Escultura homenageia pioneiros de Jardim Alegre

Escultura é instalada no centro de Jardim Alegre

Escultura é instalada no centro de Jardim Alegre

Uma escultura fixada na área central de Jardim Alegre, no cruzamento da Avenida Paraná com a Avenida Mattos Leão, está chamando a atenção de quem passa pelo local. A obra, que ainda não está finalizada, foi construída pelo escultor Roverson Tales Turek, da cidade de Borrazópolis, responsável por estátuas e esculturas que se encontram nas cidades de Kaloré, Cruzmaltina, Munhoz de Melo, Borrazópolis, entre outras. A obra tem cinco metros de comprimento, quatro metros de altura e pesa aproximadamente sete toneladas. Ela foi feita em concreto, sendo utilizadas 80 barras de ferro e 30 sacas de cimento e levou cerca de cinco meses para ficar pronta. A escultura, encomendada pela Prefeitura de Jardim Alegre, é uma homenagem às famílias Machado e Santos, que foram as primeiras a chegar ao município.

A história de Jardim Alegre, assim como de outros municípios do Vale do Ivaí, está ligada diretamente ao processo de colonização empreendido pela Sociedade Territorial Ubá, na década de 1950. Antes da chegada da companhia colonizadora, as terras do atual município de Jardim Alegre eram ocupadas por posseiros, desde o início dos anos de 1940, que vinham dos mais diversos lugares do estado e do país, em busca de melhores condições de vida. Dentre esses personagens, as famílias Santos e Machado se destacaram nesse processo.

A família Santos chegou às terras em 1942, vinda do Vale da Ribeira, região compreendida entre os estados do Paraná e São Paulo. Era formada pelo patriarca Claudino Domingues dos Santos e esposa Sebastiana Nunes da Silva. Os filhos do casal: Antonio, Francisco e Servino vieram antes para explorar as terras e só mais tarde, o pai seguiu viagem e, por último, a mãe com os filhos Rita, Maria, João e Olivério. Esta, portanto, teria sido a primeira família a ocupar as terras do município de Jardim Alegre.

Já a família Machado, na figura do pioneiro Genibre Ayres Machado, chegou em maio de 1943, vinda da região de Faxinal de São Sebastião. Os Machados iniciaram a formação de uma propriedade na Água do Pindaúva e, em 1953, Genibre adquiriu da Sociedade Territorial Ubá uma área de cinco alqueires, onde mais tarde daria origem ao patrimônio Três Machados. Genibre, em sociedade com o pai, instalou uma venda de secos e molhados e mercadorias em geral. Tempos depois, chegavam os pioneiros Experidião e Renato, que também possuíam o sobrenome Machado, e instalaram um quiosque. Por último Pedro, que também carregava o sobrenome Machado, foi o responsável pela instalação do primeiro bar. E assim, a localidade passou a ser conhecida como Patrimônio Três Machados, representando as três famílias que iniciaram a formação do município. No ano de 1954, as famílias se uniram com o casamento de Genibre e Rosa e, dessa união, nasceram 12 filhos e, anos mais tarde, o local ficou conhecido como Rancho Alegre. Em 1960, com a emancipação de Ivaiporã, passou a ser conhecido como Jardim Alegre.

O escultor Roverson Tales disse, em entrevista ao jornal Paraná Centro, que o sentimento expressado na obra foi de homenagear as famílias dos pioneiros, que naquela época tiveram muita coragem de adentrar o sertão e enfrentar todas as adversidades para buscar uma vida melhor. “Tenho uma admiração muito grande por essas pessoas, de trazer as famílias para um lugar desconhecido e começar uma vida nova. E essa é uma homenagem a esse sentimento de vitória e quis retratar isso nessa escultura”, frisou o artista.

Para ele, a etapa mais complexa foi o transporte, pela dimensão da obra. “O transporte foi o momento mais tenso, porque faço imagens menores, que são mais fáceis de transportar, e essa de fato foi algo muito tenso”, ressaltou. Roverson Tales disse que já esculpiu imagens maiores, mas todas dentro da cidade de Borrazópolis e as peças foram confeccionadas no local onde elas iriam ficar, como o monumento aos pioneiros, que está em frente à prefeitura do município, que tem 10 metros de comprimento, por seis metros de altura e peso estimado de 70 toneladas.

A obra de Jardim Alegre ainda não está finalizada; vai passar por um processo de cura, por cerca de 30 dias, até secar toda água do concreto e, finalmente, será aplicada uma tinta automotiva bronze para dar o efeito de estátua. “Essa obra representa muito para mim, basta ver como os homens retratados na escultura estão erguendo seus machados, como alguém que venceu uma batalha e que está buscando uma vida melhor, e me sinto parte disso também”, frisou o escultor.

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