Produtora de Pitanga ganha prêmio nacional de gestão

Clarisse Volski

Clarisse Volski

A produtora rural Clarisse Liana Weber Volski, da Agropecuária Santa Rita, na localidade de Arroio Grande, em Pitanga, foi vencedora da categoria Média Propriedade do 3º Prêmio Mulheres do Agro, que é uma iniciativa da multinacional Bayer com a Abag (Associação Brasileira de Agronegócios), em parceria com a Revista Globo Rural. O prêmio, que fez parte do 5º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, contou com mais de 200 candidatas inscritas de todo o Brasil. A segunda colocação ficou com Michelle de Morais, de Pato de Minas (MG) e a terceira colocação com Kamila Aguiar, de Rio Verde (GO).

Casada com Neudi Volski, o casal tem três filhas Laize Karine Volski, que é engenheira civil; Lilissane Mariane Volski, estudante do curso de Cooperativismo do IFPR; e Lorena Weber Volski, estudante na Escola do Campo de Arroio Grande. O casal cuida de uma propriedade de 120 alqueires, com agricultura e pecuária de leite. No verão, é realizado o plantio de soja e milho para silagem e, no inverno, além do milho safrinha, é realizada a integração lavoura-pecuária com o plantio de pasto para a alimentação das vacas.

Clarisse Volski comenta que o objetivo desse prêmio é reconhecer a contribuição feminina na administração da propriedade e valorizar as boas práticas e a gestão sustentável. O anúncio do prêmio ocorreu no dia 27 de outubro, durante o congresso, que nesse ano foi realizado de forma online.

Ela destaca que, no ano passado, foi convidada e participou do congresso que ocorreu em São Paulo e, nesse ano, se inscreveu novamente e, seu relato foi selecionado. Após a definição das finalistas, cada uma gravou um vídeo e contou um pouco da sua história no agronegócio. Os jurados do prêmio também observaram se a propriedade cumpre os três pilares da sustentabilidade, que envolvem questões econômicas, sociais e ambientais. “Para participar do prêmio, a propriedade precisa se encaixar nesses três pilares e a comprovação é feita por meio de documentos como o CAR, ITR, entre outros”, frisa. Após isso, ela escreveu um formulário contando como as atividades começaram, as dificuldades enfrentadas ao longo do tempo e os desafios.

A produtora rural assumiu a parte de gestão com o crescimento da propriedade. Ela lembra que começaram com um sítio pequeno, e não tinham casa para morar ou carro e precisavam emprestar o maquinário do sogro para realizar os primeiros plantios. “Fomos crescendo e o meu esposo passou a administração da propriedade para mim e ficou com a parte da produção”, relata.

Clarisse Volski com o esposo Neudi, filhas e funcionários da Agropecuária Santa Rita

Clarisse Volski com o esposo Neudi, filhas e funcionários da Agropecuária Santa Rita

Clarisse Volski comenta que, no início do trabalho de gestão, sentiu um pouco de preconceito por parte dos fornecedores, que estranhavam uma mulher gerindo uma propriedade. “No começo, alguns homens que chegavam ao sítio queriam falar com meu marido e tinham preconceito de negociar com uma mulher; depois de um tempo, alguns aceitavam bem, já teve outros que nem voltaram e perderam a cliente”, relembra.

Uma das mudanças implantadas na gestão do sítio é de relacionamento com os funcionários e colaboradores, que têm uma abertura maior para o diálogo, ajudam nas decisões e no planejamento da propriedade e também tem uma flexibilidade maior de horário. A Agropecuária Santa Rita tem uma preocupação muito grande com a preservação ambiental e está investindo na geração de energia solar, preservação das nascentes de água, preocupação com o conforto dos animais e também a destinação correta das embalagens de agrotóxicos.

“A ação integrada entre lavoura e pecuária foi responsável pela redução de custos e, com isso, conseguimos cerca de 30% a mais de rentabilidade, o que nos possibilita realizar outros investimentos; também procuramos sempre seguir as recomendações técnicas e trabalhar a inovação”, frisa a produtora.

A filha Laize Karine Volski lembra que o pai Neudi é um pouco resistente a algumas inovações, mas, aos poucos a mãe, com a ajuda das filhas, tem implementado algumas tecnologias, especialmente na produção leiteira. “Já tivemos mudanças importantes e queremos investir muito mais, estamos pensando, por exemplo, na automação da ordenha”, frisa. Ela destaca também o orgulho de ver a mãe premiada em um prêmio de âmbito nacional e o reconhecimento pelo trabalho alcançado.

Clarisse Volski, que também é pedagoga na Escola do Campo de Arroio Grande, ressalta que esse prêmio representa um sentimento de orgulho e de valorização, além de mostrar que a mulher pode ser competente na condução de uma propriedade rural. “Quando me avisaram que tinha ficado entre as finalistas, já me sentia reconhecida, mas o primeiro lugar vai além do que eu imaginava”, ressalta.

A produtora rural vai receber um troféu e uma viagem técnica para algum local do Brasil, que ainda não foi definido, em função da pandemia. Por causa da Covid-19, nesse ano, o congresso foi online e contou com a participação de mais de 2,1 mil mulheres, além da participação da ministra da Agricultura Tereza Cristina e de outros convidados do Brasil e de Portugal. “Espero que essa conquista inspire outras mulheres que trabalham no agronegócio, mas acabam sendo submissas ao esposo e não têm voz ativa. Aqui eu tenho voz ativa e o apoio e a confiança do meu marido e das minhas filhas”, finaliza a produtora premiada.

Francila Calica, gerente de Comunicação Corporativa da Bayer no Brasil, destaca que o Prêmio Mulheres do Agro quer contribuir para que a atuação feminina na liderança do setor seja cada vez maior, eficiente e definitiva. “Na Bayer, acreditamos no poder da diversidade. Temos uma missão coletiva de promover uma agropecuária mais diversa e inclusiva. Por isso, estimulamos mulheres a ocuparem mais espaços neste mercado e a serem presentes e vocais”, ressalta.

Produtora de Pitanga durante a live que anunciou os ganhadores

Produtora de Pitanga durante a live que anunciou os ganhadores

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