias antes de dormir, e ver meus pais lendo era algo rotineiro. Além disso, os professores que tive sempre foram muito generosos e felizes na escolha das obras sugeridas durante minha vida escolar”, destacou a professora.

Carla Schveper compartilhou a paixão pelos livros ao relatar que o objetivo pessoal é ler 12 livros por ano, mas orgulha-se ao dizer que vem ultrapassando a meta, com 17 obras lidas no ano passado e 18 neste ano.

Sobre as leituras preferidas, a professora confessou ser bem eclética e gostar de literatura brasileira, tendo Jorge Amado como autor preferido, além de fazer passeios pelas literaturas inglesa, portuguesa, africana e por obras literárias coreanas que a surpreenderam bastante pela qualidade e doçura das narrativas. “A leitura, como um todo, é essencial para a autonomia do sujeito. Ela desenvolve habilidades interpretativas e pensamento crítico. Qualquer leitura é válida: jornal, história em quadrinhos, mangás, blogs, a internet nos oferece muitas opções e isso é realmente algo muito bom. Sobre a leitura literária, sou suspeita para falar, é a minha grande paixão. Para mim, a literatura, além de desenvolver habilidades interpretativas, tem o poder de nos fazer conhecer outros mundos, culturas, lugares, afinal nossa história é narrada nas obras literárias. A literatura tem o poder de humanizar, nos colocar no lugar do outro, é uma forma de nunca estar sozinho, pois é um diálogo entre autor e leitor. Eu não consigo imaginar um mundo sem um livro, sem uma história para ler”, opinou a professora de língua portuguesa.

Lorena Porto passa paixão pelos livros para filha

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Carla Schveper destaca gosto pela literatura brasileira

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