Advogadas destacam importância da denúncia no combate à violência contra mulher

Christiane Singh, presidente da Comissão da Mulher Advogada subseção Ivaiporã

Christiane Singh, presidente da Comissão da Mulher Advogada subseção Ivaiporã

A violência contra a mulher é um problema com raízes profundas e capaz de se manifestar de diferentes formas, produzindo efeitos em diferentes cenários. No dia nacional de luta contra esse tipo de violência, que ocorre no sábado, 10 de outubro, especialistas mostram que ainda há um longo caminho a ser percorrido.

A data relembra o histórico 10 de outubro de 1980, quando manifestantes se reuniram nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo em protesto contra o então índice crescente de crimes contra mulheres em todo o Brasil. Passados 40 anos, dados mostram que o feminicídio e a violência doméstica aumentaram durante o período da pandemia.

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ivaiporã, Christiane Singh, atribui o crescente número de casos de violência contra a mulher ao aspecto cultural, herança de uma sociedade machista, onde se reproduz uma ideia de normalidade com relação à violência.

Além da questão cultural, Christiane Singh destacou que os episódios constantes desse tipo de violência são motivados pela sensação de impunidade, já que muitas mulheres são reiteradamente vítimas dos mais variados tipos de violência e, muitas vezes, sequer se dão conta dessa situação. “Existem alguns tipos de violência, como a psicológica e patrimonial, que sequer são percebidas pelas vítimas”, observou Christiane Singh.

Para combater esse tipo de abuso, é importante que as mulheres saibam que não estão desamparadas em caso de violência e que devem denunciar o agressor. “Para mudar esse triste cenário de violência é fundamental que as mulheres denunciem qualquer tipo de violência; a denúncia, ao lado da informação, do debate, são as formas mais eficientes para combater a violência contra mulher. Não podemos esquecer também que, nós mulheres, somos responsáveis, quando mães de meninos, por desde muito cedo ensiná-los a ter respeito pelas mulheres; as primeiras lições são recebidas em casa, portanto, somos todas responsáveis por transformar essa realidade”, esclareceu a advogada.

A presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Pitanga, Geovânia Dziubate, afirmou que os índices registrados de violência contra a mulher vêm de longa data, e ponderou que, nos dias atuais, existem leis para condenar e punir os agressores. Ela atribuiu as agressões a fatores como consumo de álcool e drogas, principalmente, no período de pandemia, gerando como consequência a violência doméstica. “Historicamente, sempre houve essa proporção de violência, mas as mulheres eram agredidas e retiravam a queixa ou não denunciavam o companheiro. Agora, com a pandemia, as mulheres aprenderam a ter voz e expressar sua vontade”, frisou a presidente da OAB de Pitanga.

Geovânia Dziubate, presidente da subseção da Oab de Pitanga

Geovânia Dziubate, presidente da subseção da Oab de Pitanga

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