Saber em quem votar é importante, mas conhecer o candidato é fundamental

Hoje eu quero propor um momento de reflexão. Vamos pensar sobre o que é o voto e porque votar é importante. Mas primeiro, vamos recapitular: desde a década de 80, o voto direto e secreto é cláusula pétrea do inciso II, do parágrafo 4º, do artigo 60 da Constituição Federal. Desde que isso foi assegurado, nós passamos a ter os governos que merecemos.

O voto é um dos exercícios fundamentais não só da democracia, mas da cidadania. Logo, é também uma responsabilidade. Quando nosso voto é convertido em mandato, se aqueles políticos não correspondem aos preceitos da dignidade, lembre-se: a culpa é nossa. A partir dessa premissa, quero dar a minha contribuição no processo eleitoral que estamos adentrando.

A qualidade do debate político está diretamente relacionada à liberdade com que se é proposto. Ou seja, a nossa participação, com exposição e confronto de ideias, é a possibilidade de criar-se um debate produtivo, baseado na liberdade de expressão e que inspira transparência. Não importa em que situação você participe (seja como advogado, juiz, candidato ou eleitor), o importante é fazer valer o seu papel no âmbito eleitoral.

Um voto consciente se faz a partir do conhecimento das propostas do seu candidato e, também, o histórico de vida desse político. Se é alguém marcado por fatos escandalosos ou pregressos, seria muito ingênuo pensar que o seu próximo mandato seja diferente. Por isso, existe a propaganda eleitoral, para ampliar o acesso do cidadão à corrida eleitoral. Entenda isso como um direito do qual se deve usufruir plenamente.

E hoje não podemos mais dizer que não temos o devido acesso às informações. No último ano, o Brasil registrou um número de aparelhos celulares habilitados maior do que o número total de habitantes. Foram 230 milhões de aparelhos para 210 milhões de pessoas. Sem esquecer das televisões, rádios e computadores. Acredito que a partir dessa realidade, não podemos mais nos desculpar e transferirmos aos próprios políticos as decisões dos votos.

O direito se amplia e a obrigação pesa mais. Em nosso País, o voto compulsório é sujeito à punição quando não cumprido. Há quem prefira pagar a ínfima multa que não chega a R$3 para não comparecer às urnas, mas a pior consequência é enfrentar um governo do qual se discorda com a consciência de nem ter tentado construir novos caminhos e mudar os rumos.

Reacendamos a nossa consciência. O futuro da nossa cidade, estado e País é responsabilidade compartilhada, e nós não devemos nos eximir disso. Pense bem e vote consciente.

*Guilherme Gonçalves – advogado especialista em Direito Eleitoral, professor da Pós-Graduação da Universidade Estadual de Londrina.

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